quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

QUARTA FEIRA

Vou despir minha fantasia
Trocar minha máscara de magia
Voltar ao velho e surrado jeans
Minha boca vermelha de tantos beijos
Emudecem outra vez
Já brinquei meu carnaval
Amei um Pierro
Enquanto Colombina
Mas hoje é quarta-feira
Ontem fui mulher
Agora volto a ser
menina

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

SONHOS IMPRÓPRIOS

Teus beijos em mim
Ah, teus beijos
Teus abraços envolvendo-me
Ah, teus abraços
Tuas mãos tocando as minhas
Ah. Tuas mãos
Teu corpo sobre o meu
Ah, teu corpo
Teus olhos invadindo meus sonhos
Ah, teus olhos
Tuas roupas caindo pra mim
Ah, tuas roupas
Teu sabor marcando meus lábios
Ah, teu sabor
Teu cheiro invadindo-me todo
Ah, teu cheiro
Minha loucura aflorando
Ah, minha loucura
Meu tesão aumentando
Ufa !
Acordei...

UM SUSPIRO

Quando morrer quero champagne e porque não dizer canapés de camarão
afinal...não é sempre que se morre !

PELOS JARDINS

Num jardim repleto de vida e cor
Te avistei
Misturava-se as rosas e as tulipas
As vezes brejeira entre orquídeas
As vezes faceira entre crisântemos
Mas as vezes...
Muito as vezes mulher
Definida em cânticos de paixão

Senti-me beija flor, voando ao seu redor
Jardineiro da ilusão
Semeando meu coração

domingo, 27 de janeiro de 2008

UMA MANHÃ QUALQUER

O primeiro semestre de 1999 foi especialmente dificil em minha vida. Um desemprego tomou meu dia a dia de assalto e em minha luta diária , saia todos os dias as 6 da manhã em busca de uma nova oportunidade.
Como o dinheiro era escasso eu caminhava bons quarteirões até o centro da cidade. Nesse caminho passava por uma praça muito agradável e avistava toda manhã um casal de idosos alimentando os pássaros do jardim. Eram pombos. Sentava-me sempre em seus bancos regiamente cobertos por sombras de suas frondosas árvores. Era alí que vasculhava meu jornal em busca de algo interessante. O vento do outono gelava meu rosto e banhava-me em folhas, e a visão daquele casal feliz em sua rotina diária me provocava sentimentos que não conseguia compreender.
enquanto o velhinho perdia-se entre as pombas, alimentando-as e alimentando também sua alma, aquela linda vovózinha toda arrumada, postava-se solenemente ao seu lado segurando o pacote de milho. A visão daquele casal enchia-me de ãnimo e esperança para os dias que se seguiam. Isso aconteceu durante meses, religiosamente todas as manhãs.
Mas um dia, ao descansar em minha praça, avistei apenas o velho alimentando mais uma vez seus pássaros.
Um tanto sem jeito resolvi me aproximar e sem saber o que dizer fiquei a observar intrigado a ausencia da velhinha.
Nesse momento o homem vira-se pra mim e diz :
- já arrumou emprego moço ?
Assustado indaguei sobre a pergunta, curioso pra entender como ele sabia de minha situação.
e o velho respondeu:
- sempre comentei com minha patroa " Maria, esse moço todo dia de manhã senta aqui marcando e remarcando seu jornal. Se Deus quiser logo ele vai arrumar um bom emprego "
Atônito por saber que além de espectador da vida alheia era também espetáculo para os outros, apenas balançei minha cabeça negativamente dizendo:
- ta muito dificil a vida meu senhor....
E me desmanchei em lamentos por longos minutos. O velho envolvido em seus pombos apenas ouvia.
Então, calmamente, ele sentou-se ao meu lado e falou :
- menino, a vida é facil e boa demais. Veja meu caso, tenho já 85 anos. Vivi sucessos e fracassos, amei e fui amado....empregos já passei por vários e ontem minha mulher morreu dormindo ao meu lado. vivemos juntos desde os 20 anos de idade, chorei em seu velório e depositei lindas tulipas em seu enterro. ela adorava tulipas...mas ainda existem muitos pássaros nesse mundo de Deus para serem alimentados, por isso moço, ao acordar hoje cedo, peguei meu saco de ração e vim dar de comer aos pombos novamente.
ao ouvir aquilo, beijei as mãos daquele doce velhinho como a pedir benção e fui-me embora.
coincidentemente, naquele final de tarde meu telefone tocou e uma entrevista a muito desejada foi marcada para a manhã seguinte. Voltei da entrevista com meu tão sonhado emprego, e no meu primeiro dia de trabalho saí ainda mais cedo de casa, queria dar a noticia ao meu bom amigo.
Mas estranhamente ele não estava entre aquelas pombinhas, rodei a praça toda e nada...
Procurei um guarda que sempre fazia rondas por alí e perguntei sobre o ancião. O guarda de cabeça baixa respondeu :
-triste amigo, mas seu Juca faleceu ontem, acho que de saudade da mulher, viveram juntos a vida inteira na terra e agora vão viver assim no céu também !
Fui embora arrasado, meus olhos marejados de lágrimas...
naquela manhã de trabalho, troquei minha felicidade por uma leve satisfação apenas.
Repentinamente uma vontade tomou conta de mim e no outro dia logo cedo, antes mesmo do sol despontar, saí, comprei um saco de ração e fui alimentar os pombos de meus velhinhos, afinal os coitados não podiam morrer de fome.
Feliz entre eles pensei comigo
" o mundo é feito de homens e pássaros também "

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O ELEVADOR

Enquanto isso em alguma grande cidade do mundo...


