Já sao quase meia noite
Vou abrir o meu champagne
Fazer tilintar taças e me perder em abraços frios
Num misto de embriaguês mórbida
dar um brinde a solidão!
A noite ja vem caindo...
Viva nossa eterna ilusão
Mas se nem todo sonho é pesadelo
Entao que se quebrem taças e garrafas
Pois hoje a noite é de alegria e festa
Vamos aquecer abraços
E renovar nossos laços
Mas a noite já vem caindo
Depois de hoje...
Quero morrer em seu braços
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
CORAÇÃO EM DESALINHO
As Mãos frias calaram -me a boca
De mim já nao saiam cantos
E você já nao ligava a olhos vistos
Para meus agora pobres encantos
Proibido que fui de expressar com beijos
Meu amor...
Restou-me prantos oceanicos
Pra chorar a aflita dor
Como ave ferida
Mergulhei
Virei e revirei nessa cama
desfiz lençoes e refiz certos nós.
Mas hoje...abismo da noite
Recanto frio de ausencia
Num eterno compasso de espera
Meu coração bate absoluto
Porque você de mim partiu
Tingindo minha alma de luto
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
ROSEIRAL
Foi numa bolha de sabão que eu te encontrei...
Explodindo feito sorriso de arlequim
Bolha inusitada
Molhou-me a face de perfume
E lágrima
Fui criança outra vez
E por vielas e cidadelas te busquei
Recanto de amor
Por toda uma vida... Foi com você que eu sonhei
Em uma bolha de sabão como nuvem...
Subitamente eu te achei
Toda prosa
Cheia de manha
Ah! menina
Desse jeito você me ganha
E foi assim...
Numa bolha com perfume de jasmim
Que a mais perfeita rosa... Feito praga
Tomou conta do meu jardim!
Explodindo feito sorriso de arlequim
Bolha inusitada
Molhou-me a face de perfume
E lágrima
Fui criança outra vez
E por vielas e cidadelas te busquei
Recanto de amor
Por toda uma vida... Foi com você que eu sonhei
Em uma bolha de sabão como nuvem...
Subitamente eu te achei
Toda prosa
Cheia de manha
Ah! menina
Desse jeito você me ganha
E foi assim...
Numa bolha com perfume de jasmim
Que a mais perfeita rosa... Feito praga
Tomou conta do meu jardim!
DITO E FEITO
Palavras não fluem feitas rio
Palavras são notas celestiais
Podem ser monossilábicas
Ou mesmo vindo de gritos colossais
Palavras e letras soltas
São iguais vaga-lumes
Iluminando um pouco qualquer canto escuro
Palavras não têm o dom da verdade
Esse dom é de quem sabe interpretá-las
Palavras podem ser cruas... Até mesmo cruéis
Elas são por vezes culpadas da dor
Mas são invariavelmente também responsáveis
Pelo amor
Palavras e tons formam musicas
Palavras e prece... Uma oração
Elas decidem e votam
Palavras induzem
As mesmas palavras que dispensam
Por vezes são as mesmas que seduzem
Elas se expressam por bocas cálidas
E outras pálidas
Palavras por gestos mudos também falam
E quando não há mais o que dizer...
Elas simplesmente calam
Palavras podem ser destemperadas
Cheias de lamurias
Palavras têm peso e até cor
Mas no fim...
Palavras ditas ou escritas
São apenas palavras
E nada mais!
Palavras são notas celestiais
Podem ser monossilábicas
Ou mesmo vindo de gritos colossais
Palavras e letras soltas
São iguais vaga-lumes
Iluminando um pouco qualquer canto escuro
Palavras não têm o dom da verdade
Esse dom é de quem sabe interpretá-las
Palavras podem ser cruas... Até mesmo cruéis
Elas são por vezes culpadas da dor
Mas são invariavelmente também responsáveis
Pelo amor
Palavras e tons formam musicas
Palavras e prece... Uma oração
Elas decidem e votam
Palavras induzem
As mesmas palavras que dispensam
Por vezes são as mesmas que seduzem
Elas se expressam por bocas cálidas
E outras pálidas
Palavras por gestos mudos também falam
E quando não há mais o que dizer...
Elas simplesmente calam
Palavras podem ser destemperadas
Cheias de lamurias
Palavras têm peso e até cor
Mas no fim...
Palavras ditas ou escritas
São apenas palavras
E nada mais!
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
POR UMA NOITE
Passeou por mim feito tênue pele de cordeiro
Deslizou macia
Desvendou mistérios e medos
Fez-me delatar a vida
Desmanchando-me em segredos
Deslizou por mim
E sem tréguas... Desceu
Primeiro a camisa
Que suada de paixão se rendeu
Depois a velha e desbotada calça
Que fácil e insolente também cedeu
Nu e indefeso
Rendi-me!
Hoje só lembro-me da boca... A safada e suculenta boca
Molhada e sem fim
Passeando... Marcando-me os recôncavos de carmim
E entre gritos e sussurros
Nossa noite fluiu
Mãos desenfreadas e pernas eternamente separadas
Mas então... Você deslizou mais uma vez por mim
Vestiu-se de negro já olhando da porta.
Só então entendi...
Aquela noite havia chegado ao fim!
Deslizou macia
Desvendou mistérios e medos
Fez-me delatar a vida
Desmanchando-me em segredos
Deslizou por mim
E sem tréguas... Desceu
Primeiro a camisa
Que suada de paixão se rendeu
Depois a velha e desbotada calça
Que fácil e insolente também cedeu
Nu e indefeso
Rendi-me!
Hoje só lembro-me da boca... A safada e suculenta boca
Molhada e sem fim
Passeando... Marcando-me os recôncavos de carmim
E entre gritos e sussurros
Nossa noite fluiu
Mãos desenfreadas e pernas eternamente separadas
Mas então... Você deslizou mais uma vez por mim
Vestiu-se de negro já olhando da porta.
Só então entendi...
Aquela noite havia chegado ao fim!
SÓ MAIS UMA MODINHA DE AMOR...
Você é a sombra no crepúsculo do dia
Teus lábios são os lábios que não beijei
A mão que morrendo de medo à noite
Não peguei
Você é o sonho que caminha comigo
Na escuridão da madrugada
A água da chuva que corre sem rumo certo
Você pra mim é a melodia inacabada
Teu corpo é a ausência no inverno
Os detalhes que não vejo
Recantos que não sinto
Somos pernas que não se enlaçam
E na solidão da cama
Eu quase sinto que seus braços
São os que me abraçam
Somos assim...
Pequenas pétalas solitárias
Colorindo o jardim!
sábado, 25 de outubro de 2008
ÍCARO DE AÇO
Já me contaram sobre dinheiro e poder
Existem até os que podem voar em pássaros de aço a toda hora
Mas eu não!
De dinheiro e poder nada sei
Eu só quero poder viver!
E por assim dizer...Vou voar além de você
Sem asas de aço ou bagagem de ouro
Sou poeta!
Minhas folhas escritas e soltas ao vento
Carregam mais almas
Que as poltronas reclináveis e sem vida do materialismo humano!
Existem até os que podem voar em pássaros de aço a toda hora
Mas eu não!
De dinheiro e poder nada sei
Eu só quero poder viver!
E por assim dizer...Vou voar além de você
Sem asas de aço ou bagagem de ouro
Sou poeta!
Minhas folhas escritas e soltas ao vento
Carregam mais almas
Que as poltronas reclináveis e sem vida do materialismo humano!
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
BLUES DE UMA NOTA!
Para alguns a droga é uma erva que mal-cheira
Para outros, a ponta fria da agulha.
Mas para mim... Droga é a vida
E confesso...
Dessa eu quero overdose!
APÓCRIFO
A chuva caia fina molhando meu rosto de marfim
O sino tocava doze badaladas anunciando da noite
O fim...
Guardas passavam em apitos se comunicando
Olhavam pra mim como que vendo em vida o desperdício
Mas eu não buscava nada que não fosse meu
Naquela noite eu só queria ser um ato
Daqueles bem dramáticos que se encena em qualquer
Teatro!
Já me senti um evangelho apócrifo
Deixando meus pecados em letras garrafais
Feito crimes de dimensões colossais
Também já me vi santo crucificado
Rei da virtude... Aquele que ama sem pedir
Um baluarte ante- pecado!
No fundo... Sentado numa simples sarjeta
Contando os pingos que da face vertem
Descobri-me apenas um pescador
Discípulo das minhas sombras
Um seguidor de medos
Muitas vezes alma inerte
Noutras apenas um marionete
Demorei vidas pra embarcar nesse trem
Mas agora não sei mais onde parar
Acho que sou como um João de barro
Só que triste por ter asas
E não saber voar
O sino tocava doze badaladas anunciando da noite
O fim...
Guardas passavam em apitos se comunicando
Olhavam pra mim como que vendo em vida o desperdício
Mas eu não buscava nada que não fosse meu
Naquela noite eu só queria ser um ato
Daqueles bem dramáticos que se encena em qualquer
Teatro!
Já me senti um evangelho apócrifo
Deixando meus pecados em letras garrafais
Feito crimes de dimensões colossais
Também já me vi santo crucificado
Rei da virtude... Aquele que ama sem pedir
Um baluarte ante- pecado!
No fundo... Sentado numa simples sarjeta
Contando os pingos que da face vertem
Descobri-me apenas um pescador
Discípulo das minhas sombras
Um seguidor de medos
Muitas vezes alma inerte
Noutras apenas um marionete
Demorei vidas pra embarcar nesse trem
Mas agora não sei mais onde parar
Acho que sou como um João de barro
Só que triste por ter asas
E não saber voar
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
ALMA CALMA
Vou deixar que as ondas me levem pra outro lugar
Pra qualquer lugar
Não vou remar
Nem vou nadar
Quero apenas flutuar
Que eu pare em novas ilhas
Preciso voltar a navegar
Cansei da calmaria que sufoca
Hoje quero tempestade
Chuvas torrentes e ventania
Sou um capitão sem majestade
Vou deixar que as ondas me levem e lavem...
A alma que agora calma flutua sobre o mar!
Mas não há lagrimas na partida
Nem lenços
Nem palavras contidas
Há somente ondas e nada mais
O porto já some no limiar
Agora sou gaivota
E mesmo que metade de mim se parta
A outra já pode sonhar!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
FOGO E FATO
“Que eu te morda os lábios
O sangue que corre na paixão é muito melhor
Que as lágrimas da solidão!”
domingo, 5 de outubro de 2008
LÁGRIMAS SECAS
As lágrimas já não correm livremente
Hoje eu já não sei mais chorar...
Meus olhos estão secos
Minha vida ressentida
Já fui feliz um dia
Agora sou médico da minha própria ferida!
Isso é utopia de um insano
Achar que lágrimas secas não molham o pano...
Fiz do dia um grande leito de mar
E sobre as ondas deitei-me a espera da noite
Para voltar a sonhar...
A chuva que cai fora da vida
Inunda o vazio
Completa a carência
Faz da espera... A demência
A chuva que cai
Escorre
Deságua
Desbota a pele fraca
E corta ao meio a alma feito faca!
Mas isso é utopia de um insano
Achar que lágrimas secas não molham o pano...
Hoje eu já não sei mais chorar...
Meus olhos estão secos
Minha vida ressentida
Já fui feliz um dia
Agora sou médico da minha própria ferida!
Isso é utopia de um insano
Achar que lágrimas secas não molham o pano...
Fiz do dia um grande leito de mar
E sobre as ondas deitei-me a espera da noite
Para voltar a sonhar...
A chuva que cai fora da vida
Inunda o vazio
Completa a carência
Faz da espera... A demência
A chuva que cai
Escorre
Deságua
Desbota a pele fraca
E corta ao meio a alma feito faca!
Mas isso é utopia de um insano
Achar que lágrimas secas não molham o pano...
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
PARALELOS
Ele queria ao mundo conquistar
Ela queria um canto pra morar
Ele buscava em cada noite uma paixão
Enquanto ela sonhava dividir um único amor
Em seu velho colchão
Ela era a mais bonita pra ele
A melhor transa
Mas pra ela... Melhor ou mais não existia
Ele era único
O amor da vida
Mesmo que sangrasse sempre a mesma ferida
E assim se amaram...
Paralelos de um mesmo acaso
Encontraram-se do nada
E por nada se apaixonaram
O tempo transformou em amor o que antes
Era apenas caso
Mas um dia...
Ele descobriu-se eternamente apaixonado
E ela descobriu que o tempo passou
Nesse eterno livro da vida, ela partiu!
Levando com ela feridas que o vento secou
Lembranças que a chuva apagou
Ela ainda busca um único amor
Enquanto ele chora o ultimo que lhe restou!
Ela queria um canto pra morar
Ele buscava em cada noite uma paixão
Enquanto ela sonhava dividir um único amor
Em seu velho colchão
Ela era a mais bonita pra ele
A melhor transa
Mas pra ela... Melhor ou mais não existia
Ele era único
O amor da vida
Mesmo que sangrasse sempre a mesma ferida
E assim se amaram...
Paralelos de um mesmo acaso
Encontraram-se do nada
E por nada se apaixonaram
O tempo transformou em amor o que antes
Era apenas caso
Mas um dia...
Ele descobriu-se eternamente apaixonado
E ela descobriu que o tempo passou
Nesse eterno livro da vida, ela partiu!
Levando com ela feridas que o vento secou
Lembranças que a chuva apagou
Ela ainda busca um único amor
Enquanto ele chora o ultimo que lhe restou!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
MODINHA DE UM GRANDE AMOR
Hoje te amo porque te encontrei nas pequenas grandes coisas
No por sol de inverno
E no calor do verão tropical
Vi detalhes num simples sorriso
E no bom dia matinal
Nossas pequenas grandes coisas
Um beijo
Um simples abraço
O olhar cúmplice
As músicas divididas
E até as não ouvidas
A pipoca no cinema
Às vezes salgada e noutras doce
Eu te amo... Nas pequenas coisas
Com você descobri que não amar assim
É como abraçar o mundo
Mas não ver o fim!
No por sol de inverno
E no calor do verão tropical
Vi detalhes num simples sorriso
E no bom dia matinal
Nossas pequenas grandes coisas
Um beijo
Um simples abraço
O olhar cúmplice
As músicas divididas
E até as não ouvidas
A pipoca no cinema
Às vezes salgada e noutras doce
Eu te amo... Nas pequenas coisas
Com você descobri que não amar assim
É como abraçar o mundo
Mas não ver o fim!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
REFLEXÃO
Minha inquietude alimenta os caminhos que percorro
E por onde eu ande... Seja descalço ou cercado de luz
É o espírito de Deus que me conduz!
E por onde eu ande... Seja descalço ou cercado de luz
É o espírito de Deus que me conduz!
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
FOSSA
Fim de amor é feito faca que corta...
Machuca demais na hora.
Sangra
Arde
Faz chorar!
Mas lentamente vai fechando
Pouca a pouco cicatrizando!
No final...
Bem,
No final resta apenas uma cicatriz
Feito as que ganhamos ao longo da vida
Igual escorregão de bola
Ou mesmo a carteira que tropeçamos
Na escola.
Por fim...
É apenas mais um machucado
Entre tantos mal curados!
Machuca demais na hora.
Sangra
Arde
Faz chorar!
Mas lentamente vai fechando
Pouca a pouco cicatrizando!
No final...
Bem,
No final resta apenas uma cicatriz
Feito as que ganhamos ao longo da vida
Igual escorregão de bola
Ou mesmo a carteira que tropeçamos
Na escola.
Por fim...
É apenas mais um machucado
Entre tantos mal curados!
sábado, 13 de setembro de 2008
ENTRE ATOS
Na vitrola Pink floyd
E na cabeça um sentimento de angustia
Eu e meus complexos
Às vezes poeta e noutras Freud
A madrugada foge
Vejo-me em sonhos e bombas
Faço da vida um replay
Olhos vidrados em desalinho
Esperando que sol aperte o play
Busquei na fumaça do cigarro... Meu bendito companheiro
No gole engasgado
No beijo mal passado
Uma explicação pra esse grito que morre em mim
Eternamente sufocado
Descobri a sinfonia que faltou
O blues inacabado
O quadro ainda não pintado
A chuva que transborda o rio
E o silencio que ecoa
No vazio
Mas a agulha já risca estridente
Vou desligar a vitrola
Descer o pano
Apagar a luz da memória!
Enquanto o galo canta
A solidão mais uma noite me alcança
E encanta
E aos que sonham como eu
Bom retorno...
Amanha a entrada é franca!
E na cabeça um sentimento de angustia
Eu e meus complexos
Às vezes poeta e noutras Freud
A madrugada foge
Vejo-me em sonhos e bombas
Faço da vida um replay
Olhos vidrados em desalinho
Esperando que sol aperte o play
Busquei na fumaça do cigarro... Meu bendito companheiro
No gole engasgado
No beijo mal passado
Uma explicação pra esse grito que morre em mim
Eternamente sufocado
Descobri a sinfonia que faltou
O blues inacabado
O quadro ainda não pintado
A chuva que transborda o rio
E o silencio que ecoa
No vazio
Mas a agulha já risca estridente
Vou desligar a vitrola
Descer o pano
Apagar a luz da memória!
Enquanto o galo canta
A solidão mais uma noite me alcança
E encanta
E aos que sonham como eu
Bom retorno...
Amanha a entrada é franca!
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
O DIÁRIO
Deixei cair à caneta sobre folhas sem pauta
Transformei gotas de tinta azul em palavras sentidas
Completei com vírgulas e acentos uma frase
A borracha comeu o que de nada valia
Notei rimas mesmo em sentidos pouco literais
Por enquanto eram apenas palavras
Palavras banais
Ainda não havia ali uma vida
Faltava amor
Faltava alma
Talvez até mesmo um pouco de dor
Mas então...
Os sentidos se formaram feito partículas atômicas
Falei dos amores que vivi
E dos que perdi
Falei de Deus
Contei trovas e resenhas
E também chorei um adeus
E foi assim...
Sobre uma mesa de marfim
Em papel sem pauta
Que cheguei ao fim
Gota a gota escrevi meu depoimento
Alguns chamaram poesia
Outros melodia
Quanto a mim?
Chamei de testamento!
Transformei gotas de tinta azul em palavras sentidas
Completei com vírgulas e acentos uma frase
A borracha comeu o que de nada valia
Notei rimas mesmo em sentidos pouco literais
Por enquanto eram apenas palavras
Palavras banais
Ainda não havia ali uma vida
Faltava amor
Faltava alma
Talvez até mesmo um pouco de dor
Mas então...
Os sentidos se formaram feito partículas atômicas
Falei dos amores que vivi
E dos que perdi
Falei de Deus
Contei trovas e resenhas
E também chorei um adeus
E foi assim...
Sobre uma mesa de marfim
Em papel sem pauta
Que cheguei ao fim
Gota a gota escrevi meu depoimento
Alguns chamaram poesia
Outros melodia
Quanto a mim?
Chamei de testamento!
LEITURA DINAMICA
Seus olhos são cristais em mim
Sua boca quando sorri
Tem a textura do amor
Sorvido em lençóis de cetim
Teus seios de pele macia
Adornando seu colo
Convida-me
Neles você me conforta e acaricia
E como obra prima
Também é sua cintura
Movimentam-se frenéticas
Transformando essa paixão em moldura
O que falar das coxas
Essas benditas e divinas coxas
Por elas me enrosco
Embosco-me
Nelas te encoxo
Vou virar você...
Ah! O quadril
Do tamanho do céu
Empinado
Safado
Pedindo
E eu implorando... Quase gritando
Revirar e virar
Maltratar
E minhas mãos malhar
Chega de ilusão!
Melhor virar a pagina
Prefiro ler anúncios
Amor de revista
É prenuncio de solidão.
Sua boca quando sorri
Tem a textura do amor
Sorvido em lençóis de cetim
Teus seios de pele macia
Adornando seu colo
Convida-me
Neles você me conforta e acaricia
E como obra prima
Também é sua cintura
Movimentam-se frenéticas
Transformando essa paixão em moldura
O que falar das coxas
Essas benditas e divinas coxas
Por elas me enrosco
Embosco-me
Nelas te encoxo
Vou virar você...
Ah! O quadril
Do tamanho do céu
Empinado
Safado
Pedindo
E eu implorando... Quase gritando
Revirar e virar
Maltratar
E minhas mãos malhar
Chega de ilusão!
Melhor virar a pagina
Prefiro ler anúncios
Amor de revista
É prenuncio de solidão.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
RELÓGIO DE BOLSO
No movimento infinito das horas
Os ponteiros são feito alma sem vida
Girando sempre num mesmo sentido
Todo dia
Todo dia
Todo dia
Mas mesmo preso as horas que da vida restam... e pra sempre algumas prestam
Vivo a vida sem contar o tempo... amando aqui e ali
Levantando e caindo á todo momento
Sou um pescador de sentimentos
Um mal pagador de promessas
Um escritor de traços falhos
Sou naufrago de lágrimas
Deixando rastro em retalhos
No movimento infinito das horas
O sempre não é todo dia
Se ontem eu chorei
Era porque em algum lugar
Alguém sorria
Da mesma forma que a noite
Nunca encontra o dia !!
Os ponteiros são feito alma sem vida
Girando sempre num mesmo sentido
Todo dia
Todo dia
Todo dia
Mas mesmo preso as horas que da vida restam... e pra sempre algumas prestam
Vivo a vida sem contar o tempo... amando aqui e ali
Levantando e caindo á todo momento
Sou um pescador de sentimentos
Um mal pagador de promessas
Um escritor de traços falhos
Sou naufrago de lágrimas
Deixando rastro em retalhos
No movimento infinito das horas
O sempre não é todo dia
Se ontem eu chorei
Era porque em algum lugar
Alguém sorria
Da mesma forma que a noite
Nunca encontra o dia !!
terça-feira, 9 de setembro de 2008
GAVETAS
"Aprisionei numa folha alguns sentimentos em forma de letras.
