quinta-feira, 31 de julho de 2008

RASTROS

Doeu...
Suas unhas cravadas em mim
Meus cabelos puxados
Enquanto gozava sem fim

Doeu !
Seus tapas de desejo e luxuria
Doeram as costas amassadas na parede
Nem sei se fiz por merecer
Tanto prazer

Preciso dizer que doeu.
Suas estocadas
Suas pegadas
Doeu !
Mas viajei em suas mãos pesadas

Doeu sim
Os beijos afobados
Os amassos safados
E as mordidas entre gritos
Sufocados

Tudo doeu
Mas te amei feito flor
Abrindo-me
E pedindo: vem meu amor

Mas agora acabaram os tapas
Já não sinto sua mordida
Nem sua Mão pesada

Doeu meu amor...doeu
Hoje sou lembranças de noites passadas
Você de mim sumiu
E nem deixou pegadas !


domingo, 27 de julho de 2008

DEUS

Eu não sei quem sou...
Mas também o que importa isso ?
Eu nada sei
Eu apenas sei que já fui Rei

Mas de onde fui Rei se não sei o que sou ?
Nem mesmo sei pra onde vou...
Será que já fui Rei homem ?
Será que já fui Rei Deus ?
Eu nem sei quem sou
Acho que sou o que sou..
Um pouco homem
Um tanto Deus

Sou em muito sombra
Sou o que me compra
Sou o tanto que me vendo
Sou complexo e amplexo de uma simples vida
Sou reflexo do um erro
Sou acerto no desespero
Sou o que sou...

Um nada
E tudo ao mesmo tempo
Sou filho do homem
E pai em desalento

Penso as vezes que sou música
E noutras sou lamento
Pra muitos fui encanto
E pra tantos
Desencanto

Não sei quem sou
Posso ser isso tudo
Posso ser nada
Posso ser aquilo ali’
Ou acolá
Sou poeta
Sou triste
Sou um pobre
Ou simples sabiá !

domingo, 20 de julho de 2008

FOLHAS DE OUTONO

Os acenos indicavam o final
Folhas de outono caiam sobre o chão
Mas já era inverno em mim
As palavras gelando o coração

Teu beijo seco mostrando a verdade
O silencio do vento soprando
Seus passos ao longe
E meus olhos marejando

Minhas mãos agora sozinhas e escondidas
Olhei o céu e vi que o sol ainda brilhava
A boca salgou com as lágrimas que desciam calmamente
Ao longe seus cabelos sumiam pouco a pouco
Era como a morte me alcançando
Lentamente...

Caminhei em direção a noite que chegava
Agora já não tem mais volta
Nossa história virou a página



sexta-feira, 18 de julho de 2008

LUA DE MEL

Sobre flores e vinho tinto eu te amei
Mordi-lhe os lábios vermelhos
Unhas cravadas
Dentes cerrados
Mãos apertadas
Você foi conquista de uma noite
Rolamos e enrolamos
Em minha alma foi pernoite

Entre flores e vinho tinto
Te comi
Primeiro os seios endurecidos
Depois os bicos pra mim
Oferecidos

Com a língua marota eu desci
Por entre pintas do seu corpo
Eu quase me perdi

Deitamos entre as pétalas
Te pintei de vermelho tinto
Alcancei teu ápice em transe
Foi puro instinto

Amor com sexo
Flores com vinho tinto
Assim somos
Eu e você
Nesse eterno labirinto

TEMPO DE AMAR

Eu já ouvi “eu te amo”
E já disse também

Amor é sentir falta
É sentir que o coração bate diferente
Amor é melodia ao longe
Feito som de flauta

Pra saber que ama basta deitar
Abraçar o travesseiro
Rolar de um lado a outro
Buscando do parceiro o cheiro

Amor é comprar ingresso pra dois no cinema
Mesmo estando sozinho
Comprar combo de pipoca duplo
Amor é renovar roupas
Amor é despir
E pele a pele sentir

Amor é manchar a camisa de lágrimas recolhidas
Amor é lavar a roupa suja junto
Saber que a demora nunca é definitiva
Amor é solidão
Mesmo que em meio a multidão

Amor é dizer ”amo você “
Ou não dizer nunca e provar com gestos
Amor é linguagem surda e muda
Não precisa de adjetivos
Pra amar não é preciso motivos

Amor é junção do sol com a lua
Paixão é o eclipse dos dois
Amor é rio que deságua no mar
E o efeito dele é oceano

Amor é a voz que fala ao coração
Primeiro feito brisa
Depois como vento
Amor é furacão

A paixão queima
É desejo constante
Mas vem com o tempo a amor
Feito atenuante


Amor é equilíbrio das almas
Amor são palavras soltas no tempo
E dispersadas ao vento

Amor é...
Apenas amar

terça-feira, 15 de julho de 2008

CÁLICE DE SANGUE

Lágrimas
Que vertem sem fim
Inundam a alma
Esgotam lamurias e retornam
Pra mim

Lágrimas

Que feito fantasmas
Perturbam a noite
Escurecem meus olhos
Ditam os pesadelos um a um

Lágrimas

Insones e mal amadas
Pingam em gotas vermelhas
Como Cálice de sangue tinto
Enchendo meu peito
São reflexos da dor que sinto

Lágrimas
Encontro das águas
Demônios elementais
Prova de amor e dor
Lembrança de muitos que tais

Mas se o que resta na madrugada fria
São cálices de sangue
Vou sorver o que de mim verte
Quem sabe repousando num balcão
Feito um pobre marionete

sexta-feira, 11 de julho de 2008

LUA NUA

Ela veio sozinha
Invadindo a noite fria
Soberana em seu vestido branco
Rainha dos meus sonhos
Demônio pecador
Santa dos poetas
Junção perfeita entre Deus e o diabo
Veio e por mim
Ficou !