-acho que se você não tem capacidade pra realizar o trabalho, deveria parar de criticar Simone.
- e quem disse que eu não tenho? ora Paulo, com qual autoridade você diz isso ? olha pra você cara..acabou de sair da faculdade agora e quer me ensinar a trabalhar...fique sabendo que trabalho nisso a 10 anos já.
- tudo bem que trabalha a mais tempo que eu, sei disso, mas isso não significa que seu trabalho é melhor
- pois pra mim você não passa de um garoto. E verdinho ainda.
-e você Simone ? 40 anos e solteira...estranho não acha ?- ta querendo dizer o que com isso rapaz ?
Nesse momento Dr Mário entra na sala.
- mas o que está acontecendo aqui ?
Um silencio tomou conta do ambiente.
O empresário experiente, entendeu a situaçã,o e chamando a atenção de ambos pela exagerada competição, determinou que naquele momento fossem embora pra casa, essa conversa poderia continuar amanhã sem problema algum. Afinal já passavam das dez da noite e só eles encontravam-se ainda na empresa. O chefe ficaria por mais um tempo.
Saíram cabisbaixos e emputecidos um com o outro. Ambos sentiam-se ameaçados.
Teriam que dividir o mesmo elevador por longos 28 andares ladeira abaixo. Tentaram entrar juntos e acabaram se esbarrando, Paulo tentou um momento de educação ao oferecer passagem primeiro a Simone, mas a mulher com ar austero indicou com um leve movimento de cabeça pra que ele fosse na frente. Ele foi !
Enquanto o elevador iniciava sua descida, duas pessoas dentro de um mesmo cubo de metal conseguiam transformar um ambiente já frio por natureza numa absoluta era glacial. Sem que eles soubessem uma tempestade armava-se lá fora e um raio atingiu o topo do edifício, fazendo com que aquele gigante de concreto e ferro ficasse totalmente as escuras.
Um choque e uma parada brusca do elevador iria transformar aquela noite .
Por alguns minutos tentaram em vão chamar a zeladoria com o interfone mas nada, ninguém respondia. Um escuro absoluto reinava no ambiente, praticamente nem se viam. Foi quando Simone resolveu quebrar o silencio com palavras autoritárias.
- quando você vai resolver pegar o celular e pedir socorro ?
- ei, to falando com você Paulo, não vai responder não ?
- meu celular ta na minha pasta e não enxergo nada, como vou desfazer o código do cadeado ?
- não acredito que fez isso. E agora ? o que vamos fazer ?
Paulo já praguejando contra o mundo por estar preso no elevador com aquela mulher que ele odiava, num ar irônico respondeu :
- você não tem celular ? achei que uma diretora tão competente como você precisasse estar sempre disponível.
É claro que tenho celular seu idiota, apenas tive a ilusão de achar que fosse um cavalheiro.
- ah. Agora você espera que eu seja um cavalheiro...bom moço né ? engraçado que a 15 minutos atrás eu não servia pra nada. Pois quer saber, dane-se. Eu não tenho medo de escuro mesmo.
A mulher nervosa acende um cigarro.
- não sabia que fumava Simone.
- estou tentando parar. Porque? A fumaça te incomoda ?
- não, claro que não. Eu também fumo. Só que também tranquei meu cigarro na pasta !
Segundos de silencio foram quebrados por gargalhadas de ambos com a situação que estavam vivendo.
-sirva-se do meu maço. Fique a vontade
Paulo fez bom uso da oferta e sentiu-se aliviado após a primeira tragada.
Depois de alguns minutos de escuridão seus olhos já estavam mais acostumados e o rapaz já podia vislumbrar os traços daquela mulher.
Simone era uma executiva típica. Corpo esguio, cabelos bem tratados, óculos sempre de grife. Vestia-se invariavelmente com saias pouco abaixo do joelho e blusas com decotes senão extravagantes no mínimo provocantes.
A mulher sentiu-se observada e indagou:
- que foi ? porque ta me olhando assim ?
-desculpe. Estava apenas admirando você. Disse o rapaz.
-garoto, garoto. Estou te estranhado. Não foi você mesmo que me chamou de quarentona ?
-chamei mesmo, mas por favor me desculpe. Estava apenas contrariado.
- não se preocupe, sou mesmo uma quarentona.
- sim é. Mas também é uma linda mulher.
Nova pausa se abateu sobre ambos
Simone sentiu-se subitamente atraente e usando o cansaço como desculpa sentou no chão do elevador, mas pra isso precisou erguer um pouco sua saia deixando a mostra pernas generosas e lisas.
Disfarçando a intenção de sua atitude a mulher também começa a analisar o exemplar masculino a sua disposição.
Aquele menino homem era muito bonito. Alto, porte atlético e olhos absurdamente azuis. Cabelos pretos e longos descansavam pouco acima dos ombros.
De repente aquela executiva rígida e competitiva viu-se imaginando nos braços do rapaz.
Paulo percebeu que igualmente era observado. Um calor tomou conta de ambiente.
O rapaz jogou seu cigarro ao chão, pisando sobre ele, então tirou sua camisa.
- não estou agüentando de calor. Te incomoda ?.
Simone ao ver peitos tão saudáveis não resistiu e tomada de desejo avançou sobre o agora homem.mordeu-lhe o peito deixando que a pele arrepiasse completamente.
Paulo sem pensar em nada invadiu a blusa arrancando os seios pra fora e sugando com sede cada um deles. transpiravam paixão naquele momento.
As roupas caiam uma a uma e Simone decidida ajoelhou-se pegando com as duas mãos o membro ereto do rapaz deixando-se invadir até o fundo da garganta num vai e vem frenético e alucinado. As mãos do rapaz bagunçavam os cabelos da mulher e entre gemidos e barulhos molhados um gozo invadiu de satisfação a boca da executiva.
Do jeito que estava Simone deitou-se de pernas abertas e trouxe com ela o jovem que com sua saúde juvenil encontrava-se pronto pra mais e mais.
A mulher vibrava com a vitalidade daquele corpo que a penetrava profundamente, não trocavam palavras, apenas gemiam e gritavam de prazer.
Era a festa da carne em sua mais absoluta expressão. A mulher gozava incessantemente enquanto o rapaz incansável continuava seus movimentos ritmados e torturantes !
Já torciam pra que aquela noite jamais acabasse pra continuarem naquela batalha carnal eternamente.
Mas como eternamente também tem fim, a luz voltou.
E ambos, desesperados, trocaram-se rapidamente. Um cheiro de sexo pairava no elevador.
A porta se abriu e apressadamente os dois saíram dirigindo-se cada um para seu lado.
Simone em direção da garagem:
- rapazinho insuportável
Ele em direção do metrô
- Deus do céu que mulher pedante