Mas larguei o papel esquecido nas gavetas da vida.
Um dia alguém o encontrou e resolveu chamá-los ...
Poesia ! "
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
MINHA HERANÇA
Pai
Tu me deste as mãos pra levantar
Me deste os pés pra eu caminhar
Pai
Foi por ti que enxerguei a vida
E a cada tropeço meu
Era sua lágrima que caia sentida
Pai
Lembra quando eu não te ouvia ?
Tolo que fui...
Hoje o silencio da sua boca
Fere fundo minha alma aflita
Rogo a Deus em vão um bis de conselhos
Peço perdão todo dia
Vejo-me vacilar
Mas já não tenho você pra me escorar
Pai
Teu sorriso está perdido entre as estrelas
Por isso as noites são mais belas depois que partiu
Não vou pedir pra você voltar
Seu lugar é mesmo muito além de um altar
Pai
Você foi meu esteio
Se hoje me levanto sozinho
Foi porque com você sempre aprendi
A ser decente
Pai
Meu pai que hoje está no céu
Iluminado seja seu nome
E que abençoado eu seja sempre
Ser teu filho ..
foi meu maior presente
Tu me deste as mãos pra levantar
Me deste os pés pra eu caminhar
Pai
Foi por ti que enxerguei a vida
E a cada tropeço meu
Era sua lágrima que caia sentida
Pai
Lembra quando eu não te ouvia ?
Tolo que fui...
Hoje o silencio da sua boca
Fere fundo minha alma aflita
Rogo a Deus em vão um bis de conselhos
Peço perdão todo dia
Vejo-me vacilar
Mas já não tenho você pra me escorar
Pai
Teu sorriso está perdido entre as estrelas
Por isso as noites são mais belas depois que partiu
Não vou pedir pra você voltar
Seu lugar é mesmo muito além de um altar
Pai
Você foi meu esteio
Se hoje me levanto sozinho
Foi porque com você sempre aprendi
A ser decente
Pai
Meu pai que hoje está no céu
Iluminado seja seu nome
E que abençoado eu seja sempre
Ser teu filho ..
foi meu maior presente
PARCOS SONHOS
Comprei uma cama grande
Mas era velho o cobertor
Esparramei nela meus sonhos
Ainda assim sobrou espaço pra um amor
Frustrado,
Recostei-me na velha poltrona de corvim
Olhei da janela
E vi o mundo aprisionado lá fora
Por um instante pensei que você sorria pra mim !
A madrugada cantava
Um sonho de prazer me invadia
Meu corpo suava
E em mim eu te sentia
Mas como nada é o que parece...
Acordei aos gritos dessa magia:
Pesadelo
Pesadelo
Era apenas minha velha cama de solteiro que rangia
Maldita miséria !
Mas era velho o cobertor
Esparramei nela meus sonhos
Ainda assim sobrou espaço pra um amor
Frustrado,
Recostei-me na velha poltrona de corvim
Olhei da janela
E vi o mundo aprisionado lá fora
Por um instante pensei que você sorria pra mim !
A madrugada cantava
Um sonho de prazer me invadia
Meu corpo suava
E em mim eu te sentia
Mas como nada é o que parece...
Acordei aos gritos dessa magia:
Pesadelo
Pesadelo
Era apenas minha velha cama de solteiro que rangia
Maldita miséria !
ELEMENTAIS
Somos feitos de ar e barro
Carne a carne renovados
Esqueletos e músculos
Todos bem articulados
Somos feito de água
Olhos e boca pedintes
Mãos que se apegam
Desenlaçam
Desdobram
E por outros se enlaçam
Somos do universo, alquimia
Uma mistura de fadas e bruxas
Bailando nessa eterna magia !
Carne a carne renovados
Esqueletos e músculos
Todos bem articulados
Somos feito de água
Olhos e boca pedintes
Mãos que se apegam
Desenlaçam
Desdobram
E por outros se enlaçam
Somos do universo, alquimia
Uma mistura de fadas e bruxas
Bailando nessa eterna magia !
domingo, 31 de agosto de 2008
CHUVA FINA
Lágrimas são pequenas gotas de cristal
Caindo rosto abaixo
Transparentes
Finas e salgadas no final
São feito chuvisqueiro
Nem molham tanto
São respingos...
Mas não cessam por encanto
Lágrimas são metade do que sou
Enquanto a outra metade é...
Saudade
Mas valha-me Deus ter motivos pra chorar
Foi lacrimejando pelo mundo
Sentindo frio e fome
Entre sabor e amargor
Que me fiz homem !
Caindo rosto abaixo
Transparentes
Finas e salgadas no final
São feito chuvisqueiro
Nem molham tanto
São respingos...
Mas não cessam por encanto
Lágrimas são metade do que sou
Enquanto a outra metade é...
Saudade
Mas valha-me Deus ter motivos pra chorar
Foi lacrimejando pelo mundo
Sentindo frio e fome
Entre sabor e amargor
Que me fiz homem !
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
SOPRO DE DEUS
SOPRO DE DEUS
Um vento tocou meus cabelos
Arrepiou minha pele sofrida
Um vento ditou segredos em minha alma
Calou uma lágrima sentida
Um vento invadiu meu coração
Tomou posse de mim
Me senti passarinho
E voei pelo mundo sem fim
Hoje,
Passarinho que sou
Esqueci dos fracassos meus
Vou bater asas pra vida
Porque esse vento que me eleva
É apenas um sopro de Deus !
Um vento tocou meus cabelos
Arrepiou minha pele sofrida
Um vento ditou segredos em minha alma
Calou uma lágrima sentida
Um vento invadiu meu coração
Tomou posse de mim
Me senti passarinho
E voei pelo mundo sem fim
Hoje,
Passarinho que sou
Esqueci dos fracassos meus
Vou bater asas pra vida
Porque esse vento que me eleva
É apenas um sopro de Deus !
domingo, 24 de agosto de 2008
SUPER - HOMEM APAIXONADO
Um dia...
Você de mim sumiu
E feito purpurina
Pude ainda ver teus cabelos a dobrar a esquina
Minha amada
Melhor namorada
Bailarina de um coração errante
Corpo e alma de amante
Mas um dia você de mim sumiu
Deixou-me triste
Preso ao chão como vaso quebrado
Espalhado em cacos pelo cerrado
Queria te encontrar
E com minhas mãos te alcançar
Quem dera fosse o super-homem
Pra voar ao seu redor
Mas sem ser super
Somente voar...
Somente homem !
Você de mim sumiu
E feito purpurina
Pude ainda ver teus cabelos a dobrar a esquina
Minha amada
Melhor namorada
Bailarina de um coração errante
Corpo e alma de amante
Mas um dia você de mim sumiu
Deixou-me triste
Preso ao chão como vaso quebrado
Espalhado em cacos pelo cerrado
Queria te encontrar
E com minhas mãos te alcançar
Quem dera fosse o super-homem
Pra voar ao seu redor
Mas sem ser super
Somente voar...
Somente homem !
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
SANGUE DE BRASILEIRO !
Comissão do Senado aprova restrição ao uso de algemas em ações policiais
Que País é esse onde um escândalo de corrupção dos mais vergonhosos consegue provocar apenas um sentimento de indignação em nossos parlamentares e juízes, a ponto de faze-los alterar uma norma de conduta compatível com todas as polícias do mundo ?
e os culpados, onde estão ?
Onde está a eficiencia de nossos comandantes que nao trabalham pra mudar as leis que protegem individuos malfeitores, que sugam o crescimento da nação em benefício prôprio ?
Hoje como Brasileiro me sinto envergonhado. nunca tantos engravatados foram presos no país e nunca tantos foram soltos por nossa justiça. pelos vários "GILMARES MENDES DA VIDA"
Chego a pensar que somos mesmo um País de vanguarda...vanguarda de corrupção...vanguarda de politicagem e politiqueiros que feito porcos em chiqueiros só fazem aumentar o mal-cheiroso sistema feudal de nossa nação !
Algemas para assaltantes de banco, ladrões pés de chinelo, e outros tantos criminosos .
mas ALGEMAS para empresários e políticos corruptos jamais.
AFINAL DE MÃOS ALGEMADAS COMO SE PAGA UMA PROPINA ?
Que País é esse onde um escândalo de corrupção dos mais vergonhosos consegue provocar apenas um sentimento de indignação em nossos parlamentares e juízes, a ponto de faze-los alterar uma norma de conduta compatível com todas as polícias do mundo ?
e os culpados, onde estão ?
Onde está a eficiencia de nossos comandantes que nao trabalham pra mudar as leis que protegem individuos malfeitores, que sugam o crescimento da nação em benefício prôprio ?
Hoje como Brasileiro me sinto envergonhado. nunca tantos engravatados foram presos no país e nunca tantos foram soltos por nossa justiça. pelos vários "GILMARES MENDES DA VIDA"
Chego a pensar que somos mesmo um País de vanguarda...vanguarda de corrupção...vanguarda de politicagem e politiqueiros que feito porcos em chiqueiros só fazem aumentar o mal-cheiroso sistema feudal de nossa nação !
Algemas para assaltantes de banco, ladrões pés de chinelo, e outros tantos criminosos .
mas ALGEMAS para empresários e políticos corruptos jamais.
AFINAL DE MÃOS ALGEMADAS COMO SE PAGA UMA PROPINA ?
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
CRÔNICA DA DESPEDIDA
Vou abrir a porta e escancarar janelas
Vestir minha melhor camisa de cetim
Junto a um bom vinho, sentar-me na poltrona
E esperar que você volte pra mim
Mas se você não voltar
Ora bolas
Vou dançar ao som de Jobim
Bebendo vinho
e chorando o fim !
Vestir minha melhor camisa de cetim
Junto a um bom vinho, sentar-me na poltrona
E esperar que você volte pra mim
Mas se você não voltar
Ora bolas
Vou dançar ao som de Jobim
Bebendo vinho
e chorando o fim !
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
MENINO DEUS
Sou homem !
Lutador do dia a dia
De minha própria alma, doutor
Sei amar e chorar
Sou menino em forma de beija-flor
Sou homem !
Latifundiário de paixões
Marinheiro de muitos portos
Sou pecador e
Sobrevivente de amores mortos
Sou homem !
Essência selvagem
Perfume que propaga pelo universo
Sou homem !
Menino inconstante
Em constante movimento
Soldadinho de chumbo de uma bailarina
O santo da libertina
Um Pierro de muitas colombinas
Sou homem !
Um bêbado sem rumo
Herdeiro de um coração sem dono
Lobisomem de mim mesmo
Pecador de Deus
Sonhador ateu
Esse homem...
Sou eu !
Lutador do dia a dia
De minha própria alma, doutor
Sei amar e chorar
Sou menino em forma de beija-flor
Sou homem !
Latifundiário de paixões
Marinheiro de muitos portos
Sou pecador e
Sobrevivente de amores mortos
Sou homem !
Essência selvagem
Perfume que propaga pelo universo
Sou homem !
Menino inconstante
Em constante movimento
Soldadinho de chumbo de uma bailarina
O santo da libertina
Um Pierro de muitas colombinas
Sou homem !
Um bêbado sem rumo
Herdeiro de um coração sem dono
Lobisomem de mim mesmo
Pecador de Deus
Sonhador ateu
Esse homem...
Sou eu !
quinta-feira, 31 de julho de 2008
RASTROS
Doeu...
Suas unhas cravadas em mim
Meus cabelos puxados
Enquanto gozava sem fim
Doeu !
Seus tapas de desejo e luxuria
Doeram as costas amassadas na parede
Nem sei se fiz por merecer
Tanto prazer
Preciso dizer que doeu.
Suas estocadas
Suas pegadas
Doeu !
Mas viajei em suas mãos pesadas
Doeu sim
Os beijos afobados
Os amassos safados
E as mordidas entre gritos
Sufocados
Tudo doeu
Mas te amei feito flor
Abrindo-me
E pedindo: vem meu amor
Mas agora acabaram os tapas
Já não sinto sua mordida
Nem sua Mão pesada
Doeu meu amor...doeu
Hoje sou lembranças de noites passadas
Você de mim sumiu
E nem deixou pegadas !
Suas unhas cravadas em mim
Meus cabelos puxados
Enquanto gozava sem fim
Doeu !
Seus tapas de desejo e luxuria
Doeram as costas amassadas na parede
Nem sei se fiz por merecer
Tanto prazer
Preciso dizer que doeu.
Suas estocadas
Suas pegadas
Doeu !
Mas viajei em suas mãos pesadas
Doeu sim
Os beijos afobados
Os amassos safados
E as mordidas entre gritos
Sufocados
Tudo doeu
Mas te amei feito flor
Abrindo-me
E pedindo: vem meu amor
Mas agora acabaram os tapas
Já não sinto sua mordida
Nem sua Mão pesada
Doeu meu amor...doeu
Hoje sou lembranças de noites passadas
Você de mim sumiu
E nem deixou pegadas !
domingo, 27 de julho de 2008
DEUS
Eu não sei quem sou...
Mas também o que importa isso ?
Eu nada sei
Eu apenas sei que já fui Rei
Mas de onde fui Rei se não sei o que sou ?
Nem mesmo sei pra onde vou...
Será que já fui Rei homem ?
Será que já fui Rei Deus ?
Eu nem sei quem sou
Acho que sou o que sou..
Um pouco homem
Um tanto Deus
Sou em muito sombra
Sou o que me compra
Sou o tanto que me vendo
Sou complexo e amplexo de uma simples vida
Sou reflexo do um erro
Sou acerto no desespero
Sou o que sou...
Um nada
E tudo ao mesmo tempo
Sou filho do homem
E pai em desalento
Penso as vezes que sou música
E noutras sou lamento
Pra muitos fui encanto
E pra tantos
Desencanto
Não sei quem sou
Posso ser isso tudo
Posso ser nada
Posso ser aquilo ali’
Ou acolá
Sou poeta
Sou triste
Sou um pobre
Ou simples sabiá !
Mas também o que importa isso ?
Eu nada sei
Eu apenas sei que já fui Rei
Mas de onde fui Rei se não sei o que sou ?
Nem mesmo sei pra onde vou...
Será que já fui Rei homem ?
Será que já fui Rei Deus ?
Eu nem sei quem sou
Acho que sou o que sou..
Um pouco homem
Um tanto Deus
Sou em muito sombra
Sou o que me compra
Sou o tanto que me vendo
Sou complexo e amplexo de uma simples vida
Sou reflexo do um erro
Sou acerto no desespero
Sou o que sou...
Um nada
E tudo ao mesmo tempo
Sou filho do homem
E pai em desalento
Penso as vezes que sou música
E noutras sou lamento
Pra muitos fui encanto
E pra tantos
Desencanto
Não sei quem sou
Posso ser isso tudo
Posso ser nada
Posso ser aquilo ali’
Ou acolá
Sou poeta
Sou triste
Sou um pobre
Ou simples sabiá !
domingo, 20 de julho de 2008
FOLHAS DE OUTONO
Os acenos indicavam o final
Folhas de outono caiam sobre o chão
Mas já era inverno em mim
As palavras gelando o coração
Teu beijo seco mostrando a verdade
O silencio do vento soprando
Seus passos ao longe
E meus olhos marejando
Minhas mãos agora sozinhas e escondidas
Olhei o céu e vi que o sol ainda brilhava
A boca salgou com as lágrimas que desciam calmamente
Ao longe seus cabelos sumiam pouco a pouco
Era como a morte me alcançando
Lentamente...
Caminhei em direção a noite que chegava
Agora já não tem mais volta
Nossa história virou a página
Folhas de outono caiam sobre o chão
Mas já era inverno em mim
As palavras gelando o coração
Teu beijo seco mostrando a verdade
O silencio do vento soprando
Seus passos ao longe
E meus olhos marejando
Minhas mãos agora sozinhas e escondidas
Olhei o céu e vi que o sol ainda brilhava
A boca salgou com as lágrimas que desciam calmamente
Ao longe seus cabelos sumiam pouco a pouco
Era como a morte me alcançando
Lentamente...
Caminhei em direção a noite que chegava
Agora já não tem mais volta
Nossa história virou a página
sexta-feira, 18 de julho de 2008
LUA DE MEL
Sobre flores e vinho tinto eu te amei
Mordi-lhe os lábios vermelhos
Unhas cravadas
Dentes cerrados
Mãos apertadas
Você foi conquista de uma noite
Rolamos e enrolamos
Em minha alma foi pernoite
Entre flores e vinho tinto
Te comi
Primeiro os seios endurecidos
Depois os bicos pra mim
Oferecidos
Com a língua marota eu desci
Por entre pintas do seu corpo
Eu quase me perdi
Deitamos entre as pétalas
Te pintei de vermelho tinto
Alcancei teu ápice em transe
Foi puro instinto
Amor com sexo
Flores com vinho tinto
Assim somos
Eu e você
Nesse eterno labirinto
Mordi-lhe os lábios vermelhos
Unhas cravadas
Dentes cerrados
Mãos apertadas
Você foi conquista de uma noite
Rolamos e enrolamos
Em minha alma foi pernoite
Entre flores e vinho tinto
Te comi
Primeiro os seios endurecidos
Depois os bicos pra mim
Oferecidos
Com a língua marota eu desci
Por entre pintas do seu corpo
Eu quase me perdi
Deitamos entre as pétalas
Te pintei de vermelho tinto
Alcancei teu ápice em transe
Foi puro instinto
Amor com sexo
Flores com vinho tinto
Assim somos
Eu e você
Nesse eterno labirinto
TEMPO DE AMAR
Eu já ouvi “eu te amo”
E já disse também
Amor é sentir falta
É sentir que o coração bate diferente
Amor é melodia ao longe
Feito som de flauta
Pra saber que ama basta deitar
Abraçar o travesseiro
Rolar de um lado a outro
Buscando do parceiro o cheiro
Amor é comprar ingresso pra dois no cinema
Mesmo estando sozinho
Comprar combo de pipoca duplo
Amor é renovar roupas
Amor é despir
E pele a pele sentir
Amor é manchar a camisa de lágrimas recolhidas
Amor é lavar a roupa suja junto
Saber que a demora nunca é definitiva
Amor é solidão
Mesmo que em meio a multidão
Amor é dizer ”amo você “
Ou não dizer nunca e provar com gestos
Amor é linguagem surda e muda
Não precisa de adjetivos
Pra amar não é preciso motivos
Amor é junção do sol com a lua
Paixão é o eclipse dos dois
Amor é rio que deságua no mar
E o efeito dele é oceano
Amor é a voz que fala ao coração
Primeiro feito brisa
Depois como vento
Amor é furacão
A paixão queima
É desejo constante
Mas vem com o tempo a amor
Feito atenuante
Amor é equilíbrio das almas
Amor são palavras soltas no tempo
E dispersadas ao vento
Amor é...
Apenas amar
E já disse também
Amor é sentir falta
É sentir que o coração bate diferente
Amor é melodia ao longe
Feito som de flauta
Pra saber que ama basta deitar
Abraçar o travesseiro
Rolar de um lado a outro
Buscando do parceiro o cheiro
Amor é comprar ingresso pra dois no cinema
Mesmo estando sozinho
Comprar combo de pipoca duplo
Amor é renovar roupas
Amor é despir
E pele a pele sentir
Amor é manchar a camisa de lágrimas recolhidas
Amor é lavar a roupa suja junto
Saber que a demora nunca é definitiva
Amor é solidão
Mesmo que em meio a multidão
Amor é dizer ”amo você “
Ou não dizer nunca e provar com gestos
Amor é linguagem surda e muda
Não precisa de adjetivos
Pra amar não é preciso motivos
Amor é junção do sol com a lua
Paixão é o eclipse dos dois
Amor é rio que deságua no mar
E o efeito dele é oceano
Amor é a voz que fala ao coração
Primeiro feito brisa
Depois como vento
Amor é furacão
A paixão queima
É desejo constante
Mas vem com o tempo a amor
Feito atenuante
Amor é equilíbrio das almas
Amor são palavras soltas no tempo
E dispersadas ao vento
Amor é...
Apenas amar
terça-feira, 15 de julho de 2008
CÁLICE DE SANGUE
Lágrimas
Que vertem sem fim
Inundam a alma
Esgotam lamurias e retornam
Pra mim
Lágrimas
Que feito fantasmas
Perturbam a noite
Escurecem meus olhos
Ditam os pesadelos um a um
Lágrimas
Insones e mal amadas
Pingam em gotas vermelhas
Como Cálice de sangue tinto
Enchendo meu peito
São reflexos da dor que sinto
Lágrimas
Encontro das águas
Demônios elementais
Prova de amor e dor
Lembrança de muitos que tais
Mas se o que resta na madrugada fria
São cálices de sangue
Vou sorver o que de mim verte
Quem sabe repousando num balcão
Feito um pobre marionete
Que vertem sem fim
Inundam a alma
Esgotam lamurias e retornam
Pra mim
Lágrimas
Que feito fantasmas
Perturbam a noite
Escurecem meus olhos
Ditam os pesadelos um a um
Lágrimas
Insones e mal amadas
Pingam em gotas vermelhas
Como Cálice de sangue tinto
Enchendo meu peito
São reflexos da dor que sinto
Lágrimas
Encontro das águas
Demônios elementais
Prova de amor e dor
Lembrança de muitos que tais
Mas se o que resta na madrugada fria
São cálices de sangue
Vou sorver o que de mim verte
Quem sabe repousando num balcão
Feito um pobre marionete
sexta-feira, 11 de julho de 2008
LUA NUA
Ela veio sozinha
Invadindo a noite fria
Soberana em seu vestido branco
Rainha dos meus sonhos
Demônio pecador
Santa dos poetas
Junção perfeita entre Deus e o diabo
Veio e por mim
Ficou !