Despia-se em fases
Numa esplêndida tortura carnal
Tirou minha inocência
Ensinando o amor com indecência
Alterou meus apelos
E com beijos arrepiou os pelos

Volte sempre lua
Volte linda
Mas volte nua



terça-feira, 8 de julho de 2008

EGO

Eu sou um pouco bom
E um pouco mal
Sou metade pureza
E metade incerteza
Eu sou meio desligado
E em muito alterado

Eu sou uma parte de dúvida
E um aparte apaixonado
Eu sou um tanto assim de amor
Sou um cadim de dor

Sou mundo da lua
E sou noite crua
Sou retalho completo
Da beleza nua

Eu sou metade de qualquer coisa
E complemento de coisa alguma

Eu sou homem e mulher na madrugada
Sou grito doente de uma alma calada

Eu sou puro ego
Sou um disfarce
Sou a bengala do pobre cego

Eu sou o que tentamos ser
Sou a esperança ao nascer
E a certeza do vazio quando morrer !








quinta-feira, 3 de julho de 2008

ALMA


Eu sou feito de luz e calor intenso
E mesmo que não se apague o tempo
Dói em mim a ausência de sentimento

Eu sou fruto de bem fazeres de uma vida
Sou descoberta
E feridas escarnecidas

Sou alquimia de muitas almas
Misto de sentimentos engrandecidos
E ódios ressentidos

Sou peça única de um universo só
Mistério do criador
Enigma sem resposta
Essência de um pensador

Sou uma de várias estrelas
Sou muita chama de um sol apenas

Eu vivo o bem e o mal em si mesmo
Sou mistura do mar com sal
Sou rio de água doce

Eu sou o presente do amado
E o embrulho jogado ao lado

Sou o tempo
Sou homem
Sou Deus
E os dois á todo momento !

Eu sou o que é você
E sou o que tiver que ser...

NOSSAS MUITAS OU POUCAS SUTILEZAS

Você já se perguntou por que os homens sabem cozinhar bem quando querem, mas não sabem limpar uma cozinha ?
Pelo mesmo motivo que a mulher, embora injustamente qualificada ( má qualificada ) de barbeira provoca menos acidentes no transito.
SUTILEZA !
Essa é a palavra que separa homens de mulheres .
Mas como qualquer assunto que refere-se a essa inútil mas divertida guerra de sexos gera polemicas, vamos listar aqui alguns exemplos :
Já perceberam como hoje em dia as indústrias de alimentos preocupam-se com a embalagem ?
São inúmeros potinhos e pacotinhos muito bem decorados e repletos de cores. Por acaso alguém em sã consciência acredita que homem percebe esses detalhes ?
Homem é quase um cão daltônico quando se fala em harmonia e elegância .
E as novas soluções para se abrir tais embalágens ?
Risquinhos serrilhados, dentes plásticos com fitinhas que basta serem puxadas...
Pra quê ? para os homens terem a vida facilitada ? Não amigos. Isso é um reconhecimento á dedicação feminina á arte da sutileza. Homens ainda preferem a ponta de uma faca pra furar ou as mãos dantescas pra rasgar esses infames saquinhos.
E os mais recentes utensílios de cozinha ? panelas com super – hiper – mega – aderência... fornos que apitam com a comida pronta, fritadeiras elétricas e sem fumaça e etc .
Produtos perfeitos para uma mulher conseguir se manter linda ao seu marido, aquele troglodita que ainda sonha com o velho e bom churrasco gordurento ou até mesmo a panela de ferro encardindo a cozinha de fumaça de bife !
Homem pode sim cozinhar bem se quiser . Mas não exija dele nada além de uma simples lavadinha de mãos .
E os carros de hoje ?
Luz no quebra - sol. É pra homens ?
Aliás, algum homem sabe ao certo pra quê serve um quebra - sol ? Eu explico.
Quebra- sol serve pra alojar um pequeno espelho com luz. Isso facilita a linda boca feminina na hora de delinear o batom.
Atualmente temos ar condicionado que projeta a temperatura externa. Isso para a mulher ao sair do veículo não sentir-se na Groelândia ou ver sua maquiagem e chapinha simplesmente derreter no verão. Quanto ao homem...
Esse ainda prefere o vidro aberto e o braço de fora pra xingar o outro idiota como ele que faça algo no transito que ou ele não concorda, ou gostaria de fazer também. SUTILEZA !
Essa é nossa diferença. Nem inteligência ou sentimentalismos...
Apenas um palavra nos difere .
E eu, como homem que sou, sujeito a troglodiçes e afoitamentos conclamo a todos da minha raça a continuarmos assim .
As sutilezas são delas, a falta de jeito, nossa.
Não se mexe em time que está ganhando !



quarta-feira, 2 de julho de 2008

NOITE ADENTRO

Fechei a janela e tranquei fora a vida
Virei sombra sem luz
Reflexo sem espelho
Lembrança pálida e sofrida

Fechei a janela pra chorar na escuridão
Afogar as lágrimas num colchão
E perder a vida de grão em grão

Fechei a janela pra fugir do mundo
Apaguei a luz no coraçao
E tropeçando por entre cantos e recantos
Mergulhei em minha alma até o fundo

fechei mesmo a janela
foi só assim que não pulei

Mas o dia nasceu
Iluminando em frestas de madeira
Minha escuridão

Agora vou abrir a porta e viver a vida feito alforria
No lugar de cantos e recantos
Quero encantos
Secarei as lágrimas do colchão
Pra manchar nele marcas de paixão

Hoje sei que se a vida é feita de portas e janelas
Sou feito de amor e dor
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