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

PELOS BARES DA VIDA

...e depois de centenas de beijos ao meu redor
E milhares de juras infindáveis de amor
Escondido entre a fumaça do meu cigarro
Afoguei-me na cerveja.
Bendita solidão !

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

NOITE DE AMOR

Hoje a noite é nossa
Vou brindar a luz das estrelas
Enluarar teu corpo entre panos hostis
Panos que teimam em não cair

No reflexo da lua cheia
Derramar o melhor vinho em você
Beber - te
Gota a gota
Em momentos suplicantes de tesão

Hoje meu nome é delírio
E o seu é paixão

Hoje a noite é nossa
Vou gritar aos quatro cantos desse mundo
O quanto me completa
Vamos queimar na febre do gozo
Não será uma noite de amor
Nem dor ou pudor
Será de gritos e amassos
Fome
Sede
Pedaços

Vou viver cada segundo do meu tempo nessa noite
Calando a vontade cega
Sugando a alma nua do teu corpo nu
Mordendo teus segredos
Desvendando teus mistérios
Desfazendo teus medos

Hoje a noite é nossa
E meu nome é delírio
Enquanto o seu é paixão
Por isso vem rolar na cama
Vem rolar no chão

Por enquanto a noite é nossa
Mas amanhã
Não !

sábado, 19 de janeiro de 2008

ESPERA

Solitário é o sol que deita-se toda noite sem a lua.
Eu não !
Apenas espero você chegar...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

BRISA

Senti o silencio ao meu redor
Palavra alguma
Nem sussurros
Nem cantos
Então meu coração medroso
Bateu
Bateu
Bateu
Como dói a saudade !

SOBRE AMORES PASSADOS

Presumo que de tudo na vida
Só mesmo os espinhos das rosas marcaram minha pele
Contudo, por mais que sangrasse eu jamais deixei de visitar
Seu jardim !