Despia-se em fases
Numa esplêndida tortura carnal
Tirou minha inocência
Ensinando o amor com indecência
Alterou meus apelos
E com beijos arrepiou os pelos
Volte sempre lua
Volte linda
Mas volte nua
Invadindo a noite fria
Soberana em seu vestido branco
Rainha dos meus sonhos
Demônio pecador
Santa dos poetas
Junção perfeita entre Deus e o diabo
Veio e por mim
Ficou !
Despia-se em fases
Numa esplêndida tortura carnal
Tirou minha inocência
Ensinando o amor com indecência
Alterou meus apelos
E com beijos arrepiou os pelos
Volte sempre lua
Volte linda
Mas volte nua
terça-feira, 8 de julho de 2008
EGO
Eu sou um pouco bom
E um pouco mal
Sou metade pureza
E metade incerteza
Eu sou meio desligado
E em muito alterado
Eu sou uma parte de dúvida
E um aparte apaixonado
Eu sou um tanto assim de amor
Sou um cadim de dor
Sou mundo da lua
E sou noite crua
Sou retalho completo
Da beleza nua
Eu sou metade de qualquer coisa
E complemento de coisa alguma
Eu sou homem e mulher na madrugada
Sou grito doente de uma alma calada
Eu sou puro ego
Sou um disfarce
Sou a bengala do pobre cego
Eu sou o que tentamos ser
Sou a esperança ao nascer
E a certeza do vazio quando morrer !
E um pouco mal
Sou metade pureza
E metade incerteza
Eu sou meio desligado
E em muito alterado
Eu sou uma parte de dúvida
E um aparte apaixonado
Eu sou um tanto assim de amor
Sou um cadim de dor
Sou mundo da lua
E sou noite crua
Sou retalho completo
Da beleza nua
Eu sou metade de qualquer coisa
E complemento de coisa alguma
Eu sou homem e mulher na madrugada
Sou grito doente de uma alma calada
Eu sou puro ego
Sou um disfarce
Sou a bengala do pobre cego
Eu sou o que tentamos ser
Sou a esperança ao nascer
E a certeza do vazio quando morrer !
quinta-feira, 3 de julho de 2008
ALMA
Eu sou feito de luz e calor intenso
E mesmo que não se apague o tempo
Dói em mim a ausência de sentimento
Eu sou fruto de bem fazeres de uma vida
Sou descoberta
E feridas escarnecidas
Sou alquimia de muitas almas
Misto de sentimentos engrandecidos
E ódios ressentidos
Sou peça única de um universo só
Mistério do criador
Enigma sem resposta
Essência de um pensador
Sou uma de várias estrelas
Sou muita chama de um sol apenas
Eu vivo o bem e o mal em si mesmo
Sou mistura do mar com sal
Sou rio de água doce
Eu sou o presente do amado
E o embrulho jogado ao lado
Sou o tempo
Sou homem
Sou Deus
E os dois á todo momento !
Eu sou o que é você
E sou o que tiver que ser...
NOSSAS MUITAS OU POUCAS SUTILEZAS
Você já se perguntou por que os homens sabem cozinhar bem quando querem, mas não sabem limpar uma cozinha ?
Pelo mesmo motivo que a mulher, embora injustamente qualificada ( má qualificada ) de barbeira provoca menos acidentes no transito.
SUTILEZA !
Essa é a palavra que separa homens de mulheres .
Mas como qualquer assunto que refere-se a essa inútil mas divertida guerra de sexos gera polemicas, vamos listar aqui alguns exemplos :
Já perceberam como hoje em dia as indústrias de alimentos preocupam-se com a embalagem ?
São inúmeros potinhos e pacotinhos muito bem decorados e repletos de cores. Por acaso alguém em sã consciência acredita que homem percebe esses detalhes ?
Homem é quase um cão daltônico quando se fala em harmonia e elegância .
E as novas soluções para se abrir tais embalágens ?
Risquinhos serrilhados, dentes plásticos com fitinhas que basta serem puxadas...
Pra quê ? para os homens terem a vida facilitada ? Não amigos. Isso é um reconhecimento á dedicação feminina á arte da sutileza. Homens ainda preferem a ponta de uma faca pra furar ou as mãos dantescas pra rasgar esses infames saquinhos.
E os mais recentes utensílios de cozinha ? panelas com super – hiper – mega – aderência... fornos que apitam com a comida pronta, fritadeiras elétricas e sem fumaça e etc .
Produtos perfeitos para uma mulher conseguir se manter linda ao seu marido, aquele troglodita que ainda sonha com o velho e bom churrasco gordurento ou até mesmo a panela de ferro encardindo a cozinha de fumaça de bife !
Homem pode sim cozinhar bem se quiser . Mas não exija dele nada além de uma simples lavadinha de mãos .
E os carros de hoje ?
Luz no quebra - sol. É pra homens ?
Aliás, algum homem sabe ao certo pra quê serve um quebra - sol ? Eu explico.
Quebra- sol serve pra alojar um pequeno espelho com luz. Isso facilita a linda boca feminina na hora de delinear o batom.
Atualmente temos ar condicionado que projeta a temperatura externa. Isso para a mulher ao sair do veículo não sentir-se na Groelândia ou ver sua maquiagem e chapinha simplesmente derreter no verão. Quanto ao homem...
Esse ainda prefere o vidro aberto e o braço de fora pra xingar o outro idiota como ele que faça algo no transito que ou ele não concorda, ou gostaria de fazer também. SUTILEZA !
Essa é nossa diferença. Nem inteligência ou sentimentalismos...
Apenas um palavra nos difere .
E eu, como homem que sou, sujeito a troglodiçes e afoitamentos conclamo a todos da minha raça a continuarmos assim .
As sutilezas são delas, a falta de jeito, nossa.
Não se mexe em time que está ganhando !
Pelo mesmo motivo que a mulher, embora injustamente qualificada ( má qualificada ) de barbeira provoca menos acidentes no transito.
SUTILEZA !
Essa é a palavra que separa homens de mulheres .
Mas como qualquer assunto que refere-se a essa inútil mas divertida guerra de sexos gera polemicas, vamos listar aqui alguns exemplos :
Já perceberam como hoje em dia as indústrias de alimentos preocupam-se com a embalagem ?
São inúmeros potinhos e pacotinhos muito bem decorados e repletos de cores. Por acaso alguém em sã consciência acredita que homem percebe esses detalhes ?
Homem é quase um cão daltônico quando se fala em harmonia e elegância .
E as novas soluções para se abrir tais embalágens ?
Risquinhos serrilhados, dentes plásticos com fitinhas que basta serem puxadas...
Pra quê ? para os homens terem a vida facilitada ? Não amigos. Isso é um reconhecimento á dedicação feminina á arte da sutileza. Homens ainda preferem a ponta de uma faca pra furar ou as mãos dantescas pra rasgar esses infames saquinhos.
E os mais recentes utensílios de cozinha ? panelas com super – hiper – mega – aderência... fornos que apitam com a comida pronta, fritadeiras elétricas e sem fumaça e etc .
Produtos perfeitos para uma mulher conseguir se manter linda ao seu marido, aquele troglodita que ainda sonha com o velho e bom churrasco gordurento ou até mesmo a panela de ferro encardindo a cozinha de fumaça de bife !
Homem pode sim cozinhar bem se quiser . Mas não exija dele nada além de uma simples lavadinha de mãos .
E os carros de hoje ?
Luz no quebra - sol. É pra homens ?
Aliás, algum homem sabe ao certo pra quê serve um quebra - sol ? Eu explico.
Quebra- sol serve pra alojar um pequeno espelho com luz. Isso facilita a linda boca feminina na hora de delinear o batom.
Atualmente temos ar condicionado que projeta a temperatura externa. Isso para a mulher ao sair do veículo não sentir-se na Groelândia ou ver sua maquiagem e chapinha simplesmente derreter no verão. Quanto ao homem...
Esse ainda prefere o vidro aberto e o braço de fora pra xingar o outro idiota como ele que faça algo no transito que ou ele não concorda, ou gostaria de fazer também. SUTILEZA !
Essa é nossa diferença. Nem inteligência ou sentimentalismos...
Apenas um palavra nos difere .
E eu, como homem que sou, sujeito a troglodiçes e afoitamentos conclamo a todos da minha raça a continuarmos assim .
As sutilezas são delas, a falta de jeito, nossa.
Não se mexe em time que está ganhando !
quarta-feira, 2 de julho de 2008
NOITE ADENTRO
Fechei a janela e tranquei fora a vida
Virei sombra sem luz
Reflexo sem espelho
Lembrança pálida e sofrida
Fechei a janela pra chorar na escuridão
Afogar as lágrimas num colchão
E perder a vida de grão em grão
Fechei a janela pra fugir do mundo
Apaguei a luz no coraçao
E tropeçando por entre cantos e recantos
Mergulhei em minha alma até o fundo
fechei mesmo a janela
foi só assim que não pulei
Mas o dia nasceu
Iluminando em frestas de madeira
Minha escuridão
Agora vou abrir a porta e viver a vida feito alforria
No lugar de cantos e recantos
Quero encantos
Secarei as lágrimas do colchão
Pra manchar nele marcas de paixão
Hoje sei que se a vida é feita de portas e janelas
Sou feito de amor e dor
Igualmente revividos
Virei sombra sem luz
Reflexo sem espelho
Lembrança pálida e sofrida
Fechei a janela pra chorar na escuridão
Afogar as lágrimas num colchão
E perder a vida de grão em grão
Fechei a janela pra fugir do mundo
Apaguei a luz no coraçao
E tropeçando por entre cantos e recantos
Mergulhei em minha alma até o fundo
fechei mesmo a janela
foi só assim que não pulei
Mas o dia nasceu
Iluminando em frestas de madeira
Minha escuridão
Agora vou abrir a porta e viver a vida feito alforria
No lugar de cantos e recantos
Quero encantos
Secarei as lágrimas do colchão
Pra manchar nele marcas de paixão
Hoje sei que se a vida é feita de portas e janelas
Sou feito de amor e dor
Igualmente revividos
sexta-feira, 20 de junho de 2008
FACE OCULTA
Nem vou chorar uma vida inteira
E nem sorrir também
Nem vou amar uma noite toda
E nem dormir uma eternidade
Eu não pretendo ser Rei
Mas não viverei como plebeu pelo resto dos dias
Sempre existe outra opção !
Se gosto do arco-íris ou prefiro o preto e branco é apenas convenção .
Não quero a vida em dogmas.
Prefiro doses exageradas de experiências que a frustração da rotina.
Se sou homem, mulher...
Ou a soma dos dois , eu não sei.
Mas sei que sou humano, como humano qualquer
Sou cidadão nesse mundo, e quero meu lugar nele.
Mesmo que seja um kitnet .
Se teu espaço é formado de sonhos e decepções, deixe que o meu também o seja.
Tenho direito ao amor e tenho direito de não querer vive-lo.
Nosso pequeno mundo é grande por nossas diferenças.
Somos feitos de ternos e jeans
Feios e belos
Ricos e pobres
Há os que mandam e os que obedecem
Há os que pensam mandar e os que fingem obedecer
Existem filósofos buscando verdades absolutas
E nós, os poetas criando sempre novas verdades .
Por tudo isso nossa terra é redonda.
Fosse quadrada e sempre estaríamos a beira do abismo !
quarta-feira, 18 de junho de 2008
LEITO SECO
Escrevi uma carta que se perdeu no mar
Nela declarei a vida em palavras sentidas
Declamei poemas e chorei dilemas
Fiz juras de amor...
enquanto molhava a folha com lágrimas de dor
dei ao mar o que é do mar
minha vida em folhas
minha alma em acentos e preâmbulos
fiz do amor um traço esferográfico
hoje de cara ao vento
sou reles desalento olhando o mar
tentando em vão voltar a amar
é minha triste moral da estória
“acumulei sentimentos e esqueci de contar “
Nela declarei a vida em palavras sentidas
Declamei poemas e chorei dilemas
Fiz juras de amor...
enquanto molhava a folha com lágrimas de dor
dei ao mar o que é do mar
minha vida em folhas
minha alma em acentos e preâmbulos
fiz do amor um traço esferográfico
hoje de cara ao vento
sou reles desalento olhando o mar
tentando em vão voltar a amar
é minha triste moral da estória
“acumulei sentimentos e esqueci de contar “
terça-feira, 10 de junho de 2008
CAIXINHA DE MÚSICA
Vem bailarina
Vem dançar
Já passou da meia-noite
É hora de brinquedo acordar
Vou dar corda na caixinha
Pra você em mim fazer rodinha
Vem bater o coração do soldadinho
Que de chumbo ou não
Está quietinho
Baila sobre mim
Suave
Sensível
Sublime
Baila em mim
Sedenta
Frenética
Sem fim
Vem bailarina
Vem me amar
Já passou da meia noite
Logo menino vai acordar !
Vem dançar
Já passou da meia-noite
É hora de brinquedo acordar
Vou dar corda na caixinha
Pra você em mim fazer rodinha
Vem bater o coração do soldadinho
Que de chumbo ou não
Está quietinho
Baila sobre mim
Suave
Sensível
Sublime
Baila em mim
Sedenta
Frenética
Sem fim
Vem bailarina
Vem me amar
Já passou da meia noite
Logo menino vai acordar !
PEDRA
Tropecei numa pedra
Uma pequena pedra
Uma dor enorme
Sangramento
Machucado disforme
Tropecei numa pedra e sobre ela descansei
Limpei lágrimas e suor
Refleti a vida
E tudo ao meu redor
Tropecei numa pedra
E sobre ela descansei e rezei
Bati a poeira das roupas
E caminhei
Tropecei numa pedra
Doeu
Sangrou
Mas passou !
Uma pequena pedra
Uma dor enorme
Sangramento
Machucado disforme
Tropecei numa pedra e sobre ela descansei
Limpei lágrimas e suor
Refleti a vida
E tudo ao meu redor
Tropecei numa pedra
E sobre ela descansei e rezei
Bati a poeira das roupas
E caminhei
Tropecei numa pedra
Doeu
Sangrou
Mas passou !
AMBIÇÃO
Já fui feliz um dia
Provei do amor e lambuzei-me
Dias floridos e repletos de alegria
Acordava sempre com carinhos e malicias
Em meu rosto estalavam beijos
E meus olhos refletiam a paz da alma
Mas sentei uma tarde na poltrona do passado
E por ela adormeci
Os carinhos que antes me despertavam agora me faziam reclamar
Dos beijos estalados eu só fazia desdenhar
Meus olhos já não viam a alma quieta
E só queriam o futuro deslumbrar
Dias floridos já nada valiam
Eu queria sucesso
Reconhecimento
Pra quê tesão ?
Muito melhor buscar um milhão !
Mas hoje, perdido nas areias do tempo
Foi-se embora um coração
Tenho carros
Tenho casas
Me consagrei e juntei meu milhão
Só não tenho mais um beijo
Um simples beijo matinal
Tatuando minha face de paixão
quinta-feira, 5 de junho de 2008
CIRANDINHA
Feito ciranda ou jogo de gira
Nosso amor virou a página
Não sobrou resumo á contar
Ou nem mesmo uma resenha que se lembrar
Amanha já não terei seus olhos pra descansar
Nem as lágrimas que um dia me fizeram voltar
Já até me sinto cão sem dono
Em busca de alguém pra aconchegar
Mas se mereço um pedido:
Pare !
Antes de seguir, olhe pra trás
Não me diga adeus
Prefiro um até breve entre um sorriso fugaz
Afinal nas esquinas da vida
Ainda existem muitos cafés pra gente sentar
E relembrar !
Nosso amor virou a página
Não sobrou resumo á contar
Ou nem mesmo uma resenha que se lembrar
Amanha já não terei seus olhos pra descansar
Nem as lágrimas que um dia me fizeram voltar
Já até me sinto cão sem dono
Em busca de alguém pra aconchegar
Mas se mereço um pedido:
Pare !
Antes de seguir, olhe pra trás
Não me diga adeus
Prefiro um até breve entre um sorriso fugaz
Afinal nas esquinas da vida
Ainda existem muitos cafés pra gente sentar
E relembrar !
PEQUENAS LEMBRANÇAS
Eu só queria tua boca em mim
Em passeios frenéticos e famintos
Por uma noite sem fim
Eu queria suas mãos a bagunçar meus cabelos
Sem trégua e sem dó
Uma trama de risos e rosas
Por sobre o cetim
Só queira seus olhos vidrados
Feito faíscas de uma eterna tempestade
Olhos famintos
Olhos de instinto
Insensatos e insanos olhos
Olhos malvados
Eu só queria você pra mim
Eu só queria
Mas eu ...
Só !
Em passeios frenéticos e famintos
Por uma noite sem fim
Eu queria suas mãos a bagunçar meus cabelos
Sem trégua e sem dó
Uma trama de risos e rosas
Por sobre o cetim
Só queira seus olhos vidrados
Feito faíscas de uma eterna tempestade
Olhos famintos
Olhos de instinto
Insensatos e insanos olhos
Olhos malvados
Eu só queria você pra mim
Eu só queria
Mas eu ...
Só !
POEMA DE GIZ
Sou apenas um poeta sem eira nem beira
Retratando o mundo com palavras
Que insensatas ou escrotas
São verdades escritas em giz
Sou poeta e sigo a rua
Pedindo risos e lágrimas
Vivendo de almas desfeitas
E refeitas também
Sou apenas um poeta
Juntando as letras do mundo
Profundo mundo imundo
Sujeito-me a rimas e quadras
Cordel de um mesmo saco
A essência dos apaixonados
E dos muito mal amados
Sou poeta dos bordéis
Minhas palavras ecoam o vazio da imensidão
Sou disco riscado dos motéis
Um poeta
Apenas mais um
Que escreve pra ele e pra mim
Escreve pra você
E pra ninguém também
Retratando o mundo com palavras
Que insensatas ou escrotas
São verdades escritas em giz
Sou poeta e sigo a rua
Pedindo risos e lágrimas
Vivendo de almas desfeitas
E refeitas também
Sou apenas um poeta
Juntando as letras do mundo
Profundo mundo imundo
Sujeito-me a rimas e quadras
Cordel de um mesmo saco
A essência dos apaixonados
E dos muito mal amados
Sou poeta dos bordéis
Minhas palavras ecoam o vazio da imensidão
Sou disco riscado dos motéis
Um poeta
Apenas mais um
Que escreve pra ele e pra mim
Escreve pra você
E pra ninguém também
segunda-feira, 2 de junho de 2008
DESATINO
Foi sublime !
Te encontrar assim
Feito tempestade repentina
Um olhar que desconserta e desatina
Foi encanto !
O coração bateu em cada passo teu
Sentir que o vazio da alma cessou
Feito um acalanto
Foi divino !
Cada ato de conquista
Como novela das oito
Um sonho
Um desejo
Amor á primeira vista
Foi repentino !
Mãos e bocas sem fim
Um rosto corado e o coração descompassado
Foi ato de Deus !
Um querer fugir que não dá
Um querer negar
Enquanto a pele louca para amar
Foi sonho !
Mas quem quer acordar ?
Te encontrar assim
Feito tempestade repentina
Um olhar que desconserta e desatina
Foi encanto !
O coração bateu em cada passo teu
Sentir que o vazio da alma cessou
Feito um acalanto
Foi divino !
Cada ato de conquista
Como novela das oito
Um sonho
Um desejo
Amor á primeira vista
Foi repentino !
Mãos e bocas sem fim
Um rosto corado e o coração descompassado
Foi ato de Deus !
Um querer fugir que não dá
Um querer negar
Enquanto a pele louca para amar
Foi sonho !
Mas quem quer acordar ?
sexta-feira, 30 de maio de 2008
HOMEM NÚ
Me despi pra amar !
Deixei cair a camisa
Botão a botão
O barulho do zíper denunciando meu jeans
Querendo ir ao chão
Me virei pra você
E com malicia
Baixei também a ultima peça
Meu corpo suado e malhado
Denunciava o amor
Por você desvendei meus olhos nus
Sem receio e sem medo
E posto que com olhos desvendados
Eu me despi pra amar
Seja na cama ou no chão
Quero você em mim
Vestindo-me de paixão !
Deixei cair a camisa
Botão a botão
O barulho do zíper denunciando meu jeans
Querendo ir ao chão
Me virei pra você
E com malicia
Baixei também a ultima peça
Meu corpo suado e malhado
Denunciava o amor
Por você desvendei meus olhos nus
Sem receio e sem medo
E posto que com olhos desvendados
Eu me despi pra amar
Seja na cama ou no chão
Quero você em mim
Vestindo-me de paixão !
quinta-feira, 29 de maio de 2008
DOIS CORPOS
Hoje quero um gole do teu prazer
Me fartar em seios fartos
Mais que beijar
Derramar em seus lábios minha paixão
Isso é delírio indecente
Desejo aflito
Alma de corpo
Corpo de alma
Hoje vou seduzir você
Roubar-te o prazer
E fazer por mim
Enlouquecer
Quero meu momento entre as pernas
Meu cálice de amor
Meu santo graal passional
Você hoje é carne
E eu sou leão
Hoje...
Teu corpo é meu
E meu corpo é seu !
Me fartar em seios fartos
Mais que beijar
Derramar em seus lábios minha paixão
Isso é delírio indecente
Desejo aflito
Alma de corpo
Corpo de alma
Hoje vou seduzir você
Roubar-te o prazer
E fazer por mim
Enlouquecer
Quero meu momento entre as pernas
Meu cálice de amor
Meu santo graal passional
Você hoje é carne
E eu sou leão
Hoje...
Teu corpo é meu
E meu corpo é seu !
POR AMOR
Por um amor já fiz um tanto
Pintei um jardim de cores repleto
Mesmo em ruas de concreto
Vesti-me de palhaço pra chorar na multidão
Sem ligar que apenas eu
Estava perdido em seu salão
Por um amor fiz coisas que nunca sonhei
Andei de botas sete léguas
Bicicleta e até motoneta
Mas por conta do destino
Nunca te encontrei
Foi tudo por um amor
E dentre os vários que busquei
Nunca um deles me disse:
Até que enfim, eu te achei !
