domingo, 16 de dezembro de 2007

INDIVÍDUO

Tenho na vida só o que ela me trás
Um cálice vazio
Um gole de pinga atrás

Tenho um carro velho
Um terno usado ( no bolso um trocado)
Promissória pra pagar
Dente cariado pra tratar

Mas eu vou a luta !
Cabeça raspada
Cabeça feita
Feito trapo amarrotado
Um bolso furado
No terno usado
No outro um trocado

Sem grana pra gastar
Sem fumo pra queimar
Sem vida pra lutar
Vou de poste em poste
Como cão...
Querendo lugar pra urinar

Nômade de um povo sem nome
De um povo sem raça
De um povo sem cor
Feito alma transparente

Minha vida se mistura aos tijolos do submundo
Tentando abrir pra mim
Um canto
Um beco
Um buraco profundo !

Um comentário:

Unknown disse...

Como já disse, vc fala um pouco por mim, em cada poesia sua.
Émais ou menos isso, literalmente falando...
Amei,
besitos.