A ESTAÇÃO

Alô !
- oi meu bem. Que horas ? Nossa onze da noite ?, tudo bem .Espero você lá na plataforma então. É claro que não vou deixar você pegar o metrô sozinha essa hora Nanda. Tá louca ?
Ta bem . eu te amo também
Beijo !
************
Assim que desligou o celular Tiago pensou no que fazer até as onze da noite.
Justo hoje que ele estava cansado a sua namorada iria demorar na faculdade. Uma merda !
Enfim...
O rapaz terminou seu trabalho as seis em ponto e junto de amigos resolveu beber algo.
Não que fosse seu costume sair pra beber após o expediente, mas o que fazer até sua namorada chegar ?
Beberam e jogaram algumas partidas de bilhar. Então quando o relógio contava dez horas Tiago resolver ir ao encontro de Nanda, não sem antes ouvir as famosas brincadeiras de machos no cio :
-vai cabresto ! toma chicotada moleque...
Riam como crianças da diversão e porque não dizer certa inveja do rapaz de periferia que tinha conquistado a menininha de classe.
Saiu em desabalada carreira pelas ruas escuras e fedorentas da cidade grande e em quinze minutos estava na plataforma esperando sua amada.
Sentou-se num banco e aguardou. Mal sabia Nanda como aquele momento seria de euforia. Ele queria ver a cara dela quando soubesse de sua promoção, encarregado de expedição. Um dia ia poder olhar pro pai dela no mínimo com um olhar igual ao dele e dizer : vou casar com sua filha.
O jovem orgulhoso do sucesso mas cansado de tanto trabalho encostou a cabeça entre o banco e a parede fechou seus olhos e lembrou de tudo que já havia passado na vida em tão pouco tempo de existência. A fome da infância, a dificuldade com que seu pai cuidou de todos , lembrou triste a morte do irmão na favela e de como começou cedo a trabalhar pra ajudar em casa. Hoje sentia que tudo começava a valer a pena .
Mas enquanto lembrava-se da vida dormiu !
De súbito, um barulho acordou-o. O jovem assustado com a escuridão e perdido pelo sono pesado olhava para os lados sem entender o que acontecia, viu o relógio na parede, os ponteiros marcavam 3:15 da madrugada e um tic tac incessante avançava o tempo sem piedade. Então o rapaz caiu em sí e lembrou-se do encontro:
- Meu Deus o que eu fiz ? onde foi parar minha namorada ? será que ela não me viu nessa banco ?
Mas estou em frente a plataforma. Vou ligar. Não, melhor não, são quase 4 da manhã, o pai dela me mata. Mas e se ela ta achando que aconteceu alguma coisa...
É, vou ligar sim !
Pegou o celular e aflito discou . De repente uma voz :
“ esse numero de telefone não existe. Favor...”
Porcaria. Disquei errado.
Tentou novamente mas a mesmo mensagem se repetia.
O número estava certo e ele não entendia porque essa maldita mensagem aparecia.
Resolveu que o melhor a fazer era procurar um segurança e pedir orientação.
Subiu as escadas que levam ao saguão mas tudo estava absolutamente vazio. Por um momento achou até engraçado e rindo de si mesmo começou a gritar:
-alooooooooooo
E um eco forte respondia
Ele novamente gritava de volta:
- aloooooooooooooooo
E outra vez o mesmo eco respondia
Tiago então achando graça de tudo começou a correr entre as lojas vazias e percebendo a total ausência de alma viva continuava seus gritos:
- eu sou tiagooo
E o mesmo eco repetia sua voz surda
- eu sou fodaaaaaa
E o eco incansável retornava
- eu sou tiagoooo
Mas dessa vez ao final do eco uma voz respondeu:
- eu sei quem você é !
De súbito o rapaz virou-se e tomado por um pânico angustiante gaguejou
- Beto ?
O jovem esfregou os olhos mas a presença mórbida de seu irmão morto anos atrás continuava ali
- você está morto cara...
A entidade um tanto enegrecida e com marcas visíveis de sofrimento respondeu:
- sei que estou morto. Você me matou. Esqueceu ?
Agora vou cobrar a vida que você tirou de mim.
Tiago assustado sem saber o que dizer apenas balbuciava algumas palavras:
- foi um acidente Beto, um acidente. Eu tive medo.

- teve medo e deixou que eu fosse culpado pelo que não fiz. Sabe quanto sofrimento passei na mão daquelas pessoas ? era sua alma que devia penar. Não a minha !
Vivo no lodo por culpa sua irmão, cercado de monstros querendo me machucar a todo momento. Mas agora chegou sua vez de pagar pelo que fez comigo maldito !
Tiago encurralado ajoelha-se em lágrimas e pede por clemência .
Mas a sombra enferma e marcada pelo ódio caminha em direção do rapaz.
- perdoa irmão. Perdoa ! faço tudo que você quiser, conto pra todos que eu fui o culpado, vou limpar seu nome. Eu prometo.
- meu nome ? e minha vida ? vai devolver a minha vida ?
- se eu pudesse devolveria irmão...eu juro
- e vai devolver, porque vim tomar a sua !
O rapaz num momento de lucidez sai correndo pelos corredores da estação em direção a plataforma. Atrás dele os passos continuam dessa vez ainda mais fortes.
Tiago some na escuridão do túnel e esgueirando-se pelos cantos úmidos tropeça e cai sobre os trilhos. Uma dor aguda toma conta de sua cabeça, mas de repente uma gargalhada invade a escuridão e o espírito maligno zomba:
- machucou menino ? ainda te farei sofrer mais. Não adianta fugir de mim, eu vou te pegar.
O rapaz levanta-se decidido a escapar e vislumbra ao fundo uma pequena claridade e repleto de dores pelo corpo corre em direção a luz.
Quando aproxima-se percebe que trata-se de um pequeno deposito de manutenção da estação. Como esperado ali também não havia ninguém.
O jovem entra e encontra abrigo numa cama velha num canto do cômodo, deita-se nela encolhido como um feto, tentando preservar a vida. Ele sabe de sua culpa.