Pintei um jardim de cores repleto
Mesmo em ruas de concreto
Vesti-me de palhaço pra chorar na multidão
Sem ligar que apenas eu
Estava perdido em seu salão
Por um amor fiz coisas que nunca sonhei
Andei de botas sete léguas
Bicicleta e até motoneta
Mas por conta do destino
Nunca te encontrei
Foi tudo por um amor
E dentre os vários que busquei
Nunca um deles me disse:
Até que enfim, eu te achei !
JANELAS
Em minha janela respinga a chuva
Que feito alma nua vem me lavar
Em minha janela respinga a chuva
Que molha a rua a me levar
Em minha janela também brilha o sol
Que feito o fogo vem me esquentar
Em minha janela também brilha o sol
Queimando a rua pra eu não voltar
Em minha janela encontro a lua
Que sempre insone vem me acordar
Em minha janela encontro a lua
Que mais uma noite me faz sonhar
quarta-feira, 28 de maio de 2008
FETICHE
E sobre alcinhas e trufas
Busquei você !
Querendo paixão e luxuria
Perdido em pensamentos humanos
Num misto de tesão e fúria
Foi num sabor feito trufa que provei teus beijos
E com mãos tresloucas em sua blusa desmanchei seus laços
Nosso caso cresceu entre calças perdidas
Travesseiros mordidos de batom
E alcinhas vencidas
Mas preciso mais que paixão
Quero amor e volúpia
Entrega sem regra
Quero apego
Aconchego
Sossego e também desassossego
Vou buscar mais da vida
Chega só de trufas
Ou alcinhas caídas
Quero também uma cinta-liga !
terça-feira, 22 de abril de 2008
REMINISCENCIAS ALCOÓLICAS
A vida em um cálice de champagne
Deve ser sorvida em doses
Um simples ato de derramar aos poucos sentindo gelar as mãos
Ou borbulhas refrescando a face
O liquido, que devidamente degustado
Servirá pra deixar os lábios com gosto de beijo da mulher amada
A língua amortecendo as gotas que esparramam-se pela boca
Feito dias de conquistas
Deixe-se sentir a magia dos sabores
Como quem percebe o que na vida existe
Ouça antes de tudo a rolha explodindo
E lembre das infinitas gargalhadas que já deu
E nem por um momento pense que não terás ainda mais e mais
Pois a vida, assim como um bom champagne
Por mais que acabe um dia
Se bem consumida
Jamais será esquecida !
Deve ser sorvida em doses
Um simples ato de derramar aos poucos sentindo gelar as mãos
Ou borbulhas refrescando a face
O liquido, que devidamente degustado
Servirá pra deixar os lábios com gosto de beijo da mulher amada
A língua amortecendo as gotas que esparramam-se pela boca
Feito dias de conquistas
Deixe-se sentir a magia dos sabores
Como quem percebe o que na vida existe
Ouça antes de tudo a rolha explodindo
E lembre das infinitas gargalhadas que já deu
E nem por um momento pense que não terás ainda mais e mais
Pois a vida, assim como um bom champagne
Por mais que acabe um dia
Se bem consumida
Jamais será esquecida !
LÁPIDE
Um dia vou dobrar a esquina da morte
E nesse momento irei tranqüilo...
Sei que mais cedo ou mais tarde te encontro no meio do quarteirão !
E nesse momento irei tranqüilo...
Sei que mais cedo ou mais tarde te encontro no meio do quarteirão !
terça-feira, 15 de abril de 2008
E POR FALAR EM SAUDADE...
Saudade é o ar que respiro.
O vento que bagunça meu cabelo
Saudade é a lágrima que corre em meu rosto
E salga os beijos que não dei...
O vento que bagunça meu cabelo
Saudade é a lágrima que corre em meu rosto
E salga os beijos que não dei...
ESCOLHAS
Escolhi ser poeta !
Ainda prefiro fabricar sonhos, mesmo que tijolos e argamassa
Sejam feitos de lágrimas e dor...
Ainda prefiro fabricar sonhos, mesmo que tijolos e argamassa
Sejam feitos de lágrimas e dor...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
BEIJE-ME
Já me perdi num beijo
Mas não apenas em seu sabor
Nem nas línguas que rolavam
Me perdi foi mesmo em seu calor
Era como se uma chama queimasse o peito
Que arfante gritava de paixão
Ainda que um tanto sem jeito !
Depois do encontro das bocas
Querer você foi fácil
Indescritível desejo
Vicio de uma noite sem fim
Eterna luz de sedução
Boca que agora dona da minha boca
Canta e encanta pra mim !
Me perdi foi mesmo em seu calor
Era como se uma chama queimasse o peito
Que arfante gritava de paixão
Ainda que um tanto sem jeito !
Depois do encontro das bocas
Querer você foi fácil
Indescritível desejo
Vicio de uma noite sem fim
Eterna luz de sedução
Boca que agora dona da minha boca
Canta e encanta pra mim !
sexta-feira, 4 de abril de 2008
SOBRE ENGRAXATES E OFFICE - BOYS
Nessa minha miserável vida acordava todos os dias as 5 da manhã e dava inicio a minha rotina básica de todos os dias...
Bocejo
Banheiro
Chacoalhadinha
Pasta, escova e escovada no cabelo.
Jeans, camiseta e tênis . Beijo na mãe e... fui.
Mais um dia longo e entediante de trabalho. Bobo , sem emoção nem expectativa.
Meu serviço ? carimbar.
Pilhas de papel que nem sabia o conteúdo. Mas também, pra quê saber ?Isso não mudaria minha vida em nada. Da minha janela avistava a praça da Sé inteira e sempre via um garoto , um engraxate , ficava pensando que na verdade o homem tem a capacidade de piorar as coisas infinitamente. Confesso que esse tipo de pensamento me fazia encarar esse trabalho com mais paciência .
Mas um dia ao olhar pela janela não encontrei o garoto de sempre, apenas um novo engraxate em seu lugar . Passei dias olhando e procurando mas o menino não
voltava, então decidi abrir mão de minha velha marmita e desci até a praça pra descobrir o que havia acontecido.
Aproximei-me do outro garoto e perguntei sobre o antigo engraxate. O menino com olhar triste me disse :
- tio, ele é meu irmão mas a policia pegou ele roubando aquele mercadinho ali ó...
E apontou o dedo para um pequeno canto feito de varejinho.
Perguntei onde ele estava e o garoto começou a chorar dizendo que seu irmão estava na FEBEM e ficaria lá até o final do ano .Mas os trocados que ganhava fazia falta em casa, então ele deixou a escola e veio no lugar do irmão.
De coração partido e sem um puto no bolso fui embora decidido a fazer algo.
No final do meu expediente procurei meu chefe e pedi um vale.
Ele meio a contra gosto ( como se o dinheiro não fosse direito meu ) entregou-me 50 reais e ainda me mandou ter mais juízo na vida. Pensei comigo: grande idiota...
Na manhã seguinte parei num camelô e comprei um par de sapatos desses bem baratinhos e ao encontrar a primeira poça suja afoguei meus pés nela.
Trabalhei a manhã toda com meus sapatos sujos e fedidos, porém feliz, pois assim que o almoço chegou corri na praça e entreguei meus sapatos vagabundos aos cuidados daquele menino, que contente , transformou aquele lixo num belo par de calçados.
Percebi que como eu dependo que as pessoas tenham papéis pra carimbar, um engraxate não precisa de esmolas ou desprezo, apenas sapatos sujos pra trabalhar.
E assim caminha o mundo, basta que cada um faça sua parte !
_______________________________________
PS : sobre o garoto preso, saiu depois de muito sofrer, criou coragem,mudou e hoje trabalha como office-boy num escritório de contabilidade. Pretende estudar e virar contador um dia.vai longe esse menino !
FIM
Bocejo
Banheiro
Chacoalhadinha
Pasta, escova e escovada no cabelo.
Jeans, camiseta e tênis . Beijo na mãe e... fui.
Mais um dia longo e entediante de trabalho. Bobo , sem emoção nem expectativa.
Meu serviço ? carimbar.
Pilhas de papel que nem sabia o conteúdo. Mas também, pra quê saber ?Isso não mudaria minha vida em nada. Da minha janela avistava a praça da Sé inteira e sempre via um garoto , um engraxate , ficava pensando que na verdade o homem tem a capacidade de piorar as coisas infinitamente. Confesso que esse tipo de pensamento me fazia encarar esse trabalho com mais paciência .
Mas um dia ao olhar pela janela não encontrei o garoto de sempre, apenas um novo engraxate em seu lugar . Passei dias olhando e procurando mas o menino não
voltava, então decidi abrir mão de minha velha marmita e desci até a praça pra descobrir o que havia acontecido.
Aproximei-me do outro garoto e perguntei sobre o antigo engraxate. O menino com olhar triste me disse :
- tio, ele é meu irmão mas a policia pegou ele roubando aquele mercadinho ali ó...
E apontou o dedo para um pequeno canto feito de varejinho.
Perguntei onde ele estava e o garoto começou a chorar dizendo que seu irmão estava na FEBEM e ficaria lá até o final do ano .Mas os trocados que ganhava fazia falta em casa, então ele deixou a escola e veio no lugar do irmão.
De coração partido e sem um puto no bolso fui embora decidido a fazer algo.
No final do meu expediente procurei meu chefe e pedi um vale.
Ele meio a contra gosto ( como se o dinheiro não fosse direito meu ) entregou-me 50 reais e ainda me mandou ter mais juízo na vida. Pensei comigo: grande idiota...
Na manhã seguinte parei num camelô e comprei um par de sapatos desses bem baratinhos e ao encontrar a primeira poça suja afoguei meus pés nela.
Trabalhei a manhã toda com meus sapatos sujos e fedidos, porém feliz, pois assim que o almoço chegou corri na praça e entreguei meus sapatos vagabundos aos cuidados daquele menino, que contente , transformou aquele lixo num belo par de calçados.
Percebi que como eu dependo que as pessoas tenham papéis pra carimbar, um engraxate não precisa de esmolas ou desprezo, apenas sapatos sujos pra trabalhar.
E assim caminha o mundo, basta que cada um faça sua parte !
_______________________________________
PS : sobre o garoto preso, saiu depois de muito sofrer, criou coragem,mudou e hoje trabalha como office-boy num escritório de contabilidade. Pretende estudar e virar contador um dia.vai longe esse menino !
FIM
QUARTO VAGO
Cobri meu rosto em máscara de cetim
Pra esconder do mundo a mágoa de um amor
Que chegou ao fim...
Pintei meus olhos em grafite
Perpetuando em traços falhos
Um sonho rasgado
Feito colcha de retalhos
Em minhas mãos, que outrora tocaram sua pele
Uma luva escondeu suas impressões forjadas no gozo
De um amor que agora repele
Pelo resto do corpo
Meu velho e surrado jeans escondendo as marcas da paixão
Faltou apenas um par de tênis que também calcei
Antes de pisar o chão
E já borrando a maquiagem de homem macho
Bati a porta atrás de mim
Assim se despeja um coração !
sábado, 29 de março de 2008
COTIDIANO
Saíram os dois de seus lares,
ele de manhã em direção a mais um dia de trabalho
e ela apenas pra mais um passeio na vida.
Numa cidade grande milhões de pessoas saem com os mesmos propósitos todo dia !
Ele,
gerente de banco, estressado e dilapidado pela rotina...
ela, mãe, esposa e ...vazia.
Em seu carro de luxo ela sonhava com príncipes ou gogo boys .
Ele em seu usadinho mas imponente, preso no velho e enjoativo trafego da manhã, imaginava como seria ter nas mãos alguém que pudesse dar-lhe o prazer perdido.
Ela queria mais da vida. Sempre quis !
curiosamente foram para o mesmo lugar no mundo. Um shopping center.
Ele abriu sua agencia como fazia há a 10 anos
e ela queria apenas mais uma lingerie pra sua coleção. Uma maneira de se fazer notar .
Mas naquele dia cruzaram-se disputando a mesma vaga de garagem...
Ele,
já esquecera o cavalheirismo da juventude. Criou-se no mundo competindo e competindo...
Ela,
acostumada a ter tudo nem pensou que poderia ter chego depois .
Brigaram...discutiram e o pior, nem sequer usaram a vaga.
Ele,
imaginou que o dia seria difícil, sabia que quando começava assim nunca terminava bem.
Ela sentiu o de sempre,
que o mundo fora da sua redoma era desprezível.
Ele trabalhou, estafantemente..
Enquanto ela, comprou absurdamente...
O céu enegrecia o fim de tarde e uma torrencial chuva anunciava a chegada da noite.
Ela assustada saiu depressa, queria chegar em casa antes do marido pra provar sua peça intima.
Não havia comprado pra ele. Não !
sentia-se bem e valorizada com roupas assim...
ele,
sem pressa e sem destino certo apenas pegou seu carro e pensou num bar pra se abrigar da chuva que chegava .
No caminho um carro parado no acostamento chamou-lhe a atenção.
Era ela.
A mesma madame da manhã. Pensou em passar direto mas resolver sem razão aparente parar para ajudar.
Ela reconheceu de cara o homem que se aproximava e pensou
“nem gogo boy e nem príncipes ”apenas mais um pobretão !
Por sorte só um pneu furado, ele pensou. Troco e me mando.
Mas não contavam com a chuva.
Bendita chuva que pode lavar almas...
Não havia abrigo e de súbito correram para o mesmo carro velho,
ele por ser dono e ela por puro instinto.
Molhados e sem saber como agir trocaram poucas palavras:
- esse carro não tem ar condicionado ? ela disse.
- não minha senhora, não tem .
- hum...- não precisa me chamar de senhora. Pode me chamar de Si.
- Si ? só isso ?
- sim, só isso.
- pode me chamar de Lu...
A mulher riu.
Rindo olharam-se e perceberam que o mundo deles havia ficado do lado de fora.
De repente ele se sentiu um cafajeste por pensar em ter aquela dama.
Imaginou que talvez uma dama fosse mesmo uma puta na cama.
Ela sentiu que nem todos os príncipes matam um dragão pra salvar sua amada...alguns podem apenas trocar um pneu.
Um beijo mudo selou a fantasia de ambos.
Não existia camas nem castelos, somente um carro velho que balançava frenético, aplacando a sede de dois corpos.
Ela não precisou esperar seu espelho dizer o quanto ficava gostosa em sua nova lingerie.
Experimentou ali mesmo para aquele homem estranho e sem charme, que a afogava em prazer.
Ele não fugiu da suas fantasias naquele dia e colocou em pratica tudo que julgava incapaz de fazer.
Foram felizes enquanto a chuva caiu.
Mas como nem tudo que reluz é ouro,
a chuva parou e trouxe atrás dela a verdade dos dois.
Ele foi embora com as mãos sujas de graxa
e ela voltou pra seu espelho.
Nunca mais se viram.
Mas descobriram juntos que o cotidiano não existe.
Somos nós mesmos que o criamos !
ele de manhã em direção a mais um dia de trabalho
e ela apenas pra mais um passeio na vida.
Numa cidade grande milhões de pessoas saem com os mesmos propósitos todo dia !
Ele,
gerente de banco, estressado e dilapidado pela rotina...
ela, mãe, esposa e ...vazia.
Em seu carro de luxo ela sonhava com príncipes ou gogo boys .
Ele em seu usadinho mas imponente, preso no velho e enjoativo trafego da manhã, imaginava como seria ter nas mãos alguém que pudesse dar-lhe o prazer perdido.
Ela queria mais da vida. Sempre quis !
curiosamente foram para o mesmo lugar no mundo. Um shopping center.
Ele abriu sua agencia como fazia há a 10 anos
e ela queria apenas mais uma lingerie pra sua coleção. Uma maneira de se fazer notar .
Mas naquele dia cruzaram-se disputando a mesma vaga de garagem...
Ele,
já esquecera o cavalheirismo da juventude. Criou-se no mundo competindo e competindo...
Ela,
acostumada a ter tudo nem pensou que poderia ter chego depois .
Brigaram...discutiram e o pior, nem sequer usaram a vaga.
Ele,
imaginou que o dia seria difícil, sabia que quando começava assim nunca terminava bem.
Ela sentiu o de sempre,
que o mundo fora da sua redoma era desprezível.
Ele trabalhou, estafantemente..
Enquanto ela, comprou absurdamente...
O céu enegrecia o fim de tarde e uma torrencial chuva anunciava a chegada da noite.
Ela assustada saiu depressa, queria chegar em casa antes do marido pra provar sua peça intima.
Não havia comprado pra ele. Não !
sentia-se bem e valorizada com roupas assim...
ele,
sem pressa e sem destino certo apenas pegou seu carro e pensou num bar pra se abrigar da chuva que chegava .
No caminho um carro parado no acostamento chamou-lhe a atenção.
Era ela.
A mesma madame da manhã. Pensou em passar direto mas resolver sem razão aparente parar para ajudar.
Ela reconheceu de cara o homem que se aproximava e pensou
“nem gogo boy e nem príncipes ”apenas mais um pobretão !
Por sorte só um pneu furado, ele pensou. Troco e me mando.
Mas não contavam com a chuva.
Bendita chuva que pode lavar almas...
Não havia abrigo e de súbito correram para o mesmo carro velho,
ele por ser dono e ela por puro instinto.
Molhados e sem saber como agir trocaram poucas palavras:
- esse carro não tem ar condicionado ? ela disse.
- não minha senhora, não tem .
- hum...- não precisa me chamar de senhora. Pode me chamar de Si.
- Si ? só isso ?
- sim, só isso.
- pode me chamar de Lu...
A mulher riu.
Rindo olharam-se e perceberam que o mundo deles havia ficado do lado de fora.
De repente ele se sentiu um cafajeste por pensar em ter aquela dama.
Imaginou que talvez uma dama fosse mesmo uma puta na cama.
Ela sentiu que nem todos os príncipes matam um dragão pra salvar sua amada...alguns podem apenas trocar um pneu.
Um beijo mudo selou a fantasia de ambos.
Não existia camas nem castelos, somente um carro velho que balançava frenético, aplacando a sede de dois corpos.
Ela não precisou esperar seu espelho dizer o quanto ficava gostosa em sua nova lingerie.
Experimentou ali mesmo para aquele homem estranho e sem charme, que a afogava em prazer.
Ele não fugiu da suas fantasias naquele dia e colocou em pratica tudo que julgava incapaz de fazer.
Foram felizes enquanto a chuva caiu.
Mas como nem tudo que reluz é ouro,
a chuva parou e trouxe atrás dela a verdade dos dois.
Ele foi embora com as mãos sujas de graxa
e ela voltou pra seu espelho.
Nunca mais se viram.
Mas descobriram juntos que o cotidiano não existe.
Somos nós mesmos que o criamos !
terça-feira, 18 de março de 2008
ASTRONAUTA
Flagrei o sol transando a lua
Num eclipse louco de amor
Lua crua
Feito Deusa
Derrete seu gozo em temporal
Banhando meu rosto que sobra na multidão
Sou poeta da noite em busca de paixão
Deitei sobre o amor do sol com a lua
E a bela e adorada toda nua
Me conquistou
E por te amar assim
Virei parte do universo
Cantando a vida em
Prosa e verso !
Num eclipse louco de amor
Lua crua
Feito Deusa
Derrete seu gozo em temporal
Banhando meu rosto que sobra na multidão
Sou poeta da noite em busca de paixão
Deitei sobre o amor do sol com a lua
E a bela e adorada toda nua
Me conquistou
E por te amar assim
Virei parte do universo
Cantando a vida em
Prosa e verso !
SONHANDO...
Toque-me um pouco antes que amanheça
Quero dizer que te amo mais uma vez
A madrugada já vai e leva com ela meu sonho
Beije-me !
Se o crepúsculo do dia não trouxer você
Então que me traga estrelas pra disfarçar
Minha solidão !
Quero dizer que te amo mais uma vez
A madrugada já vai e leva com ela meu sonho
Beije-me !
Se o crepúsculo do dia não trouxer você
Então que me traga estrelas pra disfarçar
Minha solidão !
GIRAMUNDO
Por vezes em caminhos sem volta
Sentei pra descansar
Sem perceber que em cada parada uma nova trilha se formava
Nunca mais voltei ...
Mas se acaso encontrar-me por aí
Por favor não diga nada
Apenas descanse ao meu lado
Ou me deixe prosseguir...
Sentei pra descansar
Sem perceber que em cada parada uma nova trilha se formava
Nunca mais voltei ...
Mas se acaso encontrar-me por aí
Por favor não diga nada
Apenas descanse ao meu lado
Ou me deixe prosseguir...
CANIBAL !
Devore-me !
Cada centímetro escondido
Quero prazer na carne
Delírio mortal
Salivas esparramadas
Um pecado original
Vem bem perto
Tira tua máscara
De-me um sorriso estampado
E os olhos safados em mim
Devore-me
Feito fruta
Deixe escorrer como néctar
Gota a gota
deslizar e morrer
Hoje apenas me consuma
Sem sobras ou desperdício
Sem dor
E sem culpa alguma
Consuma !
Enquanto minha lança te rasga
Fustiga e castiga
Numa noite sem fim
Hoje sou Deus da luxuria
Meu corpo é um caminho sem volta
E sendo assim
Perca-se em mim !!
Cada centímetro escondido
Quero prazer na carne
Delírio mortal
Salivas esparramadas
Um pecado original
Vem bem perto
Tira tua máscara
De-me um sorriso estampado
E os olhos safados em mim
Devore-me
Feito fruta
Deixe escorrer como néctar
Gota a gota
deslizar e morrer
Hoje apenas me consuma
Sem sobras ou desperdício
Sem dor
E sem culpa alguma
Consuma !