Fora ele que anos atrás roubara os papelotes dos traficantes do bairro e quando percebeu que foi descoberto jogou a culpa no irmão mais velho imaginando que o mesmo conseguiria resolver o assunto. Tiago tinha em seu irmão um espelho, achava que era forte e poderia decidir qualquer situação.
Mas a verdade mostrou-se outra, e quando o corpo de beto foi encontrado coberto de balas ele num ato de extrema covardia calou-se.
O tempo passou e o rapaz achou melhor enterrar essa historia, afinal nada traria seu irmão de volta. A não ser o ódio !
Deitado naquela cama suja ele começa a rezar :

“ pai nosso que estais no céu , santificado seja vosso nome...”

Mas sua oração é interrompida por um choro sufocado. Era Beto !
O espírito em lágrimas começou a narrar seu calvário desde as balas penetrando sua pele:
- quando aqueles furos pelo corpo levaram minha vida irmão, não foi a dor que senti nem os gritos do umbral , mas sim a lembrança daquele homem atormentando minha cabeça, seus traços apavorados quando eu puxei o gatilho...
Tiago sem entender levanta-se e tenta aproximar-se do irmão, mas é repelido com um gesto de mão e num olhar confuso pergunta:
- que gatilho Beto...que homem ?
O espírito pede silencio e continua seu relato
- lembra quando Mamãe precisava fazer aquele exame e não tínhamos dinheiro ?
- claro que sim. Papai disse que você fez um empréstimo na empresa pra pagar o exame.
Acho que você trabalhava naquela firma que o dono foi assassinado num assalto. Se eu não me engano.
Então o espírito de beto chorando copiosamente desabafou:
- eu não consegui aquele empréstimo irmão e numa atitude de raiva fui até a casa do meu chefe para rouba-lo mas com medo de ser preso atirei na cabeça dele.
Tiago surpreso com a revelação e sem palavras também desabou a chorar e pedindo novamente perdão desta vez de coração retornou a oração interrompida :

“ venha a nós o vosso reino agora e na hora de nossa morte. Amém “

Um Amém dito em voz alta pelos dois irmãos, que agora juntos buscavam reparar seus erros !

O relógio marcava 7 horas e o tilintar do despertador irrompeu pelo quarto.
Tiago suado acorda e percebe seu sonho, o coração ainda disparado pelas emoções de uma noite agitada. Levanta-se beija a testa de sua mãe na cozinha que preocupada aproxima-se e num gesto rápido levanta seus cabelos e pergunta:
Que galo é esse em sua cabeça meu filho ?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

SOBRE PEQUENAS RESPOSTAS



Escrever é a arte de desvendar mistérios escondidos
Num simples olhar !

sábado, 12 de janeiro de 2008

ASSIM...

Por um metro de pernas me perdi
Caminho sem volta...
Enlouqueci

Mar revolto
Ambigüidade humana
Rastro de sonho
Instinto sem fim
Como espelho d’agua
Refleti seus olhos em mim

Degelo de alma
Dragão queimando a paixão
Uma cobra que morde
Um flerte mortal
Inexplicável desejo

Não sei te explicar
Sei que por um metro de pernas
Num caminho sem volta...
Me perdi
Enlouqueci
Morri !

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

INDEFINIÇÕES DO AMOR

Mandaram-me falar de amor
Mas amor é palavra soberana
Sem adjetivos competentes
Nem definições convincentes

Amor é feito alma penada
Aparece como um susto
E vai embora feito pesadelo

Amor, amor...
Tão insensato e exclusivo de cada um
Que confunde-se com o tempo
Amor apaixonado
Amor resignado
Amor correspondido
Amor abandonado

Tantas formas e famas ele tem
Platônico
Excêntrico
Insano...
Amor caridoso
Amor da boca pra fora
Amor duvidoso

Existe o amor do tesão
Vem como fogo
Mas apaga no
Primeiro gozo

Existe o amor da paixão
Inexplicável
Dolorido
Indecente
Sufocante
Por vezes inconseqüente

Amor carente
Por todos e por
Ninguém
Também

A mim não dá
Amor não tem explicação
Nem definição
E assim como vocês
Me basta amar
Sem pedir
Nem cobrar

Porque o mesmo amor
Que me faz chorar
Me faz viver

Se um dia
Por um amor
Rasguei cartas
Por outro
Eu quis escrever

E sendo assim
Sem definição
Nem explicação
Eu chego ao fim !

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

INSPIRAÇÃO

Eu queria ser um Viking
Ter espírito de guerreiro
Conquista-la com minha espada
Fazer-te rainha do meu corpo

Eu queria ser pintor
Emoldura-la como for
Tingir seus lábios de vermelho vivo
E teus contornos a minha maneira
Perpetuando minhas marcas
Em seus detalhes

Eu queria ser dragão
Roubar-te com minhas garras
E queimar em brasas na paixão

Eu queria ser imortal
Pra esperar por você
Eternamente

Quem dera fosse um poeta
E sussurrar em seus ouvidos
Meus mais indecentes desejos

Mas não sou nada disso
Sou homem apenas
Nem guerreiro
Nem pintor
Homem apenas
Nem dragão
Nem imortal

Talvez um poeta
Porque só mesmo sendo
Um deles
Pra te querer antes mesmo
De existir

MANIFESTO AO HOMEM

Quem somos nós ?
Vivemos entre anjos e demônios, entre homens e santos, entre o bem e o mal.
Buscamos o encontro entre as bocas
O encontro entre as almas
E o enlace das mãos
Quem somos nós ?
Sentimos amor e ódio
Ternura e rancor
Buscamos incessantes a paz, Mas somos guerreiros
Temos fome e temos sede
Contudo comemos a vida e secamos o mundo !
Buscamos nossas diferenças no próximo e não percebemos que somos iguais .
Vivemos de fases:
Crianças inocentes
Jovens adolescentes
E nos tornamos adultos inconseqüentes.
Nossos ídolos são de pedra e bronze. Construímos igrejas e templos de ouro
Mas fizemos nossa historia com sangue :

“ Cordeiro de Deus que livrai os pecados do mundo...