Enquanto minha lança te rasga
Fustiga e castiga
Numa noite sem fim
Hoje sou Deus da luxuria
Meu corpo é um caminho sem volta
E sendo assim
Perca-se em mim !!
domingo, 2 de março de 2008
CORAÇÃO VAGABUNDO
Coração
Apaixonado que só
Inútil vagabundo
Vaga sem rumo
Latente
Bate no peito
E reclama a paixão
Dormente
Inocente
Sofre contido
E lamenta
O amor perdido
Bate coração
Com dor ou não
Desdenhe o tempo
E chore a perda em temporais
Bate coração
Bate
Porque as areias do tempo
Não voltam jamais !
Apaixonado que só
Inútil vagabundo
Vaga sem rumo
Latente
Bate no peito
E reclama a paixão
Dormente
Inocente
Sofre contido
E lamenta
O amor perdido
Bate coração
Com dor ou não
Desdenhe o tempo
E chore a perda em temporais
Bate coração
Bate
Porque as areias do tempo
Não voltam jamais !
HERA
A linguagem dos teus beijos
Calam meus sentidos
Tua boca atrevida passeia assim
Alucina e convida
- vem...
Morra por mim
Safada e sucinta
Suas mãos em movimentos fálicos
Condenam-me ao calvário
Desmancho-me ao poucos
Sou herói vencido
E por você batido
Deita-me em teus seios
Penso descansar
Mas teus bicos me perfuram
A alma quieta
Então a boca essa sim
Inquieta
Te aceita e deleita
Você me come !
Devora cada segredo meu
Agora sou parte do seu sonho
E sem mágoas ou dor
Me rendo
Hoje eu te amo
Eu sou teu homem
Es minha há alma
Que consome.
SOLIDÃO
Solidão é como um céu nublado
Donde não se vê estrelas
É feito um rio de leito seco
É como copo vazio
Diamante sem dedo
Estar sozinho é feito
Pipa sem rumo
Solidão é causa e efeito
Amor e lágrima
Solidão é prédio abandonado
Solidão é carta escrita
Sem remetente
Encomenda que não chega
É assoviar num banco de praça
Jogado as traças
Irreparável solidão
Acessório de fabrica
Que claro...
Vem sempre sozinha !
Donde não se vê estrelas
É feito um rio de leito seco
É como copo vazio
Diamante sem dedo
Estar sozinho é feito
Pipa sem rumo
Solidão é causa e efeito
Amor e lágrima
Solidão é prédio abandonado
Solidão é carta escrita
Sem remetente
Encomenda que não chega
É assoviar num banco de praça
Jogado as traças
Irreparável solidão
Acessório de fabrica
Que claro...
Vem sempre sozinha !
QUESTIONANDO...
Fica complicado !
Amar-te como chuva ou
Temporal
Desaguar em prantos e recantos
No final
Fica complicado !
De manhã soltar pipas feito menino
Depois manter viva minha paixão
Querendo beijos que nem ganho
Pedindo abraços que nem dou
Mas complicado é ... a vida
Trouxe-me você, mas não inteira
Deu-me seu coração, mas só metade
Fez-me pra ti seu homem, mas não o único
Fica complicado... esse amor
Eterna chama que apaga um dia
Eterna jura que encanta
Feito melodia
Fica complicado
Nós dois assim
Fica complicado a vida
E comprometido o dia !
DESENCONTRO MARCADO
Nosso caso foi marcado no tempo
Primeiro olhares
Depois um leve sorriso bagunçando o dia
As mãos deviam entrelaçar
Mas descansaram no corpo
A boca que sem falar
Selou com beijo
Um olá !
Os passos decididos cruzaram o caminho
Um do outro
Lado a lado
Ato insano
Inexplicável vontade repentina
De ficar
Bateu tesão num instante
Falou-se de lua e estrelas
Os conchavos da vida eram discutidos
Em sussurros
Não queriam amar
Mas amaram
Não queriam companhia
Mas grudaram-se
Vicissitudes do amor á parte
Viveram a vida um bocado
E como diz a lenda nem tudo que se busca é nosso um dia
Melhor deixar o destino nos trazer
Um desencontro marcado !
Primeiro olhares
Depois um leve sorriso bagunçando o dia
As mãos deviam entrelaçar
Mas descansaram no corpo
A boca que sem falar
Selou com beijo
Um olá !
Os passos decididos cruzaram o caminho
Um do outro
Lado a lado
Ato insano
Inexplicável vontade repentina
De ficar
Bateu tesão num instante
Falou-se de lua e estrelas
Os conchavos da vida eram discutidos
Em sussurros
Não queriam amar
Mas amaram
Não queriam companhia
Mas grudaram-se
Vicissitudes do amor á parte
Viveram a vida um bocado
E como diz a lenda nem tudo que se busca é nosso um dia
Melhor deixar o destino nos trazer
Um desencontro marcado !
SEMENTES
Eu sou o dono do mundo
Por mim as rosas desabrocham
Os rios deságuam em ondas infinitas e constantes
Sou como trovão
A terra treme quando passo
Abrindo vales
Soltando pedras no caminho
Sou o dono do mundo
Posso mover uma estrela
Um olhar..tanto faz
Quando braços se enlaçam
Sou eu que os prendo
Quando lábios se beijam
Sou eu que molho os contornos da boca
Eu tenho a vida nas mãos
E por entre meus dedos vou semeando os homens
Escolho entre anjos e arcanjos
Entre o bem e o mal
Sou a faca que corta
E o remédio que cura
Sou teu dono e decido seu rumo
Por vezes sou um sonho
Noutras pesadelo
Posso voar como pássaro
Ou caminhar feito leão
Sou pai e filho
Sou grão e sou rocha
Sou o fruto que te alimenta
A vida que se consome
Sou poeta
Sou guerreiro
Sou deus e curandeiro
Você nem sabe
Mas eu sou sua vida !
Por mim as rosas desabrocham
Os rios deságuam em ondas infinitas e constantes
Sou como trovão
A terra treme quando passo
Abrindo vales
Soltando pedras no caminho
Sou o dono do mundo
Posso mover uma estrela
Um olhar..tanto faz
Quando braços se enlaçam
Sou eu que os prendo
Quando lábios se beijam
Sou eu que molho os contornos da boca
Eu tenho a vida nas mãos
E por entre meus dedos vou semeando os homens
Escolho entre anjos e arcanjos
Entre o bem e o mal
Sou a faca que corta
E o remédio que cura
Sou teu dono e decido seu rumo
Por vezes sou um sonho
Noutras pesadelo
Posso voar como pássaro
Ou caminhar feito leão
Sou pai e filho
Sou grão e sou rocha
Sou o fruto que te alimenta
A vida que se consome
Sou poeta
Sou guerreiro
Sou deus e curandeiro
Você nem sabe
Mas eu sou sua vida !
SOBRE PAIXÕES REPENTINAS
Uma boca em meus lábios tocou
A língua por meu pescoço escorregou
Uma mão quente prendeu-se a minha de repente
Bendita paixão !
A língua por meu pescoço escorregou
Uma mão quente prendeu-se a minha de repente
Bendita paixão !
DÚVIDA
Aprisionei palavras em papel e intitulei poesia
Da mesma forma que um cantor as liberta
E chama de melodia
Aprisionei seu rosto em argila e chamei de escultura
Da mesma forma um pintorque liberta sua expressão em moldura
Por que trancar sua alma em meu coração
Não te transforma em amor
Ou nem mesmo paixão ?
Expliquei minha dúvida ao vento
Mas ele em brisa me disse
" isso nem eu sei "
Da mesma forma que um cantor as liberta
E chama de melodia
Aprisionei seu rosto em argila e chamei de escultura
Da mesma forma um pintorque liberta sua expressão em moldura
Por que trancar sua alma em meu coração
Não te transforma em amor
Ou nem mesmo paixão ?
Expliquei minha dúvida ao vento
Mas ele em brisa me disse
" isso nem eu sei "
SEGREDOS
Contei ao mar que te amo
Mas as ondas ingratas que são
Correram o mundo pra me entregar a você
Sussurrei ao vento minha paixão
Então uma brisa em seu ouvido soprou
E me delatou
Mas as ondas ingratas que são
Correram o mundo pra me entregar a você
Sussurrei ao vento minha paixão
Então uma brisa em seu ouvido soprou
E me delatou
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
ESBOÇO
Foi amor a primeira vista !
Olhos verdes
Boca vermelha na pele morena
Um tanto dispersa
Pra mim era como moldura
Apaixonei-me de primeira
Como se admirasse uma pintura
Por você movi e removi meu mundo
Fui fera
Soldado conquistando
Amando um pouco a cada dia
Sonhando
Sonhando
Escrevi nossa historia
Em lápis de cor
Percorrendo seu corpo
Com traços e espaços
Mas esqueci que lágrimas
São como chuva no papel
DesbotaMancha
Desmancha
E desfaz
Ao final descobri que minha obra
Era esboço mal traçado
De um sonho apenas
Olhos verdes
Boca vermelha na pele morena
Um tanto dispersa
Pra mim era como moldura
Apaixonei-me de primeira
Como se admirasse uma pintura
Por você movi e removi meu mundo
Fui fera
Soldado conquistando
Amando um pouco a cada dia
Sonhando
Sonhando
Escrevi nossa historia
Em lápis de cor
Percorrendo seu corpo
Com traços e espaços
Mas esqueci que lágrimas
São como chuva no papel
DesbotaMancha
Desmancha
E desfaz
Ao final descobri que minha obra
Era esboço mal traçado
De um sonho apenas
TATOS E TRATOS
Desejo !
Maldita palavra que me cala os sentidos
Atormenta minhas noites
Desejo
Corpo tremulo
Mão suadas
Alma que cresce entre as pernas
Desejo.
Esse é teu nome
Sabor de fruta
De fruto que jorra
Escorre
Deságua
Flor
Que desbota
Desabrocha
Desata
Destrata
Discorda
Desejo
Palavra plena
Serena
Pequena
Atormenta
Desejo
Acalenta
Sustenta
Surpreenda
Desejo sentidos
Tatos
Olfatos
Desejos
Retratos
Retalhos
Tristeza
Final
Sem fim...
Maldita palavra que me cala os sentidos
Atormenta minhas noites
Desejo
Corpo tremulo
Mão suadas
Alma que cresce entre as pernas
Desejo.
Esse é teu nome
Sabor de fruta
De fruto que jorra
Escorre
Deságua
Flor
Que desbota
Desabrocha
Desata
Destrata
Discorda
Desejo
Palavra plena
Serena
Pequena
Atormenta
Desejo
Acalenta
Sustenta
Surpreenda
Desejo sentidos
Tatos
Olfatos
Desejos
Retratos
Retalhos
Tristeza
Final
Sem fim...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
QUARTA FEIRA
Vou despir minha fantasia
Trocar minha máscara de magia
Voltar ao velho e surrado jeans
Minha boca vermelha de tantos beijos
Emudecem outra vez
Já brinquei meu carnaval
Amei um Pierro
Enquanto Colombina
Mas hoje é quarta-feira
Ontem fui mulher
Agora volto a ser
menina
Trocar minha máscara de magia
Voltar ao velho e surrado jeans
Minha boca vermelha de tantos beijos
Emudecem outra vez
Já brinquei meu carnaval
Amei um Pierro
Enquanto Colombina
Mas hoje é quarta-feira
Ontem fui mulher
Agora volto a ser
menina
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
SONHOS IMPRÓPRIOS
Teus beijos em mim
Ah, teus beijos
Teus abraços envolvendo-me
Ah, teus abraços
Tuas mãos tocando as minhas
Ah. Tuas mãos
Teu corpo sobre o meu
Ah, teu corpo
Teus olhos invadindo meus sonhos
Ah, teus olhos
Tuas roupas caindo pra mim
Ah, tuas roupas
Teu sabor marcando meus lábios
Ah, teu sabor
Teu cheiro invadindo-me todo
Ah, teu cheiro
Minha loucura aflorando
Ah, minha loucura
Meu tesão aumentando
Ufa !
Acordei...
Ah, teus beijos
Teus abraços envolvendo-me
Ah, teus abraços
Tuas mãos tocando as minhas
Ah. Tuas mãos
Teu corpo sobre o meu
Ah, teu corpo
Teus olhos invadindo meus sonhos
Ah, teus olhos
Tuas roupas caindo pra mim
Ah, tuas roupas
Teu sabor marcando meus lábios
Ah, teu sabor
Teu cheiro invadindo-me todo
Ah, teu cheiro
Minha loucura aflorando
Ah, minha loucura
Meu tesão aumentando
Ufa !
Acordei...
UM SUSPIRO
Quando morrer quero champagne e porque não dizer canapés de camarão
afinal...não é sempre que se morre !
afinal...não é sempre que se morre !
PELOS JARDINS
Num jardim repleto de vida e cor
Te avistei
Misturava-se as rosas e as tulipas
As vezes brejeira entre orquídeas
As vezes faceira entre crisântemos
Mas as vezes...
Muito as vezes mulher
Definida em cânticos de paixão
Senti-me beija flor, voando ao seu redor
Jardineiro da ilusão
Semeando meu coração
Te avistei
Misturava-se as rosas e as tulipas
As vezes brejeira entre orquídeas
As vezes faceira entre crisântemos
Mas as vezes...
Muito as vezes mulher
Definida em cânticos de paixão
Senti-me beija flor, voando ao seu redor
Jardineiro da ilusão
Semeando meu coração
domingo, 27 de janeiro de 2008
UMA MANHÃ QUALQUER
O primeiro semestre de 1999 foi especialmente dificil em minha vida. Um desemprego tomou meu dia a dia de assalto e em minha luta diária , saia todos os dias as 6 da manhã em busca de uma nova oportunidade.
Como o dinheiro era escasso eu caminhava bons quarteirões até o centro da cidade. Nesse caminho passava por uma praça muito agradável e avistava toda manhã um casal de idosos alimentando os pássaros do jardim. Eram pombos. Sentava-me sempre em seus bancos regiamente cobertos por sombras de suas frondosas árvores. Era alí que vasculhava meu jornal em busca de algo interessante. O vento do outono gelava meu rosto e banhava-me em folhas, e a visão daquele casal feliz em sua rotina diária me provocava sentimentos que não conseguia compreender.
enquanto o velhinho perdia-se entre as pombas, alimentando-as e alimentando também sua alma, aquela linda vovózinha toda arrumada, postava-se solenemente ao seu lado segurando o pacote de milho. A visão daquele casal enchia-me de ãnimo e esperança para os dias que se seguiam. Isso aconteceu durante meses, religiosamente todas as manhãs.
Mas um dia, ao descansar em minha praça, avistei apenas o velho alimentando mais uma vez seus pássaros.
Um tanto sem jeito resolvi me aproximar e sem saber o que dizer fiquei a observar intrigado a ausencia da velhinha.
Nesse momento o homem vira-se pra mim e diz :
- já arrumou emprego moço ?
Assustado indaguei sobre a pergunta, curioso pra entender como ele sabia de minha situação.
e o velho respondeu:
- sempre comentei com minha patroa " Maria, esse moço todo dia de manhã senta aqui marcando e remarcando seu jornal. Se Deus quiser logo ele vai arrumar um bom emprego "
Atônito por saber que além de espectador da vida alheia era também espetáculo para os outros, apenas balançei minha cabeça negativamente dizendo:
- ta muito dificil a vida meu senhor....
E me desmanchei em lamentos por longos minutos. O velho envolvido em seus pombos apenas ouvia.
Então, calmamente, ele sentou-se ao meu lado e falou :
- menino, a vida é facil e boa demais. Veja meu caso, tenho já 85 anos. Vivi sucessos e fracassos, amei e fui amado....empregos já passei por vários e ontem minha mulher morreu dormindo ao meu lado. vivemos juntos desde os 20 anos de idade, chorei em seu velório e depositei lindas tulipas em seu enterro. ela adorava tulipas...mas ainda existem muitos pássaros nesse mundo de Deus para serem alimentados, por isso moço, ao acordar hoje cedo, peguei meu saco de ração e vim dar de comer aos pombos novamente.
ao ouvir aquilo, beijei as mãos daquele doce velhinho como a pedir benção e fui-me embora.
coincidentemente, naquele final de tarde meu telefone tocou e uma entrevista a muito desejada foi marcada para a manhã seguinte. Voltei da entrevista com meu tão sonhado emprego, e no meu primeiro dia de trabalho saí ainda mais cedo de casa, queria dar a noticia ao meu bom amigo.
Mas estranhamente ele não estava entre aquelas pombinhas, rodei a praça toda e nada...
Procurei um guarda que sempre fazia rondas por alí e perguntei sobre o ancião. O guarda de cabeça baixa respondeu :
-triste amigo, mas seu Juca faleceu ontem, acho que de saudade da mulher, viveram juntos a vida inteira na terra e agora vão viver assim no céu também !
Fui embora arrasado, meus olhos marejados de lágrimas...
naquela manhã de trabalho, troquei minha felicidade por uma leve satisfação apenas.
Repentinamente uma vontade tomou conta de mim e no outro dia logo cedo, antes mesmo do sol despontar, saí, comprei um saco de ração e fui alimentar os pombos de meus velhinhos, afinal os coitados não podiam morrer de fome.
Feliz entre eles pensei comigo
" o mundo é feito de homens e pássaros também "
Como o dinheiro era escasso eu caminhava bons quarteirões até o centro da cidade. Nesse caminho passava por uma praça muito agradável e avistava toda manhã um casal de idosos alimentando os pássaros do jardim. Eram pombos. Sentava-me sempre em seus bancos regiamente cobertos por sombras de suas frondosas árvores. Era alí que vasculhava meu jornal em busca de algo interessante. O vento do outono gelava meu rosto e banhava-me em folhas, e a visão daquele casal feliz em sua rotina diária me provocava sentimentos que não conseguia compreender.
enquanto o velhinho perdia-se entre as pombas, alimentando-as e alimentando também sua alma, aquela linda vovózinha toda arrumada, postava-se solenemente ao seu lado segurando o pacote de milho. A visão daquele casal enchia-me de ãnimo e esperança para os dias que se seguiam. Isso aconteceu durante meses, religiosamente todas as manhãs.
Mas um dia, ao descansar em minha praça, avistei apenas o velho alimentando mais uma vez seus pássaros.
Um tanto sem jeito resolvi me aproximar e sem saber o que dizer fiquei a observar intrigado a ausencia da velhinha.
Nesse momento o homem vira-se pra mim e diz :
- já arrumou emprego moço ?
Assustado indaguei sobre a pergunta, curioso pra entender como ele sabia de minha situação.
e o velho respondeu:
- sempre comentei com minha patroa " Maria, esse moço todo dia de manhã senta aqui marcando e remarcando seu jornal. Se Deus quiser logo ele vai arrumar um bom emprego "
Atônito por saber que além de espectador da vida alheia era também espetáculo para os outros, apenas balançei minha cabeça negativamente dizendo:
- ta muito dificil a vida meu senhor....
E me desmanchei em lamentos por longos minutos. O velho envolvido em seus pombos apenas ouvia.
Então, calmamente, ele sentou-se ao meu lado e falou :
- menino, a vida é facil e boa demais. Veja meu caso, tenho já 85 anos. Vivi sucessos e fracassos, amei e fui amado....empregos já passei por vários e ontem minha mulher morreu dormindo ao meu lado. vivemos juntos desde os 20 anos de idade, chorei em seu velório e depositei lindas tulipas em seu enterro. ela adorava tulipas...mas ainda existem muitos pássaros nesse mundo de Deus para serem alimentados, por isso moço, ao acordar hoje cedo, peguei meu saco de ração e vim dar de comer aos pombos novamente.
ao ouvir aquilo, beijei as mãos daquele doce velhinho como a pedir benção e fui-me embora.
coincidentemente, naquele final de tarde meu telefone tocou e uma entrevista a muito desejada foi marcada para a manhã seguinte. Voltei da entrevista com meu tão sonhado emprego, e no meu primeiro dia de trabalho saí ainda mais cedo de casa, queria dar a noticia ao meu bom amigo.
Mas estranhamente ele não estava entre aquelas pombinhas, rodei a praça toda e nada...
Procurei um guarda que sempre fazia rondas por alí e perguntei sobre o ancião. O guarda de cabeça baixa respondeu :
-triste amigo, mas seu Juca faleceu ontem, acho que de saudade da mulher, viveram juntos a vida inteira na terra e agora vão viver assim no céu também !
Fui embora arrasado, meus olhos marejados de lágrimas...
naquela manhã de trabalho, troquei minha felicidade por uma leve satisfação apenas.
Repentinamente uma vontade tomou conta de mim e no outro dia logo cedo, antes mesmo do sol despontar, saí, comprei um saco de ração e fui alimentar os pombos de meus velhinhos, afinal os coitados não podiam morrer de fome.
Feliz entre eles pensei comigo
" o mundo é feito de homens e pássaros também "
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
O ELEVADOR
Enquanto isso em alguma grande cidade do mundo...
-acho que se você não tem capacidade pra realizar o trabalho, deveria parar de criticar Simone.
- e quem disse que eu não tenho? ora Paulo, com qual autoridade você diz isso ? olha pra você cara..acabou de sair da faculdade agora e quer me ensinar a trabalhar...fique sabendo que trabalho nisso a 10 anos já.
- tudo bem que trabalha a mais tempo que eu, sei disso, mas isso não significa que seu trabalho é melhor
- pois pra mim você não passa de um garoto. E verdinho ainda.
-e você Simone ? 40 anos e solteira...estranho não acha ?- ta querendo dizer o que com isso rapaz ?
Nesse momento Dr Mário entra na sala.
- mas o que está acontecendo aqui ?
Um silencio tomou conta do ambiente.
O empresário experiente, entendeu a situaçã,o e chamando a atenção de ambos pela exagerada competição, determinou que naquele momento fossem embora pra casa, essa conversa poderia continuar amanhã sem problema algum. Afinal já passavam das dez da noite e só eles encontravam-se ainda na empresa. O chefe ficaria por mais um tempo.
Saíram cabisbaixos e emputecidos um com o outro. Ambos sentiam-se ameaçados.
Teriam que dividir o mesmo elevador por longos 28 andares ladeira abaixo. Tentaram entrar juntos e acabaram se esbarrando, Paulo tentou um momento de educação ao oferecer passagem primeiro a Simone, mas a mulher com ar austero indicou com um leve movimento de cabeça pra que ele fosse na frente. Ele foi !
Enquanto o elevador iniciava sua descida, duas pessoas dentro de um mesmo cubo de metal conseguiam transformar um ambiente já frio por natureza numa absoluta era glacial. Sem que eles soubessem uma tempestade armava-se lá fora e um raio atingiu o topo do edifício, fazendo com que aquele gigante de concreto e ferro ficasse totalmente as escuras.
Um choque e uma parada brusca do elevador iria transformar aquela noite .
Por alguns minutos tentaram em vão chamar a zeladoria com o interfone mas nada, ninguém respondia. Um escuro absoluto reinava no ambiente, praticamente nem se viam. Foi quando Simone resolveu quebrar o silencio com palavras autoritárias.
- quando você vai resolver pegar o celular e pedir socorro ?
- ei, to falando com você Paulo, não vai responder não ?
- meu celular ta na minha pasta e não enxergo nada, como vou desfazer o código do cadeado ?
- não acredito que fez isso. E agora ? o que vamos fazer ?
Paulo já praguejando contra o mundo por estar preso no elevador com aquela mulher que ele odiava, num ar irônico respondeu :
- você não tem celular ? achei que uma diretora tão competente como você precisasse estar sempre disponível.
É claro que tenho celular seu idiota, apenas tive a ilusão de achar que fosse um cavalheiro.
- ah. Agora você espera que eu seja um cavalheiro...bom moço né ? engraçado que a 15 minutos atrás eu não servia pra nada. Pois quer saber, dane-se. Eu não tenho medo de escuro mesmo.
A mulher nervosa acende um cigarro.
- não sabia que fumava Simone.
- estou tentando parar. Porque? A fumaça te incomoda ?
- não, claro que não. Eu também fumo. Só que também tranquei meu cigarro na pasta !
Segundos de silencio foram quebrados por gargalhadas de ambos com a situação que estavam vivendo.
-sirva-se do meu maço. Fique a vontade
Paulo fez bom uso da oferta e sentiu-se aliviado após a primeira tragada.
Depois de alguns minutos de escuridão seus olhos já estavam mais acostumados e o rapaz já podia vislumbrar os traços daquela mulher.
Simone era uma executiva típica. Corpo esguio, cabelos bem tratados, óculos sempre de grife. Vestia-se invariavelmente com saias pouco abaixo do joelho e blusas com decotes senão extravagantes no mínimo provocantes.
A mulher sentiu-se observada e indagou:
- que foi ? porque ta me olhando assim ?
-desculpe. Estava apenas admirando você. Disse o rapaz.
-garoto, garoto. Estou te estranhado. Não foi você mesmo que me chamou de quarentona ?
-chamei mesmo, mas por favor me desculpe. Estava apenas contrariado.
- não se preocupe, sou mesmo uma quarentona.
- sim é. Mas também é uma linda mulher.
Nova pausa se abateu sobre ambos
Simone sentiu-se subitamente atraente e usando o cansaço como desculpa sentou no chão do elevador, mas pra isso precisou erguer um pouco sua saia deixando a mostra pernas generosas e lisas.
Disfarçando a intenção de sua atitude a mulher também começa a analisar o exemplar masculino a sua disposição.
Aquele menino homem era muito bonito. Alto, porte atlético e olhos absurdamente azuis. Cabelos pretos e longos descansavam pouco acima dos ombros.
De repente aquela executiva rígida e competitiva viu-se imaginando nos braços do rapaz.
Paulo percebeu que igualmente era observado. Um calor tomou conta de ambiente.
O rapaz jogou seu cigarro ao chão, pisando sobre ele, então tirou sua camisa.
- não estou agüentando de calor. Te incomoda ?.
Simone ao ver peitos tão saudáveis não resistiu e tomada de desejo avançou sobre o agora homem.mordeu-lhe o peito deixando que a pele arrepiasse completamente.
Paulo sem pensar em nada invadiu a blusa arrancando os seios pra fora e sugando com sede cada um deles. transpiravam paixão naquele momento.
As roupas caiam uma a uma e Simone decidida ajoelhou-se pegando com as duas mãos o membro ereto do rapaz deixando-se invadir até o fundo da garganta num vai e vem frenético e alucinado. As mãos do rapaz bagunçavam os cabelos da mulher e entre gemidos e barulhos molhados um gozo invadiu de satisfação a boca da executiva.
Do jeito que estava Simone deitou-se de pernas abertas e trouxe com ela o jovem que com sua saúde juvenil encontrava-se pronto pra mais e mais.
A mulher vibrava com a vitalidade daquele corpo que a penetrava profundamente, não trocavam palavras, apenas gemiam e gritavam de prazer.
Era a festa da carne em sua mais absoluta expressão. A mulher gozava incessantemente enquanto o rapaz incansável continuava seus movimentos ritmados e torturantes !
Já torciam pra que aquela noite jamais acabasse pra continuarem naquela batalha carnal eternamente.
Mas como eternamente também tem fim, a luz voltou.
E ambos, desesperados, trocaram-se rapidamente. Um cheiro de sexo pairava no elevador.
A porta se abriu e apressadamente os dois saíram dirigindo-se cada um para seu lado.
Simone em direção da garagem:
- rapazinho insuportável
Ele em direção do metrô
- Deus do céu que mulher pedante
-acho que se você não tem capacidade pra realizar o trabalho, deveria parar de criticar Simone.
- e quem disse que eu não tenho? ora Paulo, com qual autoridade você diz isso ? olha pra você cara..acabou de sair da faculdade agora e quer me ensinar a trabalhar...fique sabendo que trabalho nisso a 10 anos já.
- tudo bem que trabalha a mais tempo que eu, sei disso, mas isso não significa que seu trabalho é melhor
- pois pra mim você não passa de um garoto. E verdinho ainda.
-e você Simone ? 40 anos e solteira...estranho não acha ?- ta querendo dizer o que com isso rapaz ?
Nesse momento Dr Mário entra na sala.
- mas o que está acontecendo aqui ?
Um silencio tomou conta do ambiente.
O empresário experiente, entendeu a situaçã,o e chamando a atenção de ambos pela exagerada competição, determinou que naquele momento fossem embora pra casa, essa conversa poderia continuar amanhã sem problema algum. Afinal já passavam das dez da noite e só eles encontravam-se ainda na empresa. O chefe ficaria por mais um tempo.
Saíram cabisbaixos e emputecidos um com o outro. Ambos sentiam-se ameaçados.
Teriam que dividir o mesmo elevador por longos 28 andares ladeira abaixo. Tentaram entrar juntos e acabaram se esbarrando, Paulo tentou um momento de educação ao oferecer passagem primeiro a Simone, mas a mulher com ar austero indicou com um leve movimento de cabeça pra que ele fosse na frente. Ele foi !
Enquanto o elevador iniciava sua descida, duas pessoas dentro de um mesmo cubo de metal conseguiam transformar um ambiente já frio por natureza numa absoluta era glacial. Sem que eles soubessem uma tempestade armava-se lá fora e um raio atingiu o topo do edifício, fazendo com que aquele gigante de concreto e ferro ficasse totalmente as escuras.
Um choque e uma parada brusca do elevador iria transformar aquela noite .
Por alguns minutos tentaram em vão chamar a zeladoria com o interfone mas nada, ninguém respondia. Um escuro absoluto reinava no ambiente, praticamente nem se viam. Foi quando Simone resolveu quebrar o silencio com palavras autoritárias.
- quando você vai resolver pegar o celular e pedir socorro ?
- ei, to falando com você Paulo, não vai responder não ?
- meu celular ta na minha pasta e não enxergo nada, como vou desfazer o código do cadeado ?
- não acredito que fez isso. E agora ? o que vamos fazer ?
Paulo já praguejando contra o mundo por estar preso no elevador com aquela mulher que ele odiava, num ar irônico respondeu :
- você não tem celular ? achei que uma diretora tão competente como você precisasse estar sempre disponível.
É claro que tenho celular seu idiota, apenas tive a ilusão de achar que fosse um cavalheiro.
- ah. Agora você espera que eu seja um cavalheiro...bom moço né ? engraçado que a 15 minutos atrás eu não servia pra nada. Pois quer saber, dane-se. Eu não tenho medo de escuro mesmo.
A mulher nervosa acende um cigarro.
- não sabia que fumava Simone.
- estou tentando parar. Porque? A fumaça te incomoda ?
- não, claro que não. Eu também fumo. Só que também tranquei meu cigarro na pasta !
Segundos de silencio foram quebrados por gargalhadas de ambos com a situação que estavam vivendo.
-sirva-se do meu maço. Fique a vontade
Paulo fez bom uso da oferta e sentiu-se aliviado após a primeira tragada.
Depois de alguns minutos de escuridão seus olhos já estavam mais acostumados e o rapaz já podia vislumbrar os traços daquela mulher.
Simone era uma executiva típica. Corpo esguio, cabelos bem tratados, óculos sempre de grife. Vestia-se invariavelmente com saias pouco abaixo do joelho e blusas com decotes senão extravagantes no mínimo provocantes.
A mulher sentiu-se observada e indagou:
- que foi ? porque ta me olhando assim ?
-desculpe. Estava apenas admirando você. Disse o rapaz.
-garoto, garoto. Estou te estranhado. Não foi você mesmo que me chamou de quarentona ?
-chamei mesmo, mas por favor me desculpe. Estava apenas contrariado.
- não se preocupe, sou mesmo uma quarentona.
- sim é. Mas também é uma linda mulher.
Nova pausa se abateu sobre ambos
Simone sentiu-se subitamente atraente e usando o cansaço como desculpa sentou no chão do elevador, mas pra isso precisou erguer um pouco sua saia deixando a mostra pernas generosas e lisas.
Disfarçando a intenção de sua atitude a mulher também começa a analisar o exemplar masculino a sua disposição.
Aquele menino homem era muito bonito. Alto, porte atlético e olhos absurdamente azuis. Cabelos pretos e longos descansavam pouco acima dos ombros.
De repente aquela executiva rígida e competitiva viu-se imaginando nos braços do rapaz.
Paulo percebeu que igualmente era observado. Um calor tomou conta de ambiente.
O rapaz jogou seu cigarro ao chão, pisando sobre ele, então tirou sua camisa.
- não estou agüentando de calor. Te incomoda ?.
Simone ao ver peitos tão saudáveis não resistiu e tomada de desejo avançou sobre o agora homem.mordeu-lhe o peito deixando que a pele arrepiasse completamente.
Paulo sem pensar em nada invadiu a blusa arrancando os seios pra fora e sugando com sede cada um deles. transpiravam paixão naquele momento.
As roupas caiam uma a uma e Simone decidida ajoelhou-se pegando com as duas mãos o membro ereto do rapaz deixando-se invadir até o fundo da garganta num vai e vem frenético e alucinado. As mãos do rapaz bagunçavam os cabelos da mulher e entre gemidos e barulhos molhados um gozo invadiu de satisfação a boca da executiva.
Do jeito que estava Simone deitou-se de pernas abertas e trouxe com ela o jovem que com sua saúde juvenil encontrava-se pronto pra mais e mais.
A mulher vibrava com a vitalidade daquele corpo que a penetrava profundamente, não trocavam palavras, apenas gemiam e gritavam de prazer.
Era a festa da carne em sua mais absoluta expressão. A mulher gozava incessantemente enquanto o rapaz incansável continuava seus movimentos ritmados e torturantes !
Já torciam pra que aquela noite jamais acabasse pra continuarem naquela batalha carnal eternamente.
Mas como eternamente também tem fim, a luz voltou.
E ambos, desesperados, trocaram-se rapidamente. Um cheiro de sexo pairava no elevador.
A porta se abriu e apressadamente os dois saíram dirigindo-se cada um para seu lado.
Simone em direção da garagem:
- rapazinho insuportável
Ele em direção do metrô
- Deus do céu que mulher pedante
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
PELOS BARES DA VIDA
...e depois de centenas de beijos ao meu redor
E milhares de juras infindáveis de amor
Escondido entre a fumaça do meu cigarro
Afoguei-me na cerveja.
Bendita solidão !
E milhares de juras infindáveis de amor
Escondido entre a fumaça do meu cigarro
Afoguei-me na cerveja.
Bendita solidão !
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
NOITE DE AMOR
Hoje a noite é nossa
Vou brindar a luz das estrelas
Enluarar teu corpo entre panos hostis
Panos que teimam em não cair
No reflexo da lua cheia
Derramar o melhor vinho em você
Beber - te
Gota a gota
Em momentos suplicantes de tesão
Hoje meu nome é delírio
E o seu é paixão
Hoje a noite é nossa
Vou gritar aos quatro cantos desse mundo
O quanto me completa
Vamos queimar na febre do gozo
Não será uma noite de amor
Nem dor ou pudor
Será de gritos e amassos
Fome
Sede
Pedaços
Vou viver cada segundo do meu tempo nessa noite
Calando a vontade cega
Sugando a alma nua do teu corpo nu
Mordendo teus segredos
Desvendando teus mistérios
Desfazendo teus medos
Hoje a noite é nossa
E meu nome é delírio
Enquanto o seu é paixão
Por isso vem rolar na cama
Vem rolar no chão
Por enquanto a noite é nossa
Mas amanhã
Não !
Vou brindar a luz das estrelas
Enluarar teu corpo entre panos hostis
Panos que teimam em não cair
No reflexo da lua cheia
Derramar o melhor vinho em você
Beber - te
Gota a gota
Em momentos suplicantes de tesão
Hoje meu nome é delírio
E o seu é paixão
Hoje a noite é nossa
Vou gritar aos quatro cantos desse mundo
O quanto me completa
Vamos queimar na febre do gozo
Não será uma noite de amor
Nem dor ou pudor
Será de gritos e amassos
Fome
Sede
Pedaços
Vou viver cada segundo do meu tempo nessa noite
Calando a vontade cega
Sugando a alma nua do teu corpo nu
Mordendo teus segredos
Desvendando teus mistérios
Desfazendo teus medos
Hoje a noite é nossa
E meu nome é delírio
Enquanto o seu é paixão
Por isso vem rolar na cama
Vem rolar no chão
Por enquanto a noite é nossa
Mas amanhã
Não !
sábado, 19 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
BRISA
Senti o silencio ao meu redor
Palavra alguma
Nem sussurros
Nem cantos
Então meu coração medroso
Bateu
Bateu
Bateu
Como dói a saudade !
Palavra alguma
Nem sussurros
Nem cantos
Então meu coração medroso
Bateu
Bateu
Bateu
Como dói a saudade !
SOBRE AMORES PASSADOS
Presumo que de tudo na vida
Só mesmo os espinhos das rosas marcaram minha pele
Contudo, por mais que sangrasse eu jamais deixei de visitar
Seu jardim !
Só mesmo os espinhos das rosas marcaram minha pele
Contudo, por mais que sangrasse eu jamais deixei de visitar
Seu jardim !
A ESTAÇÃO
Alô !
- oi meu bem. Que horas ? Nossa onze da noite ?, tudo bem .Espero você lá na plataforma então. É claro que não vou deixar você pegar o metrô sozinha essa hora Nanda. Tá louca ?
Ta bem . eu te amo também
Beijo !
************
Assim que desligou o celular Tiago pensou no que fazer até as onze da noite.
Justo hoje que ele estava cansado a sua namorada iria demorar na faculdade. Uma merda !
Enfim...
O rapaz terminou seu trabalho as seis em ponto e junto de amigos resolveu beber algo.
Não que fosse seu costume sair pra beber após o expediente, mas o que fazer até sua namorada chegar ?
Beberam e jogaram algumas partidas de bilhar. Então quando o relógio contava dez horas Tiago resolver ir ao encontro de Nanda, não sem antes ouvir as famosas brincadeiras de machos no cio :
-vai cabresto ! toma chicotada moleque...
Riam como crianças da diversão e porque não dizer certa inveja do rapaz de periferia que tinha conquistado a menininha de classe.
Saiu em desabalada carreira pelas ruas escuras e fedorentas da cidade grande e em quinze minutos estava na plataforma esperando sua amada.
Sentou-se num banco e aguardou. Mal sabia Nanda como aquele momento seria de euforia. Ele queria ver a cara dela quando soubesse de sua promoção, encarregado de expedição. Um dia ia poder olhar pro pai dela no mínimo com um olhar igual ao dele e dizer : vou casar com sua filha.
O jovem orgulhoso do sucesso mas cansado de tanto trabalho encostou a cabeça entre o banco e a parede fechou seus olhos e lembrou de tudo que já havia passado na vida em tão pouco tempo de existência. A fome da infância, a dificuldade com que seu pai cuidou de todos , lembrou triste a morte do irmão na favela e de como começou cedo a trabalhar pra ajudar em casa. Hoje sentia que tudo começava a valer a pena .
Mas enquanto lembrava-se da vida dormiu !
De súbito, um barulho acordou-o. O jovem assustado com a escuridão e perdido pelo sono pesado olhava para os lados sem entender o que acontecia, viu o relógio na parede, os ponteiros marcavam 3:15 da madrugada e um tic tac incessante avançava o tempo sem piedade. Então o rapaz caiu em sí e lembrou-se do encontro:
- Meu Deus o que eu fiz ? onde foi parar minha namorada ? será que ela não me viu nessa banco ?
Mas estou em frente a plataforma. Vou ligar. Não, melhor não, são quase 4 da manhã, o pai dela me mata. Mas e se ela ta achando que aconteceu alguma coisa...
É, vou ligar sim !
Pegou o celular e aflito discou . De repente uma voz :
“ esse numero de telefone não existe. Favor...”
Porcaria. Disquei errado.
Tentou novamente mas a mesmo mensagem se repetia.
O número estava certo e ele não entendia porque essa maldita mensagem aparecia.
Resolveu que o melhor a fazer era procurar um segurança e pedir orientação.
Subiu as escadas que levam ao saguão mas tudo estava absolutamente vazio. Por um momento achou até engraçado e rindo de si mesmo começou a gritar:
-alooooooooooo
E um eco forte respondia
Ele novamente gritava de volta:
- aloooooooooooooooo
E outra vez o mesmo eco respondia
Tiago então achando graça de tudo começou a correr entre as lojas vazias e percebendo a total ausência de alma viva continuava seus gritos:
- eu sou tiagooo
E o mesmo eco repetia sua voz surda
- eu sou fodaaaaaa
E o eco incansável retornava
- eu sou tiagoooo
Mas dessa vez ao final do eco uma voz respondeu:
- eu sei quem você é !
De súbito o rapaz virou-se e tomado por um pânico angustiante gaguejou
- Beto ?
O jovem esfregou os olhos mas a presença mórbida de seu irmão morto anos atrás continuava ali
- você está morto cara...
A entidade um tanto enegrecida e com marcas visíveis de sofrimento respondeu:
- sei que estou morto. Você me matou. Esqueceu ?
Agora vou cobrar a vida que você tirou de mim.
Tiago assustado sem saber o que dizer apenas balbuciava algumas palavras:
- foi um acidente Beto, um acidente. Eu tive medo.
- teve medo e deixou que eu fosse culpado pelo que não fiz. Sabe quanto sofrimento passei na mão daquelas pessoas ? era sua alma que devia penar. Não a minha !
Vivo no lodo por culpa sua irmão, cercado de monstros querendo me machucar a todo momento. Mas agora chegou sua vez de pagar pelo que fez comigo maldito !
Tiago encurralado ajoelha-se em lágrimas e pede por clemência .
Mas a sombra enferma e marcada pelo ódio caminha em direção do rapaz.
- perdoa irmão. Perdoa ! faço tudo que você quiser, conto pra todos que eu fui o culpado, vou limpar seu nome. Eu prometo.
- meu nome ? e minha vida ? vai devolver a minha vida ?
- se eu pudesse devolveria irmão...eu juro
- e vai devolver, porque vim tomar a sua !
O rapaz num momento de lucidez sai correndo pelos corredores da estação em direção a plataforma. Atrás dele os passos continuam dessa vez ainda mais fortes.
Tiago some na escuridão do túnel e esgueirando-se pelos cantos úmidos tropeça e cai sobre os trilhos. Uma dor aguda toma conta de sua cabeça, mas de repente uma gargalhada invade a escuridão e o espírito maligno zomba:
- machucou menino ? ainda te farei sofrer mais. Não adianta fugir de mim, eu vou te pegar.
O rapaz levanta-se decidido a escapar e vislumbra ao fundo uma pequena claridade e repleto de dores pelo corpo corre em direção a luz.
Quando aproxima-se percebe que trata-se de um pequeno deposito de manutenção da estação. Como esperado ali também não havia ninguém.
O jovem entra e encontra abrigo numa cama velha num canto do cômodo, deita-se nela encolhido como um feto, tentando preservar a vida. Ele sabe de sua culpa.
Fora ele que anos atrás roubara os papelotes dos traficantes do bairro e quando percebeu que foi descoberto jogou a culpa no irmão mais velho imaginando que o mesmo conseguiria resolver o assunto. Tiago tinha em seu irmão um espelho, achava que era forte e poderia decidir qualquer situação.
Mas a verdade mostrou-se outra, e quando o corpo de beto foi encontrado coberto de balas ele num ato de extrema covardia calou-se.
O tempo passou e o rapaz achou melhor enterrar essa historia, afinal nada traria seu irmão de volta. A não ser o ódio !
Deitado naquela cama suja ele começa a rezar :
“ pai nosso que estais no céu , santificado seja vosso nome...”