Tende piedade de nós “

Destruímos cada qual em nome de seu Deus
Mas somente um mesmo Deus sempre chora
Somos a soma de todos os medos
A soma de nossas derrotas
Quem somos nós ?
Humanos apenas !










POETA

Escreve poeta
Escreve...
Rasgue linhas em papel de seda
Quem sabe um vento
Leva pra bem longe
Um pouco de ilusão !

Poeta
Mude as letras
Não fale mais de amor
Nem fale de dor
Chega de encontros e
Desencontros

Poeta
Pra quê contar de lágrimas
Escorrendo
ou sorrisos escondidos

não percorra mais corpo de mulher alguma
Poeta
Chega de beijos sem fim
Ou mãos que não param
Chega de querer sexo apenas
Chega de vampiros
Ou pernas e penas

Pare poeta
Chega de injurias ou lamentos
Não fale mais da lua ou do dol
Cansei de sentimentos

Pare com esses temas poeta
E rasgue as linhas com...
Rasgue as linhas
Melhor poeta
Rasgue a folha
E morra !


.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

POEMA DE UMA NOTA SÓ !

Se um dia nem uma palavra mais sair de mim
Ainda assim guardarei letras pra dizer

” Eu te amo “

ANDARILHO

Sou um viajante solitário
Passageiro da agonia
Da alegria
Do viver

Sou um viajante solitário
Fiz da terra meu jardim
Meu quintal
Meu túmulo final

Sou homem humilde
Nada pedi
E também nada recebi

Vivo longe da maldade
Vivo só
Por conta de um amor
Que só deixou saudade

Sou um cavaleiro andante
No meu livro da vida foi escrito :
“Feito nos trilhos de uma vida errante “

UM FIM DE TARDE NO PASSADO

Antigamente as tardes eram sempre mais brilhantes e coloridas, o café com pão servido a mesa, com cheirinho de mãe sempre aliviava minha fome infantil.
Lembro-me da primeira bicicleta... uma Caloi preta serie ouro (que aliás não sei porque era preta. Deveria ser dourada ) tinha farol , buzina e rádinho am/fm. Verdade !
Um sucesso entre as meninas do bairro.
As vezes acho que a infância dura apenas um momento. E achamos que durou a medida da primeira decepção !
As manhãs frias eram protegidas com um agasalho Adidas azul marinho e Kichute com o cadarço infinitamente enorme, dando voltas sobre os pés ( isso sempre) era moda E quem se arriscaria fazer diferente .
Tive uma namorada sim, Martinha o nome dela ... namoradinha é claro. Foi meu primeiro beijo e olha que foi só no rosto mas tremi uma semana inteira.
Naquele tempo tremor ainda era apenas emoção ou medo. Tesão vem muito depois,
e confesso que sinto falta de quando não conhecia o tesão.
Ir pra escola pra mim sempre foi complicado, afinal adorava a liberdade da rua, mas estudei o suficiente. Hoje vejo que poderia ter estudado mais e brincado mais.
Lembro das corridas pelo quarteirão. Lembro da correria que a turma de baixo nos impunha , eram meninos mais velhos, todos com seus 12 pra treze anos ( pra nós uma assombro de velhice já ) como nossa visão muda.
Penso nos amigos que ainda vivem no recôncavo da memória:
Os vários Zés e Joãos, Pedrinhos aos montes... Gilson, Gelson, Carlinhos, Carlitos e por aí vai. Que foi feito deles ?
Quantos médicos saíram dali ? Advogados, engenheiros... policiais, bancários. Enfim... Somos a mola do mundo. Sempre somos !
Lembro do cachorro do vizinho que botava a gente pra correr todo dia.
E nossa, como eram boas as peladas jogadas na rua, carros quase não passavam e se passavam sempre esperavam pra ver se a jogada terminava em gol!
Existia o Dr Sidharta um nem sei o quê, porque não lembro mais. Tinha medo dele, achava que era um profeta ou algo parecido. Isso por causa do nome " Sidharta "
Em minha casa existiam aquelas cadeira feitas com cordões de plástico, que ficavam na varanda , e minhas tias ficavam tricotando com fios feitos de saquinho de leite Leco.
Eu achava aquilo chique !
Meu pai chegava do trabalho e sentávamos todos a mesa pro jantar, era o máximo, sentia que meu líder, meu herói havia chegado. Erámos em 3 irmãos, e eu claro era o mais novo. Divertido esse momento. Ficava olhando meu pai admirado. Pra mim estava diante de um Deus. Ri muito naquela mesa. Acho que nunca ri com inocência na vida como naqueles momentos.
As 7 da manhã em ponto o padeiro passava numa kombi branca, chamando a todos em seu falante. Só ele pra me acordar essa hora. Aquele cheiro invadia a rua, impossível esquecer. É...doce infância recheada de pão doce !
Cresci assim. Entre minha Caloi especial e meus Kichutes.
Entre amigos e namoradinhas
Cesci na escola ou matando aula..
Cesci com meus pais a mesa e entre tias na varanda.
Cresci pelos quarteirões da infância
Cresci entre peladas de meia .
Cresci entre Doutores ou muitos “ ninguéns “
Mas aí a primeira decepção chegou e enterrou minha infância no fundo da memória.
Ainda passo pelo bairro, a rua está lá, a casa está lá. Nossos nomes ainda gravados nas mesmas árvores.
E embora eu possa hoje pegar meu carro e passear pela rua, desde que cresci jamais lembrei o caminho de voltar !