Mas sua oração é interrompida por um choro sufocado. Era Beto !
O espírito em lágrimas começou a narrar seu calvário desde as balas penetrando sua pele:
- quando aqueles furos pelo corpo levaram minha vida irmão, não foi a dor que senti nem os gritos do umbral , mas sim a lembrança daquele homem atormentando minha cabeça, seus traços apavorados quando eu puxei o gatilho...
Tiago sem entender levanta-se e tenta aproximar-se do irmão, mas é repelido com um gesto de mão e num olhar confuso pergunta:
- que gatilho Beto...que homem ?
O espírito pede silencio e continua seu relato
- lembra quando Mamãe precisava fazer aquele exame e não tínhamos dinheiro ?
- claro que sim. Papai disse que você fez um empréstimo na empresa pra pagar o exame.
Acho que você trabalhava naquela firma que o dono foi assassinado num assalto. Se eu não me engano.
Então o espírito de beto chorando copiosamente desabafou:
- eu não consegui aquele empréstimo irmão e numa atitude de raiva fui até a casa do meu chefe para rouba-lo mas com medo de ser preso atirei na cabeça dele.
Tiago surpreso com a revelação e sem palavras também desabou a chorar e pedindo novamente perdão desta vez de coração retornou a oração interrompida :
“ venha a nós o vosso reino agora e na hora de nossa morte. Amém “
Um Amém dito em voz alta pelos dois irmãos, que agora juntos buscavam reparar seus erros !
O relógio marcava 7 horas e o tilintar do despertador irrompeu pelo quarto.
Tiago suado acorda e percebe seu sonho, o coração ainda disparado pelas emoções de uma noite agitada. Levanta-se beija a testa de sua mãe na cozinha que preocupada aproxima-se e num gesto rápido levanta seus cabelos e pergunta:
Que galo é esse em sua cabeça meu filho ?
- oi meu bem. Que horas ? Nossa onze da noite ?, tudo bem .Espero você lá na plataforma então. É claro que não vou deixar você pegar o metrô sozinha essa hora Nanda. Tá louca ?
Ta bem . eu te amo também
Beijo !
************
Assim que desligou o celular Tiago pensou no que fazer até as onze da noite.
Justo hoje que ele estava cansado a sua namorada iria demorar na faculdade. Uma merda !
Enfim...
O rapaz terminou seu trabalho as seis em ponto e junto de amigos resolveu beber algo.
Não que fosse seu costume sair pra beber após o expediente, mas o que fazer até sua namorada chegar ?
Beberam e jogaram algumas partidas de bilhar. Então quando o relógio contava dez horas Tiago resolver ir ao encontro de Nanda, não sem antes ouvir as famosas brincadeiras de machos no cio :
-vai cabresto ! toma chicotada moleque...
Riam como crianças da diversão e porque não dizer certa inveja do rapaz de periferia que tinha conquistado a menininha de classe.
Saiu em desabalada carreira pelas ruas escuras e fedorentas da cidade grande e em quinze minutos estava na plataforma esperando sua amada.
Sentou-se num banco e aguardou. Mal sabia Nanda como aquele momento seria de euforia. Ele queria ver a cara dela quando soubesse de sua promoção, encarregado de expedição. Um dia ia poder olhar pro pai dela no mínimo com um olhar igual ao dele e dizer : vou casar com sua filha.
O jovem orgulhoso do sucesso mas cansado de tanto trabalho encostou a cabeça entre o banco e a parede fechou seus olhos e lembrou de tudo que já havia passado na vida em tão pouco tempo de existência. A fome da infância, a dificuldade com que seu pai cuidou de todos , lembrou triste a morte do irmão na favela e de como começou cedo a trabalhar pra ajudar em casa. Hoje sentia que tudo começava a valer a pena .
Mas enquanto lembrava-se da vida dormiu !
De súbito, um barulho acordou-o. O jovem assustado com a escuridão e perdido pelo sono pesado olhava para os lados sem entender o que acontecia, viu o relógio na parede, os ponteiros marcavam 3:15 da madrugada e um tic tac incessante avançava o tempo sem piedade. Então o rapaz caiu em sí e lembrou-se do encontro:
- Meu Deus o que eu fiz ? onde foi parar minha namorada ? será que ela não me viu nessa banco ?
Mas estou em frente a plataforma. Vou ligar. Não, melhor não, são quase 4 da manhã, o pai dela me mata. Mas e se ela ta achando que aconteceu alguma coisa...
É, vou ligar sim !
Pegou o celular e aflito discou . De repente uma voz :
“ esse numero de telefone não existe. Favor...”
Porcaria. Disquei errado.
Tentou novamente mas a mesmo mensagem se repetia.
O número estava certo e ele não entendia porque essa maldita mensagem aparecia.
Resolveu que o melhor a fazer era procurar um segurança e pedir orientação.
Subiu as escadas que levam ao saguão mas tudo estava absolutamente vazio. Por um momento achou até engraçado e rindo de si mesmo começou a gritar:
-alooooooooooo
E um eco forte respondia
Ele novamente gritava de volta:
- aloooooooooooooooo
E outra vez o mesmo eco respondia
Tiago então achando graça de tudo começou a correr entre as lojas vazias e percebendo a total ausência de alma viva continuava seus gritos:
- eu sou tiagooo
E o mesmo eco repetia sua voz surda
- eu sou fodaaaaaa
E o eco incansável retornava
- eu sou tiagoooo
Mas dessa vez ao final do eco uma voz respondeu:
- eu sei quem você é !
De súbito o rapaz virou-se e tomado por um pânico angustiante gaguejou
- Beto ?
O jovem esfregou os olhos mas a presença mórbida de seu irmão morto anos atrás continuava ali
- você está morto cara...
A entidade um tanto enegrecida e com marcas visíveis de sofrimento respondeu:
- sei que estou morto. Você me matou. Esqueceu ?
Agora vou cobrar a vida que você tirou de mim.
Tiago assustado sem saber o que dizer apenas balbuciava algumas palavras:
- foi um acidente Beto, um acidente. Eu tive medo.
- teve medo e deixou que eu fosse culpado pelo que não fiz. Sabe quanto sofrimento passei na mão daquelas pessoas ? era sua alma que devia penar. Não a minha !
Vivo no lodo por culpa sua irmão, cercado de monstros querendo me machucar a todo momento. Mas agora chegou sua vez de pagar pelo que fez comigo maldito !
Tiago encurralado ajoelha-se em lágrimas e pede por clemência .
Mas a sombra enferma e marcada pelo ódio caminha em direção do rapaz.
- perdoa irmão. Perdoa ! faço tudo que você quiser, conto pra todos que eu fui o culpado, vou limpar seu nome. Eu prometo.
- meu nome ? e minha vida ? vai devolver a minha vida ?
- se eu pudesse devolveria irmão...eu juro
- e vai devolver, porque vim tomar a sua !
O rapaz num momento de lucidez sai correndo pelos corredores da estação em direção a plataforma. Atrás dele os passos continuam dessa vez ainda mais fortes.
Tiago some na escuridão do túnel e esgueirando-se pelos cantos úmidos tropeça e cai sobre os trilhos. Uma dor aguda toma conta de sua cabeça, mas de repente uma gargalhada invade a escuridão e o espírito maligno zomba:
- machucou menino ? ainda te farei sofrer mais. Não adianta fugir de mim, eu vou te pegar.
O rapaz levanta-se decidido a escapar e vislumbra ao fundo uma pequena claridade e repleto de dores pelo corpo corre em direção a luz.
Quando aproxima-se percebe que trata-se de um pequeno deposito de manutenção da estação. Como esperado ali também não havia ninguém.
O jovem entra e encontra abrigo numa cama velha num canto do cômodo, deita-se nela encolhido como um feto, tentando preservar a vida. Ele sabe de sua culpa.
Fora ele que anos atrás roubara os papelotes dos traficantes do bairro e quando percebeu que foi descoberto jogou a culpa no irmão mais velho imaginando que o mesmo conseguiria resolver o assunto. Tiago tinha em seu irmão um espelho, achava que era forte e poderia decidir qualquer situação.
Mas a verdade mostrou-se outra, e quando o corpo de beto foi encontrado coberto de balas ele num ato de extrema covardia calou-se.
O tempo passou e o rapaz achou melhor enterrar essa historia, afinal nada traria seu irmão de volta. A não ser o ódio !
Deitado naquela cama suja ele começa a rezar :
“ pai nosso que estais no céu , santificado seja vosso nome...”
Mas sua oração é interrompida por um choro sufocado. Era Beto !
O espírito em lágrimas começou a narrar seu calvário desde as balas penetrando sua pele:
- quando aqueles furos pelo corpo levaram minha vida irmão, não foi a dor que senti nem os gritos do umbral , mas sim a lembrança daquele homem atormentando minha cabeça, seus traços apavorados quando eu puxei o gatilho...
Tiago sem entender levanta-se e tenta aproximar-se do irmão, mas é repelido com um gesto de mão e num olhar confuso pergunta:
- que gatilho Beto...que homem ?
O espírito pede silencio e continua seu relato
- lembra quando Mamãe precisava fazer aquele exame e não tínhamos dinheiro ?
- claro que sim. Papai disse que você fez um empréstimo na empresa pra pagar o exame.
Acho que você trabalhava naquela firma que o dono foi assassinado num assalto. Se eu não me engano.
Então o espírito de beto chorando copiosamente desabafou:
- eu não consegui aquele empréstimo irmão e numa atitude de raiva fui até a casa do meu chefe para rouba-lo mas com medo de ser preso atirei na cabeça dele.
Tiago surpreso com a revelação e sem palavras também desabou a chorar e pedindo novamente perdão desta vez de coração retornou a oração interrompida :
“ venha a nós o vosso reino agora e na hora de nossa morte. Amém “
Um Amém dito em voz alta pelos dois irmãos, que agora juntos buscavam reparar seus erros !
O relógio marcava 7 horas e o tilintar do despertador irrompeu pelo quarto.
Tiago suado acorda e percebe seu sonho, o coração ainda disparado pelas emoções de uma noite agitada. Levanta-se beija a testa de sua mãe na cozinha que preocupada aproxima-se e num gesto rápido levanta seus cabelos e pergunta:
Que galo é esse em sua cabeça meu filho ?
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
sábado, 12 de janeiro de 2008
ASSIM...
Por um metro de pernas me perdi
Caminho sem volta...
Enlouqueci
Mar revolto
Ambigüidade humana
Rastro de sonho
Instinto sem fim
Como espelho d’agua
Refleti seus olhos em mim
Degelo de alma
Dragão queimando a paixão
Uma cobra que morde
Um flerte mortal
Inexplicável desejo
Não sei te explicar
Sei que por um metro de pernas
Num caminho sem volta...
Me perdi
Enlouqueci
Morri !
Caminho sem volta...
Enlouqueci
Mar revolto
Ambigüidade humana
Rastro de sonho
Instinto sem fim
Como espelho d’agua
Refleti seus olhos em mim
Degelo de alma
Dragão queimando a paixão
Uma cobra que morde
Um flerte mortal
Inexplicável desejo
Não sei te explicar
Sei que por um metro de pernas
Num caminho sem volta...
Me perdi
Enlouqueci
Morri !
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
INDEFINIÇÕES DO AMOR
Mandaram-me falar de amor
Mas amor é palavra soberana
Sem adjetivos competentes
Nem definições convincentes
Amor é feito alma penada
Aparece como um susto
E vai embora feito pesadelo
Amor, amor...
Tão insensato e exclusivo de cada um
Que confunde-se com o tempo
Amor apaixonado
Amor resignado
Amor correspondido
Amor abandonado
Tantas formas e famas ele tem
Platônico
Excêntrico
Insano...
Amor caridoso
Amor da boca pra fora
Amor duvidoso
Existe o amor do tesão
Vem como fogo
Mas apaga no
Primeiro gozo
Existe o amor da paixão
Inexplicável
Dolorido
Indecente
Sufocante
Por vezes inconseqüente
Amor carente
Por todos e por
Ninguém
Também
A mim não dá
Amor não tem explicação
Nem definição
E assim como vocês
Me basta amar
Sem pedir
Nem cobrar
Porque o mesmo amor
Que me faz chorar
Me faz viver
Se um dia
Por um amor
Rasguei cartas
Por outro
Eu quis escrever
E sendo assim
Sem definição
Nem explicação
Eu chego ao fim !
Mas amor é palavra soberana
Sem adjetivos competentes
Nem definições convincentes
Amor é feito alma penada
Aparece como um susto
E vai embora feito pesadelo
Amor, amor...
Tão insensato e exclusivo de cada um
Que confunde-se com o tempo
Amor apaixonado
Amor resignado
Amor correspondido
Amor abandonado
Tantas formas e famas ele tem
Platônico
Excêntrico
Insano...
Amor caridoso
Amor da boca pra fora
Amor duvidoso
Existe o amor do tesão
Vem como fogo
Mas apaga no
Primeiro gozo
Existe o amor da paixão
Inexplicável
Dolorido
Indecente
Sufocante
Por vezes inconseqüente
Amor carente
Por todos e por
Ninguém
Também
A mim não dá
Amor não tem explicação
Nem definição
E assim como vocês
Me basta amar
Sem pedir
Nem cobrar
Porque o mesmo amor
Que me faz chorar
Me faz viver
Se um dia
Por um amor
Rasguei cartas
Por outro
Eu quis escrever
E sendo assim
Sem definição
Nem explicação
Eu chego ao fim !
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
INSPIRAÇÃO
Eu queria ser um Viking
Ter espírito de guerreiro
Conquista-la com minha espada
Fazer-te rainha do meu corpo
Eu queria ser pintor
Emoldura-la como for
Tingir seus lábios de vermelho vivo
E teus contornos a minha maneira
Perpetuando minhas marcas
Em seus detalhes
Eu queria ser dragão
Roubar-te com minhas garras
E queimar em brasas na paixão
Eu queria ser imortal
Pra esperar por você
Eternamente
Quem dera fosse um poeta
E sussurrar em seus ouvidos
Meus mais indecentes desejos
Mas não sou nada disso
Sou homem apenas
Nem guerreiro
Nem pintor
Homem apenas
Nem dragão
Nem imortal
Talvez um poeta
Porque só mesmo sendo
Um deles
Pra te querer antes mesmo
De existir
Ter espírito de guerreiro
Conquista-la com minha espada
Fazer-te rainha do meu corpo
Eu queria ser pintor
Emoldura-la como for
Tingir seus lábios de vermelho vivo
E teus contornos a minha maneira
Perpetuando minhas marcas
Em seus detalhes
Eu queria ser dragão
Roubar-te com minhas garras
E queimar em brasas na paixão
Eu queria ser imortal
Pra esperar por você
Eternamente
Quem dera fosse um poeta
E sussurrar em seus ouvidos
Meus mais indecentes desejos
Mas não sou nada disso
Sou homem apenas
Nem guerreiro
Nem pintor
Homem apenas
Nem dragão
Nem imortal
Talvez um poeta
Porque só mesmo sendo
Um deles
Pra te querer antes mesmo
De existir
MANIFESTO AO HOMEM
Quem somos nós ?
Vivemos entre anjos e demônios, entre homens e santos, entre o bem e o mal.
Buscamos o encontro entre as bocas
O encontro entre as almas
E o enlace das mãos
Quem somos nós ?
Sentimos amor e ódio
Ternura e rancor
Buscamos incessantes a paz, Mas somos guerreiros
Temos fome e temos sede
Contudo comemos a vida e secamos o mundo !
Buscamos nossas diferenças no próximo e não percebemos que somos iguais .
Vivemos de fases:
Crianças inocentes
Jovens adolescentes
E nos tornamos adultos inconseqüentes.
Nossos ídolos são de pedra e bronze. Construímos igrejas e templos de ouro
Mas fizemos nossa historia com sangue :
“ Cordeiro de Deus que livrai os pecados do mundo...
Tende piedade de nós “
Destruímos cada qual em nome de seu Deus
Mas somente um mesmo Deus sempre chora
Somos a soma de todos os medos
A soma de nossas derrotas
Quem somos nós ?
Humanos apenas !
Vivemos entre anjos e demônios, entre homens e santos, entre o bem e o mal.
Buscamos o encontro entre as bocas
O encontro entre as almas
E o enlace das mãos
Quem somos nós ?
Sentimos amor e ódio
Ternura e rancor
Buscamos incessantes a paz, Mas somos guerreiros
Temos fome e temos sede
Contudo comemos a vida e secamos o mundo !
Buscamos nossas diferenças no próximo e não percebemos que somos iguais .
Vivemos de fases:
Crianças inocentes
Jovens adolescentes
E nos tornamos adultos inconseqüentes.
Nossos ídolos são de pedra e bronze. Construímos igrejas e templos de ouro
Mas fizemos nossa historia com sangue :
“ Cordeiro de Deus que livrai os pecados do mundo...
Tende piedade de nós “
Destruímos cada qual em nome de seu Deus
Mas somente um mesmo Deus sempre chora
Somos a soma de todos os medos
A soma de nossas derrotas
Quem somos nós ?
Humanos apenas !
POETA
Escreve poeta
Escreve...
Rasgue linhas em papel de seda
Quem sabe um vento
Leva pra bem longe
Um pouco de ilusão !
Poeta
Mude as letras
Não fale mais de amor
Nem fale de dor
Chega de encontros e
Desencontros
Poeta
Pra quê contar de lágrimas
Escorrendo
ou sorrisos escondidos
não percorra mais corpo de mulher alguma
Poeta
Chega de beijos sem fim
Ou mãos que não param
Chega de querer sexo apenas
Chega de vampiros
Ou pernas e penas
Pare poeta
Chega de injurias ou lamentos
Não fale mais da lua ou do dol
Cansei de sentimentos
Pare com esses temas poeta
E rasgue as linhas com...
Rasgue as linhas
Melhor poeta
Rasgue a folha
E morra !
.
Escreve...
Rasgue linhas em papel de seda
Quem sabe um vento
Leva pra bem longe
Um pouco de ilusão !
Poeta
Mude as letras
Não fale mais de amor
Nem fale de dor
Chega de encontros e
Desencontros
Poeta
Pra quê contar de lágrimas
Escorrendo
ou sorrisos escondidos
não percorra mais corpo de mulher alguma
Poeta
Chega de beijos sem fim
Ou mãos que não param
Chega de querer sexo apenas
Chega de vampiros
Ou pernas e penas
Pare poeta
Chega de injurias ou lamentos
Não fale mais da lua ou do dol
Cansei de sentimentos
Pare com esses temas poeta
E rasgue as linhas com...
Rasgue as linhas
Melhor poeta
Rasgue a folha
E morra !
.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
POEMA DE UMA NOTA SÓ !
Se um dia nem uma palavra mais sair de mim
Ainda assim guardarei letras pra dizer
” Eu te amo “
Ainda assim guardarei letras pra dizer
” Eu te amo “
ANDARILHO
Sou um viajante solitário
Passageiro da agonia
Da alegria
Do viver
Sou um viajante solitário
Fiz da terra meu jardim
Meu quintal
Meu túmulo final
Sou homem humilde
Nada pedi
E também nada recebi
Vivo longe da maldade
Vivo só
Por conta de um amor
Que só deixou saudade
Sou um cavaleiro andante
No meu livro da vida foi escrito :
“Feito nos trilhos de uma vida errante “
Passageiro da agonia
Da alegria
Do viver
Sou um viajante solitário
Fiz da terra meu jardim
Meu quintal
Meu túmulo final
Sou homem humilde
Nada pedi
E também nada recebi
Vivo longe da maldade
Vivo só
Por conta de um amor
Que só deixou saudade
Sou um cavaleiro andante
No meu livro da vida foi escrito :
“Feito nos trilhos de uma vida errante “
UM FIM DE TARDE NO PASSADO
Antigamente as tardes eram sempre mais brilhantes e coloridas, o café com pão servido a mesa, com cheirinho de mãe sempre aliviava minha fome infantil.
Lembro-me da primeira bicicleta... uma Caloi preta serie ouro (que aliás não sei porque era preta. Deveria ser dourada ) tinha farol , buzina e rádinho am/fm. Verdade !
Um sucesso entre as meninas do bairro.
As vezes acho que a infância dura apenas um momento. E achamos que durou a medida da primeira decepção !
As manhãs frias eram protegidas com um agasalho Adidas azul marinho e Kichute com o cadarço infinitamente enorme, dando voltas sobre os pés ( isso sempre) era moda E quem se arriscaria fazer diferente .
Tive uma namorada sim, Martinha o nome dela ... namoradinha é claro. Foi meu primeiro beijo e olha que foi só no rosto mas tremi uma semana inteira.
Naquele tempo tremor ainda era apenas emoção ou medo. Tesão vem muito depois,
e confesso que sinto falta de quando não conhecia o tesão.
Ir pra escola pra mim sempre foi complicado, afinal adorava a liberdade da rua, mas estudei o suficiente. Hoje vejo que poderia ter estudado mais e brincado mais.
Lembro das corridas pelo quarteirão. Lembro da correria que a turma de baixo nos impunha , eram meninos mais velhos, todos com seus 12 pra treze anos ( pra nós uma assombro de velhice já ) como nossa visão muda.
Penso nos amigos que ainda vivem no recôncavo da memória:
Os vários Zés e Joãos, Pedrinhos aos montes... Gilson, Gelson, Carlinhos, Carlitos e por aí vai. Que foi feito deles ?
Quantos médicos saíram dali ? Advogados, engenheiros... policiais, bancários. Enfim... Somos a mola do mundo. Sempre somos !
Lembro do cachorro do vizinho que botava a gente pra correr todo dia.
E nossa, como eram boas as peladas jogadas na rua, carros quase não passavam e se passavam sempre esperavam pra ver se a jogada terminava em gol!
Existia o Dr Sidharta um nem sei o quê, porque não lembro mais. Tinha medo dele, achava que era um profeta ou algo parecido. Isso por causa do nome " Sidharta "
Em minha casa existiam aquelas cadeira feitas com cordões de plástico, que ficavam na varanda , e minhas tias ficavam tricotando com fios feitos de saquinho de leite Leco.
Eu achava aquilo chique !
Meu pai chegava do trabalho e sentávamos todos a mesa pro jantar, era o máximo, sentia que meu líder, meu herói havia chegado. Erámos em 3 irmãos, e eu claro era o mais novo. Divertido esse momento. Ficava olhando meu pai admirado. Pra mim estava diante de um Deus. Ri muito naquela mesa. Acho que nunca ri com inocência na vida como naqueles momentos.
As 7 da manhã em ponto o padeiro passava numa kombi branca, chamando a todos em seu falante. Só ele pra me acordar essa hora. Aquele cheiro invadia a rua, impossível esquecer. É...doce infância recheada de pão doce !
Cresci assim. Entre minha Caloi especial e meus Kichutes.
Entre amigos e namoradinhas
Cesci na escola ou matando aula..
Cesci com meus pais a mesa e entre tias na varanda.
Cresci pelos quarteirões da infância
Cresci entre peladas de meia .
Cresci entre Doutores ou muitos “ ninguéns “
Mas aí a primeira decepção chegou e enterrou minha infância no fundo da memória.
Ainda passo pelo bairro, a rua está lá, a casa está lá. Nossos nomes ainda gravados nas mesmas árvores.
E embora eu possa hoje pegar meu carro e passear pela rua, desde que cresci jamais lembrei o caminho de voltar !
Lembro-me da primeira bicicleta... uma Caloi preta serie ouro (que aliás não sei porque era preta. Deveria ser dourada ) tinha farol , buzina e rádinho am/fm. Verdade !
Um sucesso entre as meninas do bairro.
As vezes acho que a infância dura apenas um momento. E achamos que durou a medida da primeira decepção !
As manhãs frias eram protegidas com um agasalho Adidas azul marinho e Kichute com o cadarço infinitamente enorme, dando voltas sobre os pés ( isso sempre) era moda E quem se arriscaria fazer diferente .
Tive uma namorada sim, Martinha o nome dela ... namoradinha é claro. Foi meu primeiro beijo e olha que foi só no rosto mas tremi uma semana inteira.
Naquele tempo tremor ainda era apenas emoção ou medo. Tesão vem muito depois,
e confesso que sinto falta de quando não conhecia o tesão.
Ir pra escola pra mim sempre foi complicado, afinal adorava a liberdade da rua, mas estudei o suficiente. Hoje vejo que poderia ter estudado mais e brincado mais.
Lembro das corridas pelo quarteirão. Lembro da correria que a turma de baixo nos impunha , eram meninos mais velhos, todos com seus 12 pra treze anos ( pra nós uma assombro de velhice já ) como nossa visão muda.
Penso nos amigos que ainda vivem no recôncavo da memória:
Os vários Zés e Joãos, Pedrinhos aos montes... Gilson, Gelson, Carlinhos, Carlitos e por aí vai. Que foi feito deles ?
Quantos médicos saíram dali ? Advogados, engenheiros... policiais, bancários. Enfim... Somos a mola do mundo. Sempre somos !
Lembro do cachorro do vizinho que botava a gente pra correr todo dia.
E nossa, como eram boas as peladas jogadas na rua, carros quase não passavam e se passavam sempre esperavam pra ver se a jogada terminava em gol!
Existia o Dr Sidharta um nem sei o quê, porque não lembro mais. Tinha medo dele, achava que era um profeta ou algo parecido. Isso por causa do nome " Sidharta "
Em minha casa existiam aquelas cadeira feitas com cordões de plástico, que ficavam na varanda , e minhas tias ficavam tricotando com fios feitos de saquinho de leite Leco.
Eu achava aquilo chique !
Meu pai chegava do trabalho e sentávamos todos a mesa pro jantar, era o máximo, sentia que meu líder, meu herói havia chegado. Erámos em 3 irmãos, e eu claro era o mais novo. Divertido esse momento. Ficava olhando meu pai admirado. Pra mim estava diante de um Deus. Ri muito naquela mesa. Acho que nunca ri com inocência na vida como naqueles momentos.
As 7 da manhã em ponto o padeiro passava numa kombi branca, chamando a todos em seu falante. Só ele pra me acordar essa hora. Aquele cheiro invadia a rua, impossível esquecer. É...doce infância recheada de pão doce !
Cresci assim. Entre minha Caloi especial e meus Kichutes.
Entre amigos e namoradinhas
Cesci na escola ou matando aula..
Cesci com meus pais a mesa e entre tias na varanda.
Cresci pelos quarteirões da infância
Cresci entre peladas de meia .
Cresci entre Doutores ou muitos “ ninguéns “
Mas aí a primeira decepção chegou e enterrou minha infância no fundo da memória.
Ainda passo pelo bairro, a rua está lá, a casa está lá. Nossos nomes ainda gravados nas mesmas árvores.
E embora eu possa hoje pegar meu carro e passear pela rua, desde que cresci jamais lembrei o caminho de voltar !
domingo, 6 de janeiro de 2008
LA LUNA
Me diz quem é você ?
Assim toda triste..
Te sinto padecer em mim
Ao seu lado minha vida mingua
teu branco quase nem brilha
Sinto muito mas quero vida
E a sua é minguante !
Mas e você ?
Que em meu quarto quer crescer
Branca e solícita aos meus desejos
Por ti também passo
E fecho meu quarto Crescente !
Eu sei quem é você
Que em pequenos detalhes se mostra
Lua tímida...
Virgem do Cêu
Vou passar e seguir meu caminho
lua doce e nova
Ah ! mas você sim lua bela
Rainha do firmamento
Satélite de Deus
Teu brilho me cega de emoção
Pra te alcançar viro um astronauta
Mesmo que de lata
E num foguete de gelo
Corro ao seu encontro
lua cheia
Por ti uivo de paixão !
Assim toda triste..
Te sinto padecer em mim
Ao seu lado minha vida mingua
teu branco quase nem brilha
Sinto muito mas quero vida
E a sua é minguante !
Mas e você ?
Que em meu quarto quer crescer
Branca e solícita aos meus desejos
Por ti também passo
E fecho meu quarto Crescente !
Eu sei quem é você
Que em pequenos detalhes se mostra
Lua tímida...
Virgem do Cêu
Vou passar e seguir meu caminho
lua doce e nova
Ah ! mas você sim lua bela
Rainha do firmamento
Satélite de Deus
Teu brilho me cega de emoção
Pra te alcançar viro um astronauta
Mesmo que de lata
E num foguete de gelo
Corro ao seu encontro
lua cheia
Por ti uivo de paixão !
sábado, 5 de janeiro de 2008
Essa é uma estória de paixão e morte, que mexeu tanto comigo que a mim cabe apenas contá-la!
UM MINUTO PRA VIVER
A madrugada fria de junho batia forte na estrada, eram 02:30 da madrugada e Fernando voltava pra casa depois de uma semana de trabalho.
Fernando era um homem jovem ainda, contava naquela época 27 anos e trabalhava como representante de vendas
em uma industria farmacêutica.
Ambicioso trabalhava por vezes viajando por todo tipo de cidade. Tinha seus objetivos na vida e sabia que só alcançaria com muito esforço, e isso não lhe faltava!
Subitamente uma chuva forte o fez buscar abrigo num auto-posto, iria aproveitar a parada e comer alguma coisa.
Mal havia descido do carro e uma mulher em desabalada carreira aproximou-se ofegante
- Moço..moço, por favor que dia é hoje?
- 14 de junho. Por quê? Quis saber Fernando.
- Em que ano estamos?
Fernando segurou o riso um tanto embasbacado com cena tão estranha..
- Não sabe em que ano estamos moça?
- Por favor !! Pediu a mulher quase em prantos.
O rapaz percebeu que o momento não era de brincadeira;
- Estamos em 1997 moça, o que houve com você?
A jovem de olhos azuis e lindos cabelos negros pôs-se a chorar e repetir várias vezes as mesma frase:
- Amanhã já é dia 15
- Amanhã já é dia 15
Fernando intrigado quis saber o que tinha de importante o dia seguinte, mas a jovem subitamente mudou de assunto e
pediu uma carona até a cidade mais próxima.
Fernando aceitou de pronto o pedido, mas antes sugeriu um lanche, uma vez que a chuva caía torrencialmente ainda.
Assim sendo, entraram juntos naquele posto para comer algo. Sem saber o rapaz traçava seu destino de maneira definitiva!
Enquanto comiam, Fernando admirava aquela moça tão estranha e bela. Mulher de pele muita clara com cabelos negros e olhos faiscantes.
Não era muito alta, mas tinha um corpo moldado e delicado ... ele sentia que algo mudava em sua cabeça.
- Então, ainda não disse seu nome...
- Meu nome é Vivian, disse a jovem já abaixando a cabeça num sorriso envergonhado.
- Do que está rindo? Perguntou o rapaz
- Estou com vergonha da forma como me conheceu...cheguei desesperada e agora estou aqui nessa mesa com você e nem me apresentei direito, me desculpe !
- Não seja por isso, -disse Fernando- já se levantando e estendendo a mão.
- Muito prazer Dona Vivian, meu nome é Fernando.
A jovem solícita levantou-se também e correspondendo ao aperto de mão respondeu:
- o prazer é todo meu senhor Fernando (os dois riram da brincadeira.)
Finalmente a chuva parou e resolveram seguir viagem.
Fernando não sabia, mas sua viagem estava apenas começando e seu fim estava traçado!
A noite caía como um manto de breu e dentro daquele carro as coisas esquentavam.
Vivian era uma mulher sedutora insinuava-se para o rapaz de maneira sutil, mas decidida.
- Me conta Fernando, você é casado ?
- Não, não. Aliás, atualmente nem namorada eu tenho, acho que não dou sorte com mulher.
- Porque não dá sorte?
- Sei lá, não encontro uma que me queira.
- disso eu duvido, você é um homem lindo !
O rapaz olhou dentro dos olhos da moça e sentindo uma vontade imensa de beijar-lhe as lábios agradeceu o elogio.
um silencio reinou dentro do veículo .
minutos incontáveis de agonia quebrada repentinamente pela jovem:
- eu tambem sinto vontade...
- como assim ?
beijar você.a mesma vontade que está sentindo por mim eu estou por você.
Fernando admirado e um tanto sem ação encostou o carro e cobriu-lhe o corpo com seu olhar, de repente seus lábios se encontraram num beijo apaixonado e delirante.
Em pouco tempo estavam dentro de um motel desses de estrada, foram horas de amor sem fim onde Fernando apaixonou-se perdidamente.
Amanhecia quando entraram em São Paulo, o ritmo frenético da cidade contrastava com o cansaço dos dois, Fernando quis levá-la pra casa, mas Vivian recusou dizendo que por hora preferia deixar assim.
Durante meses viveram um louco amor repleto de juras e promessas, o rapaz alucinado fazia planos de casamento e já nem trabalhava direito, mas então numa noite seu telefone não tocou e não tocou também no dia seguinte e no outro...
Uma semana depois finalmente o maldito telefone toca, era Vivian pedindo um encontro. (naquele momento as cartas estavam na mesa!)
Encontraram-se no parque Ibirapuera sob as sombras gostosas de lá, Fernando era uma agonia só e queria entender o porquê do sumiço da moça:
- Porque me deixou assim amor ? Sabe que te quero demais
- Sei disso tudo meu querido, mas não posso mais ficar com você !
- Como não pode ? o que houve ?
- vai ser difícil de entender e aceitar, mas queria que soubesse que eu te amo muito e por te amar assim peço que não me procure mais.
Fernando desesperado começou a gritar e acusar a jovem de traição e mentira, mas Vivian mesmo por entre lágrimas se manteve irredutível.
O rapaz num misto de raiva e decepção levantou-se e chamando-a de vagabunda foi-se embora, mas o medo da perda e o amor sufocante que sentia o fez voltar pra se desculpar, infelizmente no lugar da jovem apenas uma carta descansava sobre o banco, Fernando abriu com dedos trêmulos e num olhar confuso pôs-se a ler:
---------------------------------------------------------------------
Amor meu !
Nunca passei meses mais felizes que os vividos ao seu lado, mas essa felicidade não me é permitida, siga sua vida e seja feliz, porque jamais seria comigo!
Esqueça-me pra sempre e não me procure mais !
Desista de mim porque eu desisti de viver a muito tempo !
Vivian
---------------------------------------------------------------------
Meu amigo não aceitou as palavras daquela mulher e angustiado foi embora decidido a encontrá-la novamente.
Foi exatamente nessa época que nos conhecemos.
Fernando tornou-se um homem amargo e descontrolado, vivia em bares bebendo e farreando a noite toda, o pouco que construíra já havia perdido, estava em ruínas.
Numa noite encontrei-o jogado numa sarjeta todo sujo e ensangüentado, levei-o pra casa e cuidei de seus machucados, no dia seguinte perguntei por que se destruía tanto e as palavras dele me assustaram.
Contou-me sua história e terminou dizendo assim:
- Só vou desistir de minha busca quando encontrá-la!
Passaram-se anos de nossa conversa e meu amigo nunca desistiu. Fernando virou um trapo humano, afastando-se da família e dos amigos, a imagem de Vivian assombrava suas noites e a loucura tomou conta dele.
Eu assim como todos só pudemos acompanhar de longe aquele suicídio lento e doloroso. Certa noite um telefonema dos bombeiros acabou com nossa agonia, Fernando pulara da sacada de seu apartamento, era o fim de uma vida de angustia e dor. No dia de seu enterro, após 4 horas ao sol e muitos lamentos resolvi caminhar pelo cemitério até o portão então pude finalmente descobrir quem era Vivian, ao sentar em um velho túmulo pra descansar, meus braços tremeram e meu coração queria saltar pela boca, a mesma boca que muda de pânico apenas balbuciou as palavras que vi naquela lápide:
UM DIA MORRI POR AMOR E SÓ MESMO O AMOR ME FARÁ RENASCER, NEM QUE SEJA POR APENAS UM MINUTO DE VIDA!
Abaixo do epitáfio apenas uma foto e a data.
Era a foto da jovem que meu amigo buscou com tanta paixão somente o primeiro nome estava visível :
Vivian
Falecida em 14 de junho de 1938.
FIM
UM MINUTO PRA VIVER
A madrugada fria de junho batia forte na estrada, eram 02:30 da madrugada e Fernando voltava pra casa depois de uma semana de trabalho.
Fernando era um homem jovem ainda, contava naquela época 27 anos e trabalhava como representante de vendas
em uma industria farmacêutica.
Ambicioso trabalhava por vezes viajando por todo tipo de cidade. Tinha seus objetivos na vida e sabia que só alcançaria com muito esforço, e isso não lhe faltava!
Subitamente uma chuva forte o fez buscar abrigo num auto-posto, iria aproveitar a parada e comer alguma coisa.
Mal havia descido do carro e uma mulher em desabalada carreira aproximou-se ofegante
- Moço..moço, por favor que dia é hoje?
- 14 de junho. Por quê? Quis saber Fernando.
- Em que ano estamos?
Fernando segurou o riso um tanto embasbacado com cena tão estranha..
- Não sabe em que ano estamos moça?
- Por favor !! Pediu a mulher quase em prantos.
O rapaz percebeu que o momento não era de brincadeira;
- Estamos em 1997 moça, o que houve com você?
A jovem de olhos azuis e lindos cabelos negros pôs-se a chorar e repetir várias vezes as mesma frase:
- Amanhã já é dia 15
- Amanhã já é dia 15
Fernando intrigado quis saber o que tinha de importante o dia seguinte, mas a jovem subitamente mudou de assunto e
pediu uma carona até a cidade mais próxima.
Fernando aceitou de pronto o pedido, mas antes sugeriu um lanche, uma vez que a chuva caía torrencialmente ainda.
Assim sendo, entraram juntos naquele posto para comer algo. Sem saber o rapaz traçava seu destino de maneira definitiva!
Enquanto comiam, Fernando admirava aquela moça tão estranha e bela. Mulher de pele muita clara com cabelos negros e olhos faiscantes.
Não era muito alta, mas tinha um corpo moldado e delicado ... ele sentia que algo mudava em sua cabeça.
- Então, ainda não disse seu nome...
- Meu nome é Vivian, disse a jovem já abaixando a cabeça num sorriso envergonhado.
- Do que está rindo? Perguntou o rapaz
- Estou com vergonha da forma como me conheceu...cheguei desesperada e agora estou aqui nessa mesa com você e nem me apresentei direito, me desculpe !
- Não seja por isso, -disse Fernando- já se levantando e estendendo a mão.
- Muito prazer Dona Vivian, meu nome é Fernando.
A jovem solícita levantou-se também e correspondendo ao aperto de mão respondeu:
- o prazer é todo meu senhor Fernando (os dois riram da brincadeira.)
Finalmente a chuva parou e resolveram seguir viagem.
Fernando não sabia, mas sua viagem estava apenas começando e seu fim estava traçado!
A noite caía como um manto de breu e dentro daquele carro as coisas esquentavam.
Vivian era uma mulher sedutora insinuava-se para o rapaz de maneira sutil, mas decidida.
- Me conta Fernando, você é casado ?
- Não, não. Aliás, atualmente nem namorada eu tenho, acho que não dou sorte com mulher.
- Porque não dá sorte?
- Sei lá, não encontro uma que me queira.
- disso eu duvido, você é um homem lindo !
O rapaz olhou dentro dos olhos da moça e sentindo uma vontade imensa de beijar-lhe as lábios agradeceu o elogio.
um silencio reinou dentro do veículo .
minutos incontáveis de agonia quebrada repentinamente pela jovem:
- eu tambem sinto vontade...
- como assim ?
beijar você.a mesma vontade que está sentindo por mim eu estou por você.
Fernando admirado e um tanto sem ação encostou o carro e cobriu-lhe o corpo com seu olhar, de repente seus lábios se encontraram num beijo apaixonado e delirante.
Em pouco tempo estavam dentro de um motel desses de estrada, foram horas de amor sem fim onde Fernando apaixonou-se perdidamente.
Amanhecia quando entraram em São Paulo, o ritmo frenético da cidade contrastava com o cansaço dos dois, Fernando quis levá-la pra casa, mas Vivian recusou dizendo que por hora preferia deixar assim.
Durante meses viveram um louco amor repleto de juras e promessas, o rapaz alucinado fazia planos de casamento e já nem trabalhava direito, mas então numa noite seu telefone não tocou e não tocou também no dia seguinte e no outro...
Uma semana depois finalmente o maldito telefone toca, era Vivian pedindo um encontro. (naquele momento as cartas estavam na mesa!)
Encontraram-se no parque Ibirapuera sob as sombras gostosas de lá, Fernando era uma agonia só e queria entender o porquê do sumiço da moça:
- Porque me deixou assim amor ? Sabe que te quero demais
- Sei disso tudo meu querido, mas não posso mais ficar com você !
- Como não pode ? o que houve ?
- vai ser difícil de entender e aceitar, mas queria que soubesse que eu te amo muito e por te amar assim peço que não me procure mais.
Fernando desesperado começou a gritar e acusar a jovem de traição e mentira, mas Vivian mesmo por entre lágrimas se manteve irredutível.
O rapaz num misto de raiva e decepção levantou-se e chamando-a de vagabunda foi-se embora, mas o medo da perda e o amor sufocante que sentia o fez voltar pra se desculpar, infelizmente no lugar da jovem apenas uma carta descansava sobre o banco, Fernando abriu com dedos trêmulos e num olhar confuso pôs-se a ler:
---------------------------------------------------------------------
Amor meu !
Nunca passei meses mais felizes que os vividos ao seu lado, mas essa felicidade não me é permitida, siga sua vida e seja feliz, porque jamais seria comigo!
Esqueça-me pra sempre e não me procure mais !
Desista de mim porque eu desisti de viver a muito tempo !
Vivian
---------------------------------------------------------------------
Meu amigo não aceitou as palavras daquela mulher e angustiado foi embora decidido a encontrá-la novamente.
Foi exatamente nessa época que nos conhecemos.
Fernando tornou-se um homem amargo e descontrolado, vivia em bares bebendo e farreando a noite toda, o pouco que construíra já havia perdido, estava em ruínas.
Numa noite encontrei-o jogado numa sarjeta todo sujo e ensangüentado, levei-o pra casa e cuidei de seus machucados, no dia seguinte perguntei por que se destruía tanto e as palavras dele me assustaram.
Contou-me sua história e terminou dizendo assim:
- Só vou desistir de minha busca quando encontrá-la!
Passaram-se anos de nossa conversa e meu amigo nunca desistiu. Fernando virou um trapo humano, afastando-se da família e dos amigos, a imagem de Vivian assombrava suas noites e a loucura tomou conta dele.
Eu assim como todos só pudemos acompanhar de longe aquele suicídio lento e doloroso. Certa noite um telefonema dos bombeiros acabou com nossa agonia, Fernando pulara da sacada de seu apartamento, era o fim de uma vida de angustia e dor. No dia de seu enterro, após 4 horas ao sol e muitos lamentos resolvi caminhar pelo cemitério até o portão então pude finalmente descobrir quem era Vivian, ao sentar em um velho túmulo pra descansar, meus braços tremeram e meu coração queria saltar pela boca, a mesma boca que muda de pânico apenas balbuciou as palavras que vi naquela lápide:
UM DIA MORRI POR AMOR E SÓ MESMO O AMOR ME FARÁ RENASCER, NEM QUE SEJA POR APENAS UM MINUTO DE VIDA!
Abaixo do epitáfio apenas uma foto e a data.
Era a foto da jovem que meu amigo buscou com tanta paixão somente o primeiro nome estava visível :
Vivian
Falecida em 14 de junho de 1938.
FIM
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