domingo, 6 de janeiro de 2008

LA LUNA

Me diz quem é você ?
Assim toda triste..
Te sinto padecer em mim
Ao seu lado minha vida mingua
teu branco quase nem brilha
Sinto muito mas quero vida
E a sua é minguante !

Mas e você ?
Que em meu quarto quer crescer
Branca e solícita aos meus desejos
Por ti também passo
E fecho meu quarto Crescente !

Eu sei quem é você
Que em pequenos detalhes se mostra
Lua tímida...
Virgem do Cêu
Vou passar e seguir meu caminho
lua doce e nova

Ah ! mas você sim lua bela
Rainha do firmamento
Satélite de Deus
Teu brilho me cega de emoção
Pra te alcançar viro um astronauta
Mesmo que de lata
E num foguete de gelo
Corro ao seu encontro

lua cheia
Por ti uivo de paixão !

sábado, 5 de janeiro de 2008

Essa é uma estória de paixão e morte, que mexeu tanto comigo que a mim cabe apenas contá-la!


UM MINUTO PRA VIVER


A madrugada fria de junho batia forte na estrada, eram 02:30 da madrugada e Fernando voltava pra casa depois de uma semana de trabalho.
Fernando era um homem jovem ainda, contava naquela época 27 anos e trabalhava como representante de vendas
em uma industria farmacêutica.
Ambicioso trabalhava por vezes viajando por todo tipo de cidade. Tinha seus objetivos na vida e sabia que só alcançaria com muito esforço, e isso não lhe faltava!
Subitamente uma chuva forte o fez buscar abrigo num auto-posto, iria aproveitar a parada e comer alguma coisa.
Mal havia descido do carro e uma mulher em desabalada carreira aproximou-se ofegante
- Moço..moço, por favor que dia é hoje?
- 14 de junho. Por quê? Quis saber Fernando.
- Em que ano estamos?
Fernando segurou o riso um tanto embasbacado com cena tão estranha..
- Não sabe em que ano estamos moça?
- Por favor !! Pediu a mulher quase em prantos.
O rapaz percebeu que o momento não era de brincadeira;
- Estamos em 1997 moça, o que houve com você?
A jovem de olhos azuis e lindos cabelos negros pôs-se a chorar e repetir várias vezes as mesma frase:
- Amanhã já é dia 15
- Amanhã já é dia 15
Fernando intrigado quis saber o que tinha de importante o dia seguinte, mas a jovem subitamente mudou de assunto e
pediu uma carona até a cidade mais próxima.
Fernando aceitou de pronto o pedido, mas antes sugeriu um lanche, uma vez que a chuva caía torrencialmente ainda.
Assim sendo, entraram juntos naquele posto para comer algo. Sem saber o rapaz traçava seu destino de maneira definitiva!
Enquanto comiam, Fernando admirava aquela moça tão estranha e bela. Mulher de pele muita clara com cabelos negros e olhos faiscantes.
Não era muito alta, mas tinha um corpo moldado e delicado ... ele sentia que algo mudava em sua cabeça.
- Então, ainda não disse seu nome...
- Meu nome é Vivian, disse a jovem já abaixando a cabeça num sorriso envergonhado.
- Do que está rindo? Perguntou o rapaz
- Estou com vergonha da forma como me conheceu...cheguei desesperada e agora estou aqui nessa mesa com você e nem me apresentei direito, me desculpe !
- Não seja por isso, -disse Fernando- já se levantando e estendendo a mão.
- Muito prazer Dona Vivian, meu nome é Fernando.
A jovem solícita levantou-se também e correspondendo ao aperto de mão respondeu:
- o prazer é todo meu senhor Fernando (os dois riram da brincadeira.)
Finalmente a chuva parou e resolveram seguir viagem.
Fernando não sabia, mas sua viagem estava apenas começando e seu fim estava traçado!
A noite caía como um manto de breu e dentro daquele carro as coisas esquentavam.
Vivian era uma mulher sedutora insinuava-se para o rapaz de maneira sutil, mas decidida.
- Me conta Fernando, você é casado ?
- Não, não. Aliás, atualmente nem namorada eu tenho, acho que não dou sorte com mulher.
- Porque não dá sorte?
- Sei lá, não encontro uma que me queira.
- disso eu duvido, você é um homem lindo !
O rapaz olhou dentro dos olhos da moça e sentindo uma vontade imensa de beijar-lhe as lábios agradeceu o elogio.
um silencio reinou dentro do veículo .
minutos incontáveis de agonia quebrada repentinamente pela jovem:
- eu tambem sinto vontade...
- como assim ?
beijar você.a mesma vontade que está sentindo por mim eu estou por você.
Fernando admirado e um tanto sem ação encostou o carro e cobriu-lhe o corpo com seu olhar, de repente seus lábios se encontraram num beijo apaixonado e delirante.
Em pouco tempo estavam dentro de um motel desses de estrada, foram horas de amor sem fim onde Fernando apaixonou-se perdidamente.
Amanhecia quando entraram em São Paulo, o ritmo frenético da cidade contrastava com o cansaço dos dois, Fernando quis levá-la pra casa, mas Vivian recusou dizendo que por hora preferia deixar assim.
Durante meses viveram um louco amor repleto de juras e promessas, o rapaz alucinado fazia planos de casamento e já nem trabalhava direito, mas então numa noite seu telefone não tocou e não tocou também no dia seguinte e no outro...
Uma semana depois finalmente o maldito telefone toca, era Vivian pedindo um encontro. (naquele momento as cartas estavam na mesa!)
Encontraram-se no parque Ibirapuera sob as sombras gostosas de lá, Fernando era uma agonia só e queria entender o porquê do sumiço da moça:
- Porque me deixou assim amor ? Sabe que te quero demais
- Sei disso tudo meu querido, mas não posso mais ficar com você !
- Como não pode ? o que houve ?
- vai ser difícil de entender e aceitar, mas queria que soubesse que eu te amo muito e por te amar assim peço que não me procure mais.
Fernando desesperado começou a gritar e acusar a jovem de traição e mentira, mas Vivian mesmo por entre lágrimas se manteve irredutível.
O rapaz num misto de raiva e decepção levantou-se e chamando-a de vagabunda foi-se embora, mas o medo da perda e o amor sufocante que sentia o fez voltar pra se desculpar, infelizmente no lugar da jovem apenas uma carta descansava sobre o banco, Fernando abriu com dedos trêmulos e num olhar confuso pôs-se a ler:





---------------------------------------------------------------------
Amor meu !

Nunca passei meses mais felizes que os vividos ao seu lado, mas essa felicidade não me é permitida, siga sua vida e seja feliz, porque jamais seria comigo!
Esqueça-me pra sempre e não me procure mais !
Desista de mim porque eu desisti de viver a muito tempo !


Vivian
---------------------------------------------------------------------

Meu amigo não aceitou as palavras daquela mulher e angustiado foi embora decidido a encontrá-la novamente.
Foi exatamente nessa época que nos conhecemos.
Fernando tornou-se um homem amargo e descontrolado, vivia em bares bebendo e farreando a noite toda, o pouco que construíra já havia perdido, estava em ruínas.
Numa noite encontrei-o jogado numa sarjeta todo sujo e ensangüentado, levei-o pra casa e cuidei de seus machucados, no dia seguinte perguntei por que se destruía tanto e as palavras dele me assustaram.
Contou-me sua história e terminou dizendo assim:
- Só vou desistir de minha busca quando encontrá-la!
Passaram-se anos de nossa conversa e meu amigo nunca desistiu. Fernando virou um trapo humano, afastando-se da família e dos amigos, a imagem de Vivian assombrava suas noites e a loucura tomou conta dele.
Eu assim como todos só pudemos acompanhar de longe aquele suicídio lento e doloroso. Certa noite um telefonema dos bombeiros acabou com nossa agonia, Fernando pulara da sacada de seu apartamento, era o fim de uma vida de angustia e dor. No dia de seu enterro, após 4 horas ao sol e muitos lamentos resolvi caminhar pelo cemitério até o portão então pude finalmente descobrir quem era Vivian, ao sentar em um velho túmulo pra descansar, meus braços tremeram e meu coração queria saltar pela boca, a mesma boca que muda de pânico apenas balbuciou as palavras que vi naquela lápide:

UM DIA MORRI POR AMOR E SÓ MESMO O AMOR ME FARÁ RENASCER, NEM QUE SEJA POR APENAS UM MINUTO DE VIDA!

Abaixo do epitáfio apenas uma foto e a data.
Era a foto da jovem que meu amigo buscou com tanta paixão somente o primeiro nome estava visível :

Vivian

Falecida em 14 de junho de 1938.

FIM

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

PAI

Um vazio calou meu peito
Enquanto lascas de neve tombavam mortas sobre mim
Ao longe ouvia apenas o tilintar das arvores congeladas
A força do vento cortava minha pele
Pálida...
Nem um " jamais " bateu tão forte
Como o seu
Meu Pai porque foi ?
Me deixando aqui
Nesse frio de alma
Não são petálas de vermelhos vivo
E nem as amarelas jogadas em seu caixão
Que estancam uma dor
Um final
Mais que perder você
Sem você me perdi !
Te amo.
Descanse em paz...
